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categoria: CINEMA LATINO

EL REGALO

O cinema chileno não faz muito sucesso no Brasil, infelizmente. São poucas as obras que por aqui aterrissam. Gostei de MACHUCA, ainda que seja por vezes panfletário. E teve aquele novelesco, SEXO CON AMOR, megassucesso no Chile, que depois virou remake e filme brasileiro  Bueno, uma vez em Santiago, vamos aproveitar e descobrir o novo cinema chileno.

 

Estava em cartaz o novo queridinho das plateias chilenas: EL REGALO. A história é batidinha, a saber: Francisco (Nelson Villagra, muito bom ator), viúvo septuagenário, desiludido com a aposentadoria e sentindo-se deprimido, recebe de presente de seus amigos Tito (Julio Jung, famoso comediante no Chile) e Pacheco (Jaime Vadell) uma excursão ao norte chileno, no belo cenário das termas de Chillán. É claro que os amigos chamam, também, uma antiga namorada de Francisco, a ainda virgem Lucy (Gloria Münchmeyer), para que uma temporada de amor tire a carranca do ex-professor de Física.

 

O detalhe é que Francisco anda, há alguns dias, tentando se matar, sem sucesso. Ao saber que a excursão conta com um grupo de idosos, ele fica quase revoltado e detesta a ideia. Mas quando alguém comenta que o lugar é lindo, com muitos precipícios, Francisco aceita, cheio de segundas intenções.

 

Dirigido por Cristián Galaz e Andrea Ugalde, é impossível não se divertir com os quiproquós que o filme apresenta. Típica comédia de erros, EL REGALO é competente na direção de atores, e o ponto alto é o elenco. Uma boa chance a bons atores que muitas vezes caem no ostracismo, a película foi acusada de ser um filme de velhos para velhos, mas isso é uma bobagem: o tema é universal.

 

É certo que o roteiro é previsível e repleto de clichês, daqueles a darem uma segunda chance a pessoas desiludidas. Mas os acontecimentos de Francisco, que tenta escapar de Lucy e acaba presa fácil da divertida Carmen (vivida por Delfina Guzman, impagável), além de encontrar outro deprimido, o sexualmente ambíguo Nicolas (Héctor Noguera), garantem bons momentos. Troca de casais, mal-entendidos, confusões, tentativas mal-sucedidas de suicídio e pequenos dramas pessoais fazem a diversão da plateia, que ri muito. O prazer com que o elenco contracena é, de fato, contagiante.

 

Com cara de novelinha, o simpático filme – um dos mais vistos em 2008 aqui no Chile, Prêmio do público de melhor produção chilena no Festival de Valdivia, Três Prêmios no Festival de Viña del Mar (Imprensa Especializada, Júri Jovem e público) – merece ser visto. E o que é o cinema também se não isso: diversão quase ingênua? Resta saber se os brasileiros terão esta chance.

 

 

Paulo Ricardo Kralik Angelini - Formado em Publicidade e Letras, doutor em literatura brasileira/portuguesa. Professor na Faculdade de Letras/Estudos Literários PUCRS. Editor do site argumento.net, é autor da COLUNA CONTEXTO.
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Comentários

Um comentário para “EL REGALO”

  1. Só uma observação, se você estiver se referindo ao filme Histórias Míninas, dirigido por Carlos Sorin, acredito que é um filme argetino.

    Posted by Roger | November 19, 2009, 12:43

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