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	<title>Argumento.net &#187; 2007</title>
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	<description>CADA ARGUMENTO NO SEU GALHO</description>
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		<title>TUDO E NADA: O BRANCO DE NACIDO Y CRIADO</title>
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		<pubDate>Sat, 18 Aug 2007 04:01:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Ricardo Kralik Angelini</dc:creator>
				<category><![CDATA[2007]]></category>

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		<description><![CDATA[O que se faz quando todos os sonhos se acabam? É partindo dessa premissa que o diretor Pablo Trapero constrói seu NACIDO Y CRIADO, outro representante da Argentina a concorrer entre os latinos. Trapero é diretor do ótimo FAMÍLIA RODANTE, mas aqui o seu talento não voa muito longe. Não que NACIDO Y CRIADO não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O que se faz quando todos os sonhos se acabam? É partindo dessa premissa que o diretor <strong>Pablo Trapero</strong> constrói seu NACIDO Y CRIADO, outro representante da Argentina a concorrer entre os latinos. Trapero é diretor do ótimo FAMÍLIA RODANTE, mas aqui o seu talento não voa muito longe.</p>
<p>Não que NACIDO Y CRIADO não seja um bom filme. O problema é a previsibilidade e o exagero em que os extremos são tratados. Extremo 1: a feliz e perfeita família de Santiago, digna de comercial de margarina. É bem casado e tem uma linda e esperta filha. Sua casa é lindíssima, tudo muito branco e <em>clean</em>. Tudo compactua para aquela felicidade irritante. Todos bonitos e felizes. Decidem viajar. O óbvio. Um acidente, previsivelmente filmado, acaba com todo o paraíso.<br />
Extremo 2: Santiago está sujo, barbudo, com cicatrizes e vive no gélido sul argentino. Agora o branco vem da ausência de todo e qualquer calor, tanto o afetivo, quanto o climático. Santiago trabalha num aeroporto no fim do mundo e esconde seu passado. Até que a morte da esposa de um colega de Santiago traz à tona todos os sentimentos mal-enterrados.</p>
<p>Apesar de ser uma coletânea de clichês, NACIDO Y CRIADO consegue ter muitos méritos, em especial a excelente atuação de <strong>Guillermo Pfening</strong>. O elenco de apoio também é muito bom, o que aliás é uma constante no cinema argentino. Ainda que o roteiro oscile e derrape em seus próprios exageros, há ótimas cenas e bons diálogos.</p>
<p>NACIDO Y CRIADO não animou a platéia de Gramado, mas teve um bom volume de aplausos.</p>
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		<title>ÉDIPO NO SERTÃO</title>
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		<pubDate>Fri, 17 Aug 2007 04:00:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Ricardo Kralik Angelini</dc:creator>
				<category><![CDATA[2007]]></category>

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		<description><![CDATA[Dizia a divulgação do terceiro longa brasileiro em competição, OLHO DE BOI, dirigido por Hermano Penna, que a obra era uma transposição do mito de Édipo para o sertão. Esse talvez seja, por mais inocente que possa parecer, um dos grandes problemas do filme, já que o conhecimento da tragédia grega traz a previsibilidade à [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto;"><span style="font-size: 8.5pt; color: #000000; font-family: Verdana;">Dizia a divulgação do terceiro longa brasileiro em competição, OLHO DE BOI, dirigido por <strong>Hermano Penna</strong>, que a obra era uma transposição do mito de Édipo para o sertão. Esse talvez seja, por mais inocente que possa parecer, um dos grandes problemas do filme, já que o conhecimento da tragédia grega traz a previsibilidade à tona. Quando iniciam os diálogos entre padrinho e afilhado, comentando sobre um suposto adultério que a mulher do primeiro estaria cometendo com o cunhado, e ambos prometem armar uma tocaia para matar o traidor, começa-se a pensar nos vértices do famoso triângulo grego e adivinha-se o desenrolar da história. