Vale ressaltar que o filme, em momento algum, transmite uma sensação de maniqueísmo na condução da trama. As passagens e o roteiro estão muito mais preocupados em transmitir a sensação psicológica do abandono versus proteção, do que exaurir a questão da violência em si. Percebe-se claramente esta intenção nos diálogos entre os pais de Verônica no hospital, cujo marido, vivido por Flávio Migliacio, em uma pequena participação, demonstra total desinteresse pelos assuntos abordados entre mãe e filha. Da mesma forma, como se constata muito mais evidenciado o aspecto melancólico, como de um lobo solitário, do ex-marido de Verônica, o policial interpretado por Marco Ricca, do que sua efetiva participação na corrupção na corporação da qual pertence.
A atuação da Andrea Beltrão, como protagonista, é um dos pontos altos do filme. A atriz consegue, através de sua atuação realista, sem carregar nas tintas, transmitir o sentimento de proteção, zelo, cuidado e carinho que vai se estabelecendo entre estes dois personagens: Verônica e Leandro; cada qual, ao seu modo, abandonado a própria sorte e buscando, um no outro, uma razão e justificativa para continuar vivendo.
Portanto, apesar de trazer elementos um pouco desgastados em virtude desta leva de filmes “denúncia”, a narrativa consegue transpor estas questões sociais e impor ao filme um clima mais intimista e psicológico. A protagonista percebe, pouco a pouco, a presença deste menino como uma oportunidade única para fazer uma guinada em sua vida, até então sem sentido e vazia.Talvez este seja o grande elo de ligação entre a personagem e o grande público, já que dificilmente não surge uma identificação com Verônica e sua luta desesperada em proteger aquele que passou a ser a razão da sua existência.
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