PERRO COME PERRO, representante da Colômbia no Festival de Cinema de Gramado de 2008, foi uma excelente surpresa, desde o roteiro, com ares de Tarantino, passando pela excelente atuação do elenco e chegando à ótima fotografia, com um filtro meio amarelado. O filme de Carlos Moreno (kikito de melhor diretor) tem cara de boa bilheteria. Conta a história do submundo do crime colombiano, quando Victor (o ótimo Marlon Moreno, kikito de melhor ator), um bandidão, rouba de outro e faz jogo duplo. Uma série de acontecimentos faz com que o tal bandido – a platéia torce para ele – esteja prestes a sair ileso da falcatrua. Só que outros bandidos e um inusitado homem que telefona equivocadamente ao quarto de hotel de Victor atrás de uma tal de Adela (o que resulta numa ótima piada dentro do filme) querem estragar os planos do larápio.
A degradação dos personagens é metáfora óbvia aos vira-latas que aparecem durante todo o filme, seja latindo, seja babando na tela. Ao final, exauridos, os bandidos seguem tentando passar a perna um no outro, enquanto os cães se atacam e reviram os lixos.
Ótimos enquadramentos, excelentes seqüências de ação com câmera nervosa e produção bem-acabada fazem de PERRO COME PERRO uma produção que merece, com certeza, lançamento comercial no Brasil. PERRO recebeu ainda mais dois importantes prêmios em Gramado: melhor filme segundo a crítica e melhor fotografia (para o excelente trabalho com filtros e tonalidades quentes, acentuando o clima claustrofóbico e de calor).
Paulo Ricardo Kralik Angelini - Formado em Publicidade e Letras, doutor em literatura brasileira/portuguesa. Professor na Faculdade de Letras/Estudos Literários PUCRS. Editor do site argumento.net, é autor da COLUNA CONTEXTO.
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