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categoria: CENA CRÍTICA

COISAS QUE NINGUÉM ENTENDEU

Acostumadas com as versões acústicas de sucessos em língua inglesa, e talvez impulsionadas pelo meloso hit Coisas que eu sei, da novela da Globo, centenas de pessoas foram conferir Danni Carlos no Teatro do SESI, em Porto Alegre.

Um bom público aguardou com indisfarçável paciência quase hora e meia para receber a estrela da noite, tendo em vista que a banda de percussão Patubatê, participante do louvável projeto Eu faço cultura, abriu o espetáculo. Muitos estranharam a proposta de um show de percussão antes de um espetáculo calminho, acústico. O que ninguém ainda sabia é que a abertura não estava de todo longe da proposta do show.

Danni Carlos entrou em ritmo de guitarras distorcidas e batidas ferozes na bateria. Balançando os cabelos de cor indefinida, algo entre o loiro, o moreno e o ruivo, com um vestido preto casual, tipo uma camisola fashion, a cantora tentou provar, desde o início, que era super rock’n’roll. Olhares indefinidos entre os membros da platéia: quem é essa?, mas ok… esperemos o desenrolar.

Uma a uma, as canções de Danni Carlos destruíram as expectativas de um show calminho. A moça definitivamente estava num espírito Pitty. A doce voz transformou-se em um furioso recital de gritos.

Pouco a pouco, algo nunca (por mim) antes visto ocorre no SESI. Pessoas juntam seus apetrechos e saem no meio do espetáculo. Muitas. Entre as canções (confesso, totalmente desconhecidas por mim) do novo disco, um alento: as confirmadas musiquinhas em inglês, todas numa versão mais pesada, porém várias com bom arranjo, conseguem disfarçar a incômoda sensação gato-por-lebre.

Contudo, sai o bloquinho das músicas em inglês, entram as novas músicas do CD. Nova onda de enfado. E assim foi. Nem mesmo o novo arranjo de Coisas que eu sei consegue animar a platéia, a essas alturas, visivelmente perturbada.

Para mim, porém, muito mais incomodativo do que a barulhenta sessão musical foi ouvir preciosidades do tipo: Eu no meu cio atrasado, Não vai deixar desidratar o nosso amor, O amor estava infeccionado, Porque acabou-se o que era doce e virou sal e outras construções de gosto duvidoso.

Fora isso, a cantora mostrou-se simpática, mas na linha sou-tão-moderna-que-nem-tô-pra-vocês. No palco, Danni esqueceu a letra de Kiss me, derrubou o microfone, trocou a ordem de músicas anunciadas. E ainda teve uma caixa de som que despencou no palco. Assim, um cheiro de amadorismo ficava cada vez mais forte no ar.

O maior erro do show de Danni Carlos, obviamente, é de direção. Não a direção do show em si, mas sim aquela que acreditou que, em um evento como esse, o público tenha ido ao teatro porque conhecia o disco. Talvez nem 30% da platéia conhecesse o disco solo de Danni. O que todos queriam, obviamente, era algo mais próximo dos cds antigos, voz e violão. Muitos nem sabiam da faceta rockeira da cantora, acostumados que estavam com as suas versões para-ouvir-sem-pensar de hits como You gotta be, Like a prayer, Missing, Linger, etc.

Se Danni Carlos tivesse consolidado sua imagem em cima dessa figura que, agora, descobriu-se no palco, nada a comentar sobre o show. Ele seria o reflexo de uma trajetória. Entretanto, excursionar pelo país com um set list recheado de músicas desconhecidas, com uma roupagem pesada e totalmente estranha à platéia, é um grave erro de condução de carreira.

Talvez Danni Carlos devesse esperar um pouco mais para realizar um show como Coisas que eu sei (atenção para o título do show: atrair platéia através do sucesso novelesco). Ou talvez a platéia devesse pensar um pouco antes de ir a um show de Danni Carlos.

Paulo Ricardo Kralik Angelini - Formado em Publicidade e Letras, doutor em literatura brasileira/portuguesa. Professor na Faculdade de Letras/Estudos Literários PUCRS. Editor do site argumento.net, é autor da COLUNA CONTEXTO.
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Comentários

2 comentários para “COISAS QUE NINGUÉM ENTENDEU”

  1. Ontem, 29 de agosto de 2009, em Goiânia, aguardávamos ansiosos para ver o show de Danni Carlos. Eram minha esposa, eu e mais dois casais. Como de praxe chegamos ao clube por volta das 23h (o show deveria começar as 22h30min), pois sabíamos que certamente atrasaria. Atrasou-se muuuuito, começou às 0he30min. Muita bagunça, cerveja quente a coca-cola tinha se acabado e nenhuma banda ou outro cantor para abrir o show. Esperávamos suas baladas conhecidas,não vimos nada disso. O que vimos foi algo como o que acontecera em Porto Alegre, um montão de bagunça, esquecimento de letras e músicas desconhecidas. A platéia foi saindo aos poucos (eu também), nem vi como terminou, mas acredito que deva ter terminado sem ninguém para ver tanta desorganização. Por fim achei que os dias na “Fazenda” tinham abalado a cantora, até a defendi, mas quanta inocência a minha pois depois que li seu texto vi que a Danni Carlos é um fiasco e uma decepção muito grande (pra não dizer enganação).
    Clayton de Almeida
    Professor de Administração

    Posted by Clayton | August 30, 2009, 15:45
  2. Enfim alguém que pensa como eu a respeito dessa amadora…

    O site ja está nos favoritos.
    Beijos, “sor”

    Posted by Fernanda Moreira | January 21, 2010, 23:51

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