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto;"><span style="font-size: 8.5pt; color: #000000; font-family: Verdana;">Apesar disso, OLHO DE BOI é um bom filme. Ainda que os diálogos sejam por demais metafísicos, uma espécie de teorização sobre amor, culpa, paternidade, bem ao estilo que Guimarães Rosa concebeu ao seu fantástico sertanejo Riobaldo, ainda que haja um clima teatralizado que desfocaliza um tanto o filme, a atmosfera proposta por Penna acaba por engrenar, apoiada nas boas atuações dos atores, em especial <strong>Genézio de Barros</strong>, que faz o padrinho. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto;"><span style="font-size: 8.5pt; color: #000000; font-family: Verdana;">O sertão mineiro, aqui neste caso substituído pelas filmagens na aridez do interior paulista, faz parte da história. O mundão Roseano nunca deixa de estar presente, apresentando junto a isso todos os símbolos e signos que se fazem necessários para a obra, a começar pelo mais óbvio, o olho do boi. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto;"><strong><span style="font-size: 8.5pt; color: #000000; font-family: Verdana;">Angelina Muniz</span></strong><span style="font-size: 8.5pt; color: #000000; font-family: Verdana;"> quase não tem chance de mostrar seu talento, mas <strong>Gustavo Machado</strong> revela-se um parceiro à altura de Genézio de Barros. Merecem destaque ainda a excelente trilha sonora, composta por Duofel, e a belíssima fotografia de <strong>Uli Burtin</strong>, explorando muito bem o claro e o escuro. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto;"><span style="font-size: 8.5pt; color: #000000; font-family: Verdana;">OLHO DE BOI não é um filme de fácil degustação, mas por isso mesmo merece ser visto. O último problema é o seu final, quando o roteiro tenta fazer todas as relações possíveis com a obra de <strong>Sófocles</strong>, incluindo aí a clássica cena em que o personagem fura os próprios olhos, o que soa absolutamente forçado no filme de Penna. </span></p>
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		<title>COCALERO: OS BASTIDORES DA CAMPANHA DE EVO MORALES</title>
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		<pubDate>Thu, 16 Aug 2007 03:59:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Ricardo Kralik Angelini</dc:creator>
				<category><![CDATA[2007]]></category>

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		<description><![CDATA[O primeiro concorrente latino do Festival de cinema é argentino, mas trata da campanha eleitoral de Evo Morales, candidato do MAS (Movimento Socialista) que se consagrou presidente da Bolívia. Ainda que em técnicas cinematográficas COCALERO não apresente, na modalidade documentário, nenhuma novidade estilística, Morales revela-se uma figura carismática frente às câmeras e o longa de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto;"><span style="font-size: 8.5pt; color: #000000; font-family: Verdana;">O primeiro concorrente latino do Festival de cinema é argentino, mas trata da campanha eleitoral de <strong>Evo Morales</strong>, candidato do MAS (Movimento Socialista) que se consagrou presidente da Bolívia. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto;"><span style="font-size: 8.5pt; color: #000000; font-family: Verdana;">Ainda que em técnicas cinematográficas COCALERO não apresente, na modalidade documentário, nenhuma novidade estilística, Morales revela-se uma figura carismática frente às câmeras e o longa de <strong>Alejandro Landes</strong>, lento em alguma medida, conseguiu cativar a platéia de Gramado. Para o público brasileiro, aliás, é impressionante o sabor de <em>deja vu</em>, pois as articulações armadas pró e contra Morales lembram, e muito, às que assistimos por aqui quando das primeiras eleições de Lula. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto;"><span style="font-size: 8.5pt; color: #000000; font-family: Verdana;">É a mesma bandeira nacionalista que sacoleja, mostrando a importância de um homem nativo – do povo, indígena – alcançar um posto inimaginável anos atrás. Essa mesma referência serve de base para a oposição, gritando que Morales é um despreparado, semi-analfabeto, etc. Interessante a passagem em Santa Cruz, terra onde Morales registrava os piores índices de popularidade, quando é xingado pelo povo num aeroporto. