Ivo Bender: ”Deveriam ser criados sites que trabalhassem e discutissem dramaturgia”
Ivo Bender é dramaturgo e professor aposentado de Artes Dramáticas na UFRGS. Autor de diversas peças de teatro, muitas delas publicadas em antologias como Teatro escolhido, Nove textos breves para teatro, Trilogia Perversa, Etrenós (também com textos de Carlos Carvalho). Publicou, ainda, O boi dos chifres de ouro, Surpresa de verão, Mulheres mix, entre outros, além de traduções de peças como Fedra, Ifigênia e Tebaida ou Os Irmãos Inimigos, de Jean Racine, com apresentação e notas de Ivo Bender.
Entrevista por Paulo Ricardo Kralik Angelini
Sendo um escritor reconhecido, ainda há insegurança na hora de escrever? Como funciona tua autocrítica?
Ivo Bender: Não tenho a menor insegurança ao começar um novo texto dramático. A minha autocrítica é que é realmente feroz: levo, certas vezes, dias e dias compondo uma simples frase de um diálogo. Depois de pronta a peça, levo muito tempo “enxugando” o texto, cortando aqui, limpando ali até que reste apenas o necessário para que a peça seja compreendida por quem a lê ou por quem a vê encenada.
O que muda no teu dia a dia quando estás no processo de criação de um livro?
Ivo Bender: Fico praticamente trancado em casa e somente saio para apanhar um pouco de sol, ir à lavanderia, ao supermercado. Faço aquelas coisas absolutamente necessárias para sobreviver.
Quais são tuas influências literárias?
Ivo Bender:Todos os bons autores que eu li.
Quais textos que foram encenados mais te emocionaram? Qual a sensação de ver teus personagens ganhando a vida no palco?
Ivo Bender: Muitas encenações de peças de minha autoria me emocionaram. Hoje, isso já é mais raro. O envelhecer te dá uma certa serenidade: sofremos menos e nos alegramos menos também. Já quanto às personagens, é preciso dizer que eles já estão vivos no texto. O ator, durante a encenação, lhes confere um outro tipo de vida, que parece mais real. Mas se o personagem não tem vida enquanto ainda é texto, não há ator que consiga fazê-lo viver.
Quem é a primeira pessoa que lê teu livro? O editor ou alguém próximo?
Ivo Bender: Normalmente é o diretor que está interessado em encenar a peça. O editor vem muito depois: quando a peça já passou pelo olho crítico do público.
Qual a importância de um evento como a Feira do Livro de Porto Alegre?
Ivo Bender: A importância da Feira se atesta pelo público que a frequenta. São milhares de pessoas por ali, rodeadas de livros que até podem nem ser comprados, mas que são vistos. Um dia serão comprados.
Qual a tua opinião sobre sites na internet que estimulam a criação literária e a discussão na rede?
Ivo Bender: Os sites de criação literária são muito importantes, a ponto de revelarem autores que, sem esses sites, talvez jamais escrevessem. No entanto, deveriam ser criados sites que trabalhassem e discutissem dramaturgia. Tem muito texto por aí engavetado, que não sobe aos palcos e não é editado. Um site sobre literatura dramática viria em boa hora.
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Produzido em 2002, às vésperas da Feira do Livro, em um especial do site www.argumento.net de nome “LETRAS DO SUL“, o espaço rebatizado TECE A ESCRITA traz o processo criativo de conhecidos (e novatos, à época) escritores das terras do sul, a relação com a literatura, influências e a internet.
Todas as entrevistas foram concedidas via email.
Paulo Ricardo Kralik Angelini - Formado em Publicidade e Letras, doutor em literatura brasileira/portuguesa. Professor na Faculdade de Letras/Estudos Literários PUCRS. Editor do site argumento.net, é autor da COLUNA CONTEXTO.
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