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categoria: CINEMA NACIONAL

AINDA ORANGOTANGOS

Ainda Orangotangos
Dentro de meu modesto conhecimento sobre o cinema nacional, não tenho registro algum em memória sobre nenhuma produção rodada 100% em plano-seqüência. Este é o principal atrativo de AINDA ORANGOTANGOS, longa do cineasta Gustavo Spolidoro e ambientado em Porto Alegre. A idéia do filme é contar várias histórias interligadas através da seqüência de fatos, e isso funciona muito bem na tela. A produção do filme foi de uma competência maestral, de modo que não apresenta evidência alguma de que a seqüência sofreu algum corte durante o percurso (e, de fato, não sofreu mesmo), compondo o filme por uma única cena que dura 81 minutos, o tamanho integral da película.
Dividido em pequenas histórias, nas quais a transição é o simples deslocamento dos personagens de um ambiente para outro, sempre perseguidos pela câmera incessante, AINDA ORANGOTANGOS é muito mais interessante do que de fato excelente. Para os porto-alegrenses torna-se ainda mais atrativo pela identificação de paisagens e locais conhecidos da cidade, como o Trensurb, o Mercado Público, o parque Farroupilha (também conhecido como Parque da Redenção) e a Avenida Venâncio Aires, onde um edifício é palco de grande parte da trama. Soma-se a isso a trilha sonora, recheada de talentos e sucessos locais. Ainda assim, nenhum desses fatores deixa o filme bairrista, tornando-o acessível pra qualquer platéia.
AINDA ORANGOTANGOS não poderia ter recebido título melhor, retratando, através de suas pequenas histórias, ações e reações de pessoas comuns frente a situações, tanto cotidianas quanto inusitadas. Há histórias que enchem a tela de tensão (como a dos japoneses no trem), divertem (como a do ônibus, que além de tudo é didática e explica a origem curiosa do termo gaúcho Tri), entediam (como a cena sem fim do casal bêbado jogado no chão do apartamento) e debocham da sociedade (como a da festa de 15 anos), só para citar alguns exemplos – o restante é melhor deixar como surpresa, pois, AINDA ORANGOTANGOS é um filme no mínimo merecedor de uma parcela de atenção por parte dos admiradores da sétima arte, não só pela inovação da construção, mas pela abordagem em termos de roteiro, diálogos e simplicidade da produção. E ainda há quem diga que não é possível se fazer filmes bons no Brasil com baixo orçamento.

Mauricio Costa - É freak de computador, se aventura como DJ e é fã de cinema, séries e música, sobretudo a brasileira. Blog: "MAU NA FOTO",
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Comentários

Um comentário para “AINDA ORANGOTANGOS”

  1. Filme muito ruim. Não sei como alguém pode colocar a técnica na frente da história e do conteúdo, o filme é vazio e bobo.
    Quem quer fazer experimentos que faça com seu dinheiro, não com financiamento público.

    Não gostei mesmo.

    Posted by Carlos Sampaio | September 8, 2008, 18:21

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