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto;"><span style="font-size: 8.5pt; color: #000000; font-family: Verdana;">O cerco da mídia também é registrado pela câmera de Landes, que mostra a força de uma jornalista operando em níveis que, por vezes, escapavam de um simples questionamento sobre o projeto do futuro presidente e invadiam a ideologia partidária, indagando, por exemplo, se a Bolívia ficaria repleta de cubanos, como teria se transformado a Venezuela de Chaves. Também é mostrado um comercial sobre o medo que certas pessoas tinham se Morales vencesse, campanha que remete à clássica de <strong>Regina Duarte</strong> mostrando-se amedrontada caso Lula chegasse ao poder. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto;"><span style="font-size: 8.5pt; color: #000000; font-family: Verdana;">Com relação à coca, à folha de coca, é interessante percebermos uma desmitificação da planta. Os nativos e alguns dados de importantes universidades mundiais mostram que, <em>in natura</em>, ela faz bem à saúde. E no caso boliviano, a folha da coca é que move parte da economia da região de onde Evo saiu. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto;"><span style="font-size: 8.5pt; color: #000000; font-family: Verdana;">Polêmico como era de se supor, COCALERO desnuda os bastidores da campanha que levou um descendente de índios ao poder. Destaque também para a pobreza do aparato da campanha, mostrando que muito mais que mídia, Morales contou realmente com seu carisma e com o diferencial de ser <em>do povo</em> para chegar onde chegou. Nunca sendo didático nem completamente parcial, já que deixa bem claro uma possível permanência exagerada de Evo no poder, COCALERO é uma boa aula sobre a História contemporânea da América Latina. </span></p>
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		<title>IDÉIAS CURTAS</title>
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		<pubDate>Thu, 16 Aug 2007 03:52:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Ricardo Kralik Angelini</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Terça-feira de sol e calor em Gramado. Quase 60 adolescentes perambulam pelas ruas da cidade serrana com a curiosidade típica da faixa-etária. São meus conhecidos, todos eles. Mais especificamente, meus alunos do segundo ano do Ensino Médio do Colégio João XXIII, que fazem parte de um projeto de curtas na escola. Eles devem produzir um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Terça-feira de sol e calor em Gramado. Quase 60 adolescentes perambulam pelas ruas da cidade serrana com a curiosidade típica da faixa-etária. São meus conhecidos, todos eles. Mais especificamente, meus alunos do segundo ano do Ensino Médio do Colégio João XXIII, que fazem parte de um projeto de curtas na escola. Eles devem produzir um filme baseado em contos de Machado de Assis neste ano.</p>
<p>Pois bem, estavam essas dúzias de adolescentes por Gramado, como eu dizia, entre chocolates e máquinas digitais em busca de algum semblante conhecido (e até <strong>Tatata Pimentel</strong>, na falta de celebridades maiores, entrou no visor de um deles), aguardando os 4 primeiros curtas da seleção nacional do Festival. A partir deste ano, a mostra é exibida em 3 dias, em programas de 4 ou 5 filmes.</p>
<p>- <em>Paulo, com esses curtas dá vontade de sentar num cantinho e chorar</em>, disse-me uma das minhas alunas, expectativas um tanto frustradas, a qual inclusive pretende estudar cinema na faculdade.</p>
<p>Não posso deixar de concordar com a Bárbara. Os 4 primeiros curtas apresentados no 35º Festival de Cinema de Gramado não apresentaram grandes inovações. O primeiro, muito bem produzido, foi PERTO DE QUALQUER LUGAR. Pop na linguagem, apostava na empatia com o público adolescente. Sorte a produção teve, pois a platéia estava repleta dele, os meus e outros, de outras escolas. Ainda assim, a história da primeira vez sob a ótica de uma menina não empolgou completamente. O bom elenco parece ser de uma geração além da retratada na tela. Não dá para acreditar muito que aquelas meninas tenham seus 15, 16 anos&#8230; Mas isso é um mero detalhe.</p>
