O tão aguardado musical de Rob Marshall, NINE, carrega nos créditos uma constelação de oscarizados e nominados ao prêmio. Expectativa justificada, ainda mais, pela releitura de 8 e1/2, de Fellini. Talvez seja por tudo isso que o filme acabe transformando-se em uma frustrante experiência.
O roteiro não engrena em nenhum momento. O sotaque italiano de Daniel Day-Lewis, o diretor Guido, em crise criativa, incomoda sobremaneira. Essa ideia de fazer um filme pseudo italiano falado em inglês com sotaque pega carona nesses equívocos linguísticos que permeiam Hollywood.
Bem, mas restavam os números musicais. E eles se apresentam murchinhos, sem graça, pouco divertidos. Penélope Cruz repete seu papel nos últimos filmes: aqui está muito parecida com o de VICK CRISTINA BARCELONA, de Woody Allen, como a amante latina fogosa. Está linda, competente como sempre, mas só. Seu número no tobogã é sonolento. Marion Cotillard confere uma classe ao personagem da mulher de Guido. Nicole Kidman, a diva de Guido, tem uma participação minúscula, mas emblemática, representando um quê de Anita Ekberg em A DOCE VIDA. Seu número musical é bonito, mas o melhor mesmo acaba sendo o de Kate Hudson, a jornalista fã de Guido, com Cinema Italiano, música que concorreu à melhor canção no Globo de Ouro.
Sophia Loren, absolutamente plastificada, como a mãe, e Judi Dench, a figurinista, completam o elenco estelar, que conta ainda com a bela Fergie, do Black Eyed Peas, uma prostituta da infância de Guido.
Levando em conta os envolvidos e o trailer, esperava-se muito mais. NINE não enche os olhos, não emociona, pelo contrário, provoca bocejos e olhadelas ao relógio.
Paulo Ricardo Kralik Angelini - Formado em Publicidade e Letras, doutor em literatura brasileira/portuguesa. Professor na Faculdade de Letras/Estudos Literários PUCRS. Editor do site argumento.net, é autor da COLUNA CONTEXTO.
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