Reginaldo Faria foi o homenageado da terceira noite do Festival, sendo agraciado com o Troféu Oscarito. Após uma breve apresentação das obras do ator, feita pelos mestres de cerimônia, Renata Boldrini e José Vitor Castiel, Reginaldo subiu ao palco e disse estar muito honrado pelo recebimento desse troféu, já que Oscarito é dos seus grandes ícones do mundo artístico. Fez uma pequena brincadeira com a plateia, dizendo que o troféu era difícil de carregar, tamanha a importância e o peso da obra legada pelo artista.
Mencionou que ficou entre a vida e a morte em função de uma cirurgia realizada e que durante o coma ficou realizando cinema. Falou que apesar de todas as dificuldades encontradas para se fazer cinema, pretende seguir sua jornada e continuar ganhando prêmios, não somente pelo seu repertório destes longos anos de estrada, mas também pelas novas obras a serem produzidas.
O terceiro concorrente de longa-metragem nacional foi CILDO, de Gustavo Rosa de Moura. O filme é um documentário sobre a vida e obra de Cildo Meireles, renomado artista plástico, ganhador do premio Velásquez 2008. A narrativa alterna depoimentos e impressões do artista a respeito de suas instalações exibidas no museu londrino Tate Modern, no período de outubro de 2008 a janeiro de 2009. Por mais impressionantes, inovadoras e polêmicas que possam ser os trabalhos mostrados, tem-se a impressão de que estamos frente a um catálogo guiado pelo artista, que mostra suas obras e discorre, uma a uma, a respeito das intenções e objetivos que pretendia lançar frente a cada instalação. Permeadas pelas obras, o artista ainda desenvolve conceitos e definições sobre elementos das artes plásticas, tais como arte conceitual.
Percebe-se a tentativa de fundir duas linguagens audiovisuais: cinema e artes plásticas. Entretanto, esta fusão fica prejudicada na medida em que o olhar sobre as instalações é dirigido e engessado através de uma câmera, diferentemente de uma exploração in loco, realizada pelos visitantes das instalações, que propicia uma singularização da leitura das obras, razão pela qual o transcorrer da narrativa fica repetitivo e enfadonho ao espectador.
Mesmo sabendo que a função de um festival é veiculação da pluralidade de estilos das produções nacionais, surge o questionamento do porquê da escolha de um documentário tão especifico, em detrimento de alguma outra produção talvez mais universal, diante de uma seleção de 85 obras inscritas para esta edição do Festival.
Como característica positiva, e talvez tenha sido o objetivo da comissão organizadora, a possibilidade que o documentário oferece ao público presente de conhecer mais atentamente as obras deste conceituado artista plástico.
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