<p>O filme começa bem, numa brincadeira quase surrealista pelos andares de um prédio. Entre bobagens típicas da fase, um casal se descobre e transa. A partir daí, PERTO DE QUALQUER LUGAR segue alguns estereótipos básicos: o da menina-apaixonada que fica na eterna espera de um telefonema; o do cara-insensível que some; os conselhos da melhor amiga que, talvez, nutra sentimentos maiores que a amizade, etc. Apoiado numa boa trilha sonora, com fotografia competente, o curta de <strong>Mariana Bastos</strong> ainda assim começa a perder o fôlego, até a previsibilidade da seqüência final. Contudo, a última cena, muito bem filmada, é um alento e injeta um pouco de vida na quase moribunda personagem principal que, embalada na música de um night club, deixa-se envolver pelo ritmo, como quem diz que a vida continua. E é óbvio que continua.</p>
<p>O segundo curta da tarde foi inventivo ao extremo e também ofereceu bons momentos, ainda que o seu final tenha sido por demais auto-referencial. O tão na moda <em>docudrama</em> traz o encontro de um estudante com Valter José, um ser complexo, diretor de vídeos pornôs e pós-doutorando em filosofia na USP. A grande sacada do filme é a utilização apenas do áudio do encontro entre Valter e uma prostituta, enquanto o tal aluno o aguarda. Filmado quase todo num plano-seqüência, A PSICOSE DE VALTER é um exercício estiloso que acaba por se perder em suas próprias pretensões.</p>
<p>O terceiro da tarde foi OFICINA PERDIZ, simplório curta-metragem que só tem interesse pela figura sensacional de Perdiz, proprietário de uma oficina mecânica situada em local irregular, em Brasília, oficina essa que ainda funciona como espaço teatral. Por demais televisivo, OFICINA PERDIZ não traz nenhuma inovação e só se sustenta pelo carisma do personagem documentado, ainda que apenas isso não seja suficiente para garantir um bom programa.</p>
<p>Para fechar a tarde, se o primeiro filme exibido falava sobre sexo e sentimento do ponto de vista de uma menina, em BALADA DO VAMPIRO é a visão masculina sobre sexo que entra em jogo. Uma visão tarada, machista e poética, surgida a partir do texto de <strong>Dalton Trevisan</strong> em seus contos que se passam em Curitiba. É um desfile de mulheres (<em>mas só tinha mulher feia, sor</em>, ainda me disse um aluno depois) em trajes sensuais – ou nem tanto –, com narração em off desse vampiro canalha que funciona melhor na literatura, ainda que o curta tenha seus bons momentos.</p>
<p>O fim da primeira sessão deixou um ar de frustração. Se bem me lembro dos bons tempos de Festival de Cinema de Gramado, eram sempre os curtas que mereciam os maiores destaques. Esperemos pelos próximos!</p>
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		<title>PRIMEIRA NOITE: CASTELAR E VALSA</title>
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		<pubDate>Wed, 15 Aug 2007 03:58:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Ricardo Kralik Angelini</dc:creator>
				<category><![CDATA[2007]]></category>

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		<description><![CDATA[- Entendeste alguma coisa? - Nada&#8230; Que filme complicado&#8230; - É sempre assim. Eu nunca entendo esses filmes brasileiros do festival. Sempre muito chatos&#8230; - E a gente todo ano está aqui   O diálogo acima é reproduzido a partir da conversa de duas distintas senhoras, sentadas na platéia do Palácio dos Festivais, no dia [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto;"><span style="font-size: 8.5pt; color: #000000; font-family: Verdana;">- <em>Entendeste alguma coisa?</em><br />
- <em>Nada&#8230; Que filme complicado&#8230;</em><br />
- <em>É sempre assim. Eu nunca entendo esses filmes brasileiros do festival. Sempre muito chatos&#8230;</em><br />
- <em>E a gente todo ano está aqui</em></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto;"><span style="font-size: 8.5pt; color: #000000; font-family: Verdana;">O diálogo acima é reproduzido a partir da conversa de duas distintas senhoras, sentadas na platéia do Palácio dos Festivais, no dia da abertura do 35º Festival de Cinema de Gramado, logo após a exibição de CASTELAR E NELSON DANTAS NO PAÍS DOS GENERAIS. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto;"><span style="font-size: 8.5pt; color: #000000; font-family: Verdana;">As distintas senhoras e 80% da platéia viu e, provavelmente, não entendeu o filme de <strong>Carlos Prates</strong>, diretor amplamente premiado em Gramado em anos anteriores com CABARET MINEIRO e NOITES DO SERTÃO. Digo 80% &#8211; ok, talvez 90% &#8211; porque os aplausos foram tão tímidos, mas tão tímidos, que se podia contar na palma da mão quem estava aplaudindo. