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categoria: CINEUROPA

HUMOR GERMÂNICO

Nos últimos anos, o cinema alemão tem mostrado seu crescimento com obras interessantíssimas como GOODBYE LENIN, EDUKATORS, A QUEDA, A VIDA DOS OUTROS.
Porém, diferentemente do viés político que a maioria dos filmes de repercussão internacional possui, TODOS CONTRA ZUCKER aposta apenas na comédia de costumes.

Pegando carona na destruição de mitos, a obra trabalha com o estereótipo, por vezes apostando num humor que a nós parece por demais ingênuo. TODOS CONTRA ZUCKER conta uma história de reconciliação: o irmão capitalista que foi para Frankfurt com a mãe e enriqueceu, e o outro que ficou em Berlim e nunca se acostumou com a ocidentalização da Alemanha. Entre os dois e suas bizarras famílias respectivas, há um conflito instaurado a partir da morte da matriarca: ambos só teriam direito à herança caso recuperassem a fraternidade perdida com o tempo. E mais, vivenciando o luto ditado pelo judaísmo. O problema é que Zucker nunca se assumiu judeu. Assim, para conquistar o direito a receber a quantia, ele e sua família devem fingir que vivem seguindo os ditames judaicos. Outro problema é que o endividado Zucker encontra-se em meio a uma disputa de sinuca, cuja premiação de 100 mil euros pode ajudar o cinqüentão a sair da crise.

A metáfora óbvia de pacificação entre o lado Ocidental e o Oriental não é muito bem desenvolvida, porque é evidente a sobreposição do humorístico; as cores de comédia pastelão da obra são sintomáticas. Ainda assim, apoiado em bons atores, em especial o protagonista Henry Hübchen, o filme mantém seu nível de interesse sem arranhar a inteligência do espectador. Há cenas realmente engraçadas. Todo o preparativo da família de Zucker para enganar os outros parentes garante boas risadas.

Contudo, a repetição de situações enfraquece um pouco o ritmo da obra, da metade para o seu final. O roteiro deixa a desejar em questões anunciadas, mas nunca resolvidas, como é o caso do conflito envolvendo o lado Frankfurt da família. A esposa comenta, em certo momento, que eles também estão a fingir algo, mas isso nunca é de todo esclarecido, talvez porque realmente não seja relevante para a história. Também o envolvimento entre os primos parece um tanto forçado, o que é agravado com uma das revelações finais, dando um ar meio rocambolesco à obra.

Entretanto, no final das contas, TODOS CONTRA ZUCKER tem um saldo positivo. Com alguns bons diálogos recheados de uma ironia ufanista, recuperando um discurso comunista que soa tanto divertido quanto anacrônico, o filme alemão é um bom passatempo, um prato leve e despretensioso em meio às pesadíssimas refeições alemãs que estamos nos habituando a assistir (e adorar) nas telas.

Paulo Ricardo Kralik Angelini - Formado em Publicidade e Letras, doutor em literatura brasileira/portuguesa. Professor na Faculdade de Letras/Estudos Literários PUCRS. Editor do site argumento.net, é autor da COLUNA CONTEXTO.
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