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categoria: 2009

DE AMORES, FUTEBOL E TELEMARKETING

A última tarde da mostra de curtas em competição nacional foi mais fraca do que as duas anteriores.

O TROCO, de André Rolim, aposta na comédia fácil. Um casal decide vingar-se de uma operadora de telemarketing, fazendo-a esperar por longos minutos. Com interpretação exagerada dos atores, o roteiro é um tanto óbvio e o curta, apesar de grande apelo popular, não engrena.

NÃO ME DEIXE EM CASA, de Daniel Aragão, conta a história de um amor adolescente em preto e branco. Apesar de um requinte técnico, com a bela fotografia em preto e branco, a obra se perde em um roteiro confuso, entremeado por capítulos nominados, muitos deles com frases clichês do tipo “Quem ama se isola das crueldades da vida”. O curta também foi prejudicado pela projeção no Palácio, pois o som não estava bom, e alguns diálogos soavam incompreensíveis.

OLHOS DE RESSACA, de Petra Costa, traz um casalzinho com mais de sessentas anos de união estável. A fotografia de Eryk Rocha, filho de Glauber, tenta desvendar o lado não óbvio dos dois. O problema é que, apesar de ser uma bonita história de amor, o curta não chega a empolgar, por conta da especificidade da matéria documental, que interessa mais aos conhecidos do casal do que ao público em geral.

O último filme em exibição foi ERNESTO NO PAÍS DO FUTEBOL, de André Queiroz e Thaís Bologna. Um menino argentino – excelente atuação –, fanático por Maradona, enfrenta a arrogância típica brasileira no que se refere a futebol. As crianças duelam guerras futebolísticas, e tudo pode piorar quando há um grande confronto Brasil X Argentina. Bem produzido, o curta é querido, mas poderia ser genial. Há qualquer coisa que fica pelo caminho. Contudo, há uma cena no meio dos créditos que é impagável.  

Paulo Ricardo Kralik Angelini - Formado em Publicidade e Letras, doutor em literatura brasileira/portuguesa. Professor na Faculdade de Letras/Estudos Literários PUCRS. Editor do site argumento.net, é autor da COLUNA CONTEXTO.
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