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto;"><span style="font-size: 8.5pt; color: #000000; font-family: Verdana;">Não que o filme seja complicadíssimo; é justamente a simplicidade que traz o estranhamento à obra. CASTELAR&#8230; é uma colagem de filmes produzidos no sertão mineiro durante o período da ditadura militar. Trechos de obras de <strong>Joaquim Pedro</strong>, <strong>Andrea Tonacci</strong>, <strong>Alberto Graça</strong>, <strong>Carlos Prates</strong> e <strong>Schubert Magalhães</strong> compõem uma sinfonia animada, entre a pornochanchada e o cinema político, sempre provocativo. O problema é que o produto final é pouco palatável para o público em geral, ocasionando bocejos em grande parte da platéia que assistia à obra. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto;"><span style="font-size: 8.5pt; color: #000000; font-family: Verdana;">A participação do elenco, que faz pequenos comentários, também não ajuda muito, já que, por vezes, os diálogos são herméticos, ainda que combinem com a doidice das imagens editadas na tela. Certamente CASTELAR receberá algum kikito, pelo tom documental do projeto, talvez em montagem. As senhoras distintas não gostaram do filme, mas concordariam que a edição é excelente. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto;"><span style="font-size: 8.5pt; color: #000000; font-family: Verdana;">O segundo filme da noite provocou reação oposta na platéia, sendo muito aplaudido, até ovacionado com gritinhos e assobios. Era VALSA PARA BRUNO STEIN, cinemão gaúcho dirigido por <strong>Paulo Nascimento</strong>, baseado na obra homônima de <strong>Charles Kiefer</strong>. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto;"><strong><span style="font-size: 8.5pt; color: #000000; font-family: Verdana;">Walmor Chagas</span></strong><span style="font-size: 8.5pt; color: #000000; font-family: Verdana;"> interpreta o personagem principal, dono de uma pequena olaria e também escultor, que vive no meio do nada com a mulher. Nesta casa, vivem(?) a nora e as três netas (ainda que duas delas entram mudas e saem caladas do filme). Entre silêncios e o nascer do tédio, Bruno Stein e Valéria, a nora, interpretada por <strong>Ingra Liberato</strong>, começam a desenvolver uma paixão proibida. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto;"><span style="font-size: 8.5pt; color: #000000; font-family: Verdana;">Todos os elementos de um cinema comercial estão aqui expostos, muitos deles de forma bem competente: um elenco conhecido que desamarra os nós de um drama familiar incestuoso, uma fotografia amarelada que explora muito bem a bela paisagem gaúcha, uma trilha sonora agradável, coadjuvantes que roubam a cena – caso de <strong>Sirmar Antunes</strong>, que faz um trabalhador mau-humorado bastante divertido. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto;"><span style="font-size: 8.5pt; color: #000000; font-family: Verdana;">A fotografia, aliás, juntamente com a direção, produzindo diversas cenas de personagens na varanda do casarão, lembra aqueles filmes norte-americanos ambientados no sul dos Estados Unidos, nos quais a própria natureza da região integra a obra. A trilha reforça essa idéia. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto;"><span style="font-size: 8.5pt; color: #000000; font-family: Verdana;">Se são muitos os méritos, são também vários os problemas, a começar pelo roteiro. Em certa altura, a neta, interpretada por <strong>Fernanda Moro</strong>, que apresenta altos e baixos no filme, diz que está louca para voltar para a cidade, deixando claro que ali é um lugar de férias. A mãe, porém, é questionada sobre por que viver naquele lugar. Morariam as filhas longe da mãe? O próprio material de divulgação do filme diz que todos vivem naquela casa, mas há cenas contraditórias que afirmam uma coisa ou outra. E isso é fundamental para que o público entenda as motivações dos personagens. