Will you count me in?
Simples assim. Havia senhoras de sessenta anos e crianças de oito. Uma gritaria histérica denunciava o predomínio de adolescentes meninas, coisa que nem suspeitava antes de entrar no Bourbon Country. Colbie Caillat, ainda mais bonita do que nos clips, entra no palco e esbanja simplicidade. Talvez seja uma personagem, vai saber. Mas a Colbie que assume o microfone frente a uma multidão que grita seu nome transpira uma meiguice encantadora. Suas músicas são melódicas, um tanto parecidas entre elas, bem verdade, mas sempre daquelas que nos fazem balançar o pé com uma certa expressão boba de contentamento.
Vestindo jeans, com um lenço azul transparente amarrado na cintura, e uma blusa preta, simples assim, em nada parece com a estrela que todos esperavam. Parece, de fato, uma velha conhecida que chega para cantar suas músicas. A geminiana de 23 anos provou, para uma platéia ensandecida, que menos é mais. E ainda por cima mostrou que sua perfomance ao vivo traz junto uma voz poderosa, o que é um bom sinal, tendo em vista tantas cantoras bonitinhas que têm boa voz nos álbuns, mas que ao vivo são uma decepção.
Nada de cenários grandiosos. Nada de megaprodução. Apenas uma boa cantora e uma excelente banda. Colbie percorre o palco com delicadeza, sempre suave, sempre atenciosa aos fãs, dançando comedidamente. A cantora conquista já na primeira música. Seu cd Coco é relido no palco: “Oxygen” é a primeira, assim como no álbum. Ainda que contenha obviedades na letra, tipo oh baby let me be your lady, a doçura de Colbie encanta. Seguem-se as canções do álbum: “Little Things”, “Battle”, “One Fire Wire”, “Tailor Made”, “Capri”.
Comunicativa, pergunta à gurizada se eles já se deram conta de que um grande amigo que têm ao lado na verdade pode ser um grande amor, e assim soltou o “Realize”: If you just realize what I just realized, Then we’d be perfect for each other and will never find another. Just realized what I just realized, we’d never have to wonder if we missed out on each other now.
Na metade do show, Colbie apresentou algumas versões interessantes, como “Under Pressure”, do Queen e “Turn Your Lights Down Low”, de Bob Marley, além de cantar uma música nova: “Somethin’ special”.
A simpatia da cantora provocou algumas reações óbvias da platéia. A identificação com esse público adolescente fez com que ela recebesse diversos mimos. De início, rosas, cartinhas e um bicho de pelúcia. Depois, todo mundo queria dar algo a Colbie, e ela cansou de pegar papel com recadinhos, cartolina enrolada e até um colar jogado ao palco. A todos, toda sorriso, agradecia e dizia muitos Oh, you’re so sweet.
No final, a cantora falou que a turnê pelo Brasil tinha sido maravilhosa, e Porto Alegre era a despedida. Que por aqui as pessoas conheciam “Midnight Battle” (da novela das 6, na qual Colbie gravou uma participação especial) em outra versão, e cantou uma mais acústica, com jeito de luau. Emendou uma “Killing me softly” que não deixou dúvidas sobre a capacidade de sua voz (em outros shows, havia cantado “Tell him”, também famosa na voz de Lauryn Hill, de quem Colbie já declarou ser grande fã). Finalmente, a tão esperada “Bubbly”. Colbie disse que lançou no My Space uma versão caseira dessa música e que nunca poderia imaginar que, um ano e meio depois, estaria em turnê, e no Brasil, um dos países que mais queria conhecer. A galera vibrou e cantou junto.
No bis, sozinha no palco, rolou “Magic”, voz e violão (com os músicos surpreendendo a cantora e fazendo gestos bizarros de balé, atrás, sem ela ver) e um divertido Jackson 5: “I want you back”, com toda a banda recomposta. Ainda teve dois momentos diferentes e inusitados no show. Uma cena trash em que o baixista entrou de sunguinha escrita Brasil em sua derrière, e quando aceitou um pano azul com o símbolo do Grêmio, provocando comoção nos tricolores e vaia dos colorados. Tadinha, ela se assustou com o barulho e pendurou, cheia de classe, o pano, quase se desculpando por ter deixado alguns tristes. Deve ter pensado: mas me disseram que este time é desta cidade…
Colbie Caillat representou muito bem o papel de namoradinha perfeita ou de melhor amiga dos adolescentes. Ganhou pontos com os grandinhos com sua sensualidade tímida, quase provocando culpa para desejos mais libidinosos. De fato, ela representa a bonitinha, querida e simpática que todos querem bem.
Final de show, uma hora e meia depois, a cantora californiana conseguiu a proeza de agradar às crianças de oito e às senhoras de sessenta anos, e a todo o resto intermediário. Simples assim.
Argumento.net assistiu a Colbie Caillat a convite de Opus Promoções.
Paulo Ricardo Kralik Angelini - Formado em Publicidade e Letras, doutor em literatura brasileira/portuguesa. Professor de Redação e Língua Portuguesa em escolas particulares de Porto Alegre, professor de Literatura na UFRGS e revisor de textos... ou simplesmente alguém que precisa das palavras.
Voltou de Portugal, onde fez estágio de doutoramento em literatura na Universidade de Lisboa, com bolsa CAPES, mas deixou lá boa parte de si.
Editor do site argumento.net, é autor da COLUNA CONTEXTO, atualizada semanalmente aos domingos.
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Fui no show da Colbie aqui em São Paulo e sinceramente, apesar de gostar muito de suas músicas, o show deixou a desejar.
Colbie na maioria das vezes só mexia a cabeça e ficava parada do meio do palco enquanto cantava. Não tem presença de palco tadinha.
Em junho eu fui no show da Joss Stone, sem comparação. Joss é uma diva no palco e conquista todo mundo com seu carisma. No final do show ninguém queria ir embora!
Resumindo: Adoro a Colbie e gostei do seu jeito tímido e voz gostosa em seu show, mas ainda tem que aprender mais antes de sair por outros países sem estar na praia.