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categoria: CINEUROPA

CAMPING SAUVAGE

(Camping sauvage, França, 2005)
Direção: Christophe Ali e Nicolas Bonilauri
Com: Isild Le Besco, Denis Lauvant, Pascal Bongard, Yann Trégouett

 

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Um dos primeiros filmes apresentados em pré-estréia em Lisboa, na 7ª Festa do Cinema Francês, que reunia mais de 30 obras, foi CAMPING SAUVAGE.

Reflexo na água. A câmera, parada, mostra uma jovem loura que desliza pelo lago, deitada num colchão de ar azul. É Camille, adolescente de 17 anos que tenta enganar o tédio num camping com a família. Seus pais são carinhosos, e ela responde com estupidez. Namora o cara mais cobiçado do lugar, um barman, mas isso não basta. No acampamento, há a opressão típica da pequenez: todos se cuidam, todos fazem a mesma coisa sempre e ninguém aceita a quebra desse mundinho. Mas ele quebra. Quebra com a chegada de um professor de vela: Blaise, um quarentão feio que deixa Camille encantada. Por mais que ele fuja da voluptuosa jovem, mais enrascado fica.

CAMPING SAUVAGE, segundo longa-metragem da dupla Christophe Ali e Nicolas Bonilauri, passa-se todo entre os pinheiros e o lago, uma bela paisagem que se revela claustrofóbica. Tiram um excelente desempenho da jovem Isild Le Besco, que constrói uma Camille a destilar sensualidade até pelo lóbulo da orelha. Besco mescla sua Lolita com uma neurótica compulsiva. Anda sempre com ar de tédio, lábios carnudos um tanto revirados do nojo de ali estar, com seus mini-shorts de jeans. Desde a primeira cena, sabemos que aquela menina está a entrar em seu inferno pessoal. Ao inverter os papéis, Denis Lauvant faz de seu Blaise um personagem rico, uma espécie de Lobo Mau infantil, a ser seduzido pela Chapeuzinho. E sai-se muito bem; o espectador compadece-se, até certo ponto, com seu envolvimento crescente com a jovem.

Interessante é o núcleo do acampamento, também ele um personagem. Estátuas sentadas em suas cadeirinhas de verão, por baixo de tendas e barracas, a suspirar pelo calor, sem nada para fazer. Mas o grupo inteiro solidariza-se em banir Blaise, pois ele é o forasteiro e, do ponto de vista coletivo, ele é o mau, ele quem seduziu a jovem.

Ainda que pouco original e um tanto previsível (é daquelas histórias que sabemos que bem não acabam), CAMPING SAUVAGE é um belo exercício sobre a destruição da falsa harmonia, o enegrecimento do idílico e sua transformação no pesadelo. Destaque ainda para a bela música. A trilha quase só aparece com Camille, única a tentar lutar contra aquela mediocridade.

Paulo Ricardo Kralik Angelini - Formado em Publicidade e Letras, doutor em literatura brasileira/portuguesa. Professor na Faculdade de Letras/Estudos Literários PUCRS. Editor do site argumento.net, é autor da COLUNA CONTEXTO.
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