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto;"><span style="font-size: 8.5pt; color: #000000; font-family: Verdana;">Outro problema são alguns diálogos pouco convincentes, como quando a mãe interrompe um passeio da filha para conversar sobre sexo. Ou quando o drama descamba na mesa da família, sempre gerando discussões óbvias. Também o eixo central do filme, a paixão entre sogro e nora, tem o sentido um pouco esvaziado, tendo em vista os outros tantos dramas que perpassam a história: a chegada do misterioso forasteiro, o pai bêbado do funcionário, a revolta da neta contra o avô, etc. Ressalta-se, ainda, que a excelente <strong>Aracy Esteves</strong> é, mais uma vez, pouco aproveitada numa produção gaúcha (aliás, desde ANAHY ela não recebe um papel de destaque). </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto;"><span style="font-size: 8.5pt; color: #000000; font-family: Verdana;">Os melhores momentos de VALSA ocorrem quando se reúnem os três empregados de Bruno e o patrão, especialmente porque Sirmar Antunes tem bons diálogos e cai como uma luva para esse tipo de personagem. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto;"><span style="font-size: 8.5pt; color: #000000; font-family: Verdana;">VALSA PARA BRUNO STEIN não faz feio no todo, prova disso foi a calorosa recepção que teve quando foi exibido pela primeira vez para a platéia de Gramado. É um filme de boa produção, com bom elenco, que pode levar um bom público aos cinemas. Com relação a kikitos, muitos dizem que Walmor Chagas receberá o seu. </span></p>
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		<title>DOMINGO DE ABERTURA</title>
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		<pubDate>Tue, 14 Aug 2007 03:56:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Ricardo Kralik Angelini</dc:creator>
				<category><![CDATA[2007]]></category>

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		<description><![CDATA[Depois de um ano de ausência, o site argumento.net está de volta ao Festival mais popular e polêmico do Brasil. Popular, obviamente, porque Gramado sempre se esmera para transformar o evento numa atração que arrasta o público ao redor das estrelas convidadas – nem sempre dignas de tal atenção. Neste ano, a cidade de Gramado [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Depois de um ano de ausência, o site argumento.net está de volta ao Festival mais popular e polêmico do Brasil. Popular, obviamente, porque Gramado sempre se esmera para transformar o evento numa atração que arrasta o público ao redor das estrelas convidadas – nem sempre dignas de tal atenção. Neste ano, a cidade de Gramado está ainda mais bonita, com as reformas na Avenida Borges de Medeiros, a principal da cidade, que eliminou boa parte da fiação externa. Está <em>clean</em> e aconchegante.</p>
<p>O festival é polêmico porque por vezes tropeça justamente nessa dicotomia público-cinema, trazendo filmes difíceis para essa platéia mais televisiva que cinemeira. Muitos críticos e cineastas, todos os anos, comentam sobre essa difícil tarefa de satisfazer gregos e troianos. Não raras vezes, na vontade de agradar a este público, os filmes comerciais exibidos são de qualidade duvidosa. A verdade é que, já há algum tempo, os grandes <em>hits</em> do cinema nacional evitam Gramado, já que, apesar de tudo, é um festival com filmes em competição, com júri e etc. Ou seja, um fiasco em premiação e o dito sucesso pode tropeçar na bilheteria. Porém, contraditoriamente, os filmes mais aguardados pela crítica, aqueles que prometem um diferencial de qualidade, também evitam Gramado justamente pela glamorização que o festival carrega. Gritos histéricos não combinam com filme sério. Quer dizer, é realmente difícil montar uma programação.</p>
<p>De qualquer maneira, Gramado inovou em 2007 com uma noite a mais de competição. Serão seis noites competitivas e uma de premiação. Os documentários voltam a concorrer junto com os longas. Os filmes latinos voltam ao horário noturno, e os curtas brasileiros competem em blocos, em três dias da semana, sempre às 17 horas no Palácio dos Festivais.</p>
<p>O domingo inicial de Gramado, diferentemente do que poderíamos imaginar, é calmo. Não há grande aglomeração, não há ainda um número expressivo de atores globais passeando pela cidade, ou seja, os holofotes ficam por conta dos filmes que serão apresentados, o documentário híbrido CASTELAR E NELSON DANTAS NO PAÍS DOS GENERAIS e o gaúcho VALSA PARA BRUNO STEIN, baseado na obra homônima de <strong>Charles Kiefer</strong>.</p>
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