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categoria: CINE EUA

A SINGLE MAN

Pouco conheço o estilista Tom Ford, mas o diretor de cinema que estreia em A SINGLE MAN (com o ridículo título nacional de novela do SBT, DIREITO DE AMAR) imprime muito estilo e elegância em seu filme.

 

A história não é das mais originais: um pacato professor perde o parceiro de anos de relacionamento e tem a sua vida, obviamente, abalada com isso. Contudo, Ford não constrói um drama choroso de alguém que não sabe o que fazer de seus dias. Ao contrário, tece uma narrativa contraditoriamente leve sobre alguém que decidiu o que fazer. Desde cedo, vemos um homem que vai se matar.

 

O filme acompanha um dia na vida do professor George, vivido por Colin Firth. É interessante observar como o ator que fazia o panacão de Bridget Jones ganha um magnetismo até então desconhecido. Lembra um Michael Caine jovem, dos tempos de Alfie. É bem verdade que o professor circula pela sociedade chique de Los Angeles dos anos 60, em um país que temia a pequena Cuba com toda a sua força, em tempos de Guerra Fria. Mas o filme não é sobre a guerra, nem sobre o amor. O filme é sobre pequenos acontecimentos que interrompem o nosso curso natural da vida e nos fazem questionar o que até então trilhamos.

 

Na vida de George, há uma dedicada empregada e uma vizinha, igualmente britânica, ex-affair na juventude, Charley, interpretada por uma belíssima Juliane Moore. Há também um aluno, explicitamente interessado em algo mais com o professor, vivido por Nicholas Hoult, o amiguinho de Hugh Grant em ABOUT A BOY. Assim, o professor prepara-se para seu último dia, ainda sem saber que há uma série de acontecimentos que podem modificá-lo.

 

O tema é tratado com extrema delicadeza pelo diretor mas, antes de tudo, há um capricho visual na obra que mostra a marca de Tom Ford. O apuro fotográfico – as belas cenas em preto e branco e dentro d’água –, o figurino (a forma de se vestir do metódico professor também conta a história), a trilha, é tudo de uma elegância que nunca exagera. Talvez a obra pareça, em alguns momentos, por conta disso tudo, quase asséptica. É quando entra a bela interpretação de Colin Firth, indicado ao Oscar pelo papel, e de seus coadjuvantes de luxo, em especial a sempre ótima Juliana Moore (concorreu ao Globo de Ouro de coadjuvante pelo papel), que mostra como nossos supostos verdadeiros amigos podem revelar-se ácidos e egoístas quando mais precisamos. E é quando surge o inesperado e belo final, que beira a poesia, e fecha com dignidade essa história tristemente bonita de se ver. 

 

 

Paulo Ricardo Kralik Angelini - Formado em Publicidade e Letras, doutor em literatura brasileira/portuguesa. Professor na Faculdade de Letras/Estudos Literários PUCRS. Editor do site argumento.net, é autor da COLUNA CONTEXTO.
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