Um faixa-a-faixa do novo álbum do Coldplay e outras novidades.
O Coldplay é uma das bandas inglesas de maior prestígio no rock atual. Cria de uma geração que surgiu logo após o boom seguido de morte precoce de muitas bandas nos anos 90 (do qual poucas conseguiram resistir), os ingleses encontram-se em seu quarto álbum de estúdio, Viva La Vida (com o subtítulo or Death And All His Friends) e vêm um pouco menos depressivos do que de costume.
Iniciando com “Life In Technicolor”, uma canção instrumental alegre, a banda dá o tom ao repertório. O álbum é marcado pela variedade sonora e os momentos deprê, marca registrada da banda e objeto de ódio de uma legião de anti-fãs, dão lugar a melodias mais animadas, embora o teor das canções continue pesado para alguns ânimos.
A faixa-título, “Viva La Vida”, é a melhor faixa do álbum: uma canção pop acompanhada de violinos, falando sobre perda e transformação através de símbolos. Outras boas faixas são “Violet Hill”, marcada por batidas fortes, “Strawberry Swing” e “Cemeteries Of London” - essa com bom potencial para se tornar um dos hits.
A exemplo de “42″, “Death And All His Friends” começa vagarosa, prometendo uma sessão corta-pulso, mas vai ganhando força e, o que parecia uma choradeira, acaba por se tornar uma bela canção de rock ‘n’ roll. Por fim, os momentos mais desinteressantes do álbum ficam por conta de “Lost?”, com sua arrastação, e pelo excesso de tempo de “Yes!” e “Lovers In Japan / Reign Of Love” - as faixas cansam depois de um tempo.
Com a perda cada vez maior de espaço para outros gêneros, sobretudo o hip-hop e o pop adolescente, o rock ainda resiste bravamente. Não se pode dizer se o futuro do gênero está no rock inglês ou no americano, mas uma coisa é certa: boas bandas como o Coldplay terão sempre seu espaço garantido no mercado fonográfico, no rádio e em nossos iPods. E Viva La Vida!!!
Ainda em tempo:
- Jakob Dylan, mais conhecido por ser filho de Bob Dylan e líder da banda Wallflowers, lança seu primeiro CD solo. Seeing Things é basicamente acústico e traz uma forte bagagem sentimentalista nas letras - há muita influência de música folk e country, além de notada semelhança com a própria sonoridade do Wallflowers nas baladas. A boa voz de Jakob contribui para o bom resultado do álbum e, dentre as 10 faixas, que ocupam pouco mais de 35 minutos, merecem destaque “Valley Of The Low Sun”, “All Day And All Night” (com uma levada promissora), “Will It Grow” e “Something Good This Way Comes”.
- A banda californiana Offspring chega com seu novo álbum, Rise And Fall, Rage And Grace. O álbum vem seguindo a mesma linha punk-rock comercial de seus trabalhos mais recentes, atingindo altos e baixos. Destaques para “Half-Truism”, “Trust In You”, “Let’s Hear It For Rockbottom” e “Rise And Fall” - os momentos mais pesados do disco. Quando a banda recorre para o acústico, o CD decai: evite “Kristy, Are You Doing OK?” e “Fix You”. Alguns anos-luz atrás da co-irmã Green Day, ainda não foi desta vez que a banda voltou à velha forma dos anos 90.
- A EMI lançou uma coletânea do Radiohead, com seus maiores sucessos. Sob o inspiradíssimo título de The Best Of, foram reunidas gravações que vão do álbum Plablo Honey(1993) até Hail To The Thief (2003). Um lançamento pretensioso, visto que não contém nenhuma faixa inédita ou bônus e, após o segundo álbum, a banda mergulhou numa onda eletrônica esquisitona e pouco se ouviu falar dela desde então. O lançamento em CD aparece em versões normal e deluxe (este duplo e com mais faixas, lançado para fisgar dinheiro dos fãs), enquanto o formato em DVD traz todos os clipes da banda - definitivamente, a melhor opção das três.
- Ainda na categoria “caça-níqueis”, foi lançado um CD ao vivo de Damien Rice, aquele da música do filme Closer. Live From The Union Chapel tem a mixaria de 8 faixas, um encarte que não passa de um envelope de papel e seu repertório é de um show antigo, praticamente formado por algumas faixas de O (o primeiro álbum do cantor) e uma versão em inglês de Noite Feliz (Silent Night). E isso tudo por uma bagatela de 30 e vários reais - depois ninguém explica porquê as pessoas recorrem à pirataria e à Internet para obter músicas…
Mauricio Costa - É freak de computador, se aventura como DJ e é fã de cinema, séries e música, sobretudo a brasileira.
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