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categoria: CINEUROPA

13 – TZAMETI

(13 – TZAMETI, França/Geórgia, 2005)
Direção: Géla Babluani
Com: George Babluani, Pascal Bongard, Aurélien Recoing, Fred Ulysse, Olga Legrand

 

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Basta entrar no site de buscas cinematográficas IMDB para vermos o poder de 13 (TZAMETI). Concorreu em 6 categorias em diferentes festivais, incluindo aí Sundance (Grande Prêmio do Júri) e Veneza (Leão do Futuro), e ganhou TODOS.

O filme de estréia do jovem Gela Babluani (1979), arrisco a dizer, tão logo seja descoberto pelo mundo, especialmente pelos adolescentes cabeças, e se transformará num filme de culto. E não será por acaso.

Sébastien (Gela Babluani, irmão do diretor, em desempenho promissor) é um jovem que faz alguns bicos para sobreviver. Enquanto arruma um telhado em alguma cidade à beira do mar, vê o seu cliente ter um ataque de overdose e morrer. Sem receber o dinheiro do reparo, acaba ouvindo uma conversa da viúva sobre o desaparecimento de uma passagem de trem e do voucher de hospedagem num hotel, onde o falecido receberia uma excelente grana. Casualmente, esses papéis vão parar próximo de Sébastien.

Isso é suficiente para o jovem assumir o lugar do cliente-defunto e descobrir se é fácil pegar essa grana. Entretanto, depois de um série de informações misteriosas, deixadas em cartas e bilhetes a fim de que atingisse o local exato do “evento”, escapando de homens que não sabe ser da polícia, Sébastien acaba chegando numa espécie de clube da morte. E é sem volta.

Pense nisso como uma questão filosófica, diz o seu “patrocinador”. Isso é o jogo do qual ele fará parte. Número 13 da competição. Um dos apostadores ainda diz, desapontado: As coisas já foram melhores… da última vez tínhamos 43…. O público, tal como o protagonista, não sabe bem ao certo o que é essa tal brincadeira, até ver os 13 homens enfileirando-se em círculo, um atrás do outro. A eles é entregue um revólver e apenas uma bala. O mestre de cerimônias (Pascal Bongard, CAMPING SAUVAGE, em ótima atuação) avisa: levantar a arma, girar o tambor… Todos apontam o revólver para a cabeça do adversário da frente. Quando a lâmpada acende, atiram.

Os vivos permanecem no jogo. Apostadores de todos os lugares do mundo reforçam as quantias a serem investidas. Sébastien, e o espectador, mergulham no inferno. A tensão é crescente e quase não conseguimos respirar. A bela fotografia granulada em preto e branco de Tariel Meliava e a música dos Troublemakers acentuam o clima claustrofóbico.

Brilhantemente dirigido, 13 (TZAMETI), fosse um filme hollywoodiano, seria previsível como uma bula de remédios. Mas não. Essa co-produção da França e da Geórgia (ex-URSS) é uma surpresa até o seu final. E o que mais incomoda é que essa espécie de liberdade poética para trabalhar com uma idéia tão absurda, transforma-se em algo absurdamente verossímil. Um pequeno grande filme.

Paulo Ricardo Kralik Angelini - Formado em Publicidade e Letras, doutor em literatura brasileira/portuguesa. Professor na Faculdade de Letras/Estudos Literários PUCRS. Editor do site argumento.net, é autor da COLUNA CONTEXTO.
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Comentários

Um comentário para “13 – TZAMETI”

  1. De fato, pequena obra-prima. O espectador, assim como o personagem principal, é jogado na trama sem saber ao certo o que está acontecendo e as descobertas vão enjaulando-nos em um ambiente opressivo e doentio. A ausência (de diálogos, informações, da trilha mínima, do preto e branco…) é a marca maior que fica impressa em nós ao fim da película. Para uma estréia, é muita coisa.

    Posted by Fabilim | June 20, 2008, 0:36

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