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	<title>Argumento.net &#187; 2003</title>
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	<description>CADA ARGUMENTO NO SEU GALHO</description>
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		<title>PAPO-RÁPIDO COM DIRA PAES EM DOSE DUPLA</title>
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		<pubDate>Mon, 25 Aug 2003 18:12:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Ricardo Kralik Angelini</dc:creator>
				<category><![CDATA[2003]]></category>
		<category><![CDATA[PAPO CULT]]></category>

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		<description><![CDATA[Dira Paes recebeu o kikito de melhor atriz coadjuvante por sua atuação no filme NOITE DE SÃO JOÃO. No último Festival de Gramado, também esteve na tela com o divertido filme exibido fora de competição, CELESTE E ESTRELA, muito aplaudido pela platéia. Por email, Dira contou como foi ganhar o kikito. Argumento: Qual a sensação [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Dira Paes</strong> recebeu o kikito de melhor atriz coadjuvante por sua atuação no filme NOITE DE SÃO JOÃO. No último Festival de Gramado, também esteve na tela com o divertido filme exibido fora de competição, CELESTE E ESTRELA, muito aplaudido pela platéia.<br />
Por email, Dira contou como foi ganhar o kikito.</p>
<p><strong>Argumento:</strong> <em>Qual a sensação de uma atriz jovem e experiente, como tu, receber um kikito em Gramado? O que representa, para ti, esse prêmio?</em><br />
<strong>Dira Paes:</strong> Eu sempre quis ter um Kikito, pois sempre achei essa estatueta linda, além do que um prêmio em Gramado ganha uma dimensão nacional devido a alta popularidade do Festival.</p>
<p><strong>Argumento: </strong><em>Muda alguma coisa no teu trabalho de atriz quando tu és também produtora, como em CELESTE E ESTRELA?</em><br />
<strong>Dira Paes:</strong> Co-produzir um filme ou uma peça teatral é uma maneira de viabilizar a produção dos projetos que você acredita e quer participar, mas durante os ensaios e a filmagem, eu só sou atriz.</p>
<p><strong>Argumento: </strong><em>Tua parceria com a <strong>Betse de Paula</strong> já rendeu dois filmes bem divertidos. Quais as dificuldades – e prazeres – em fazer comédia?</em><br />
<strong>Dira Paes:</strong> A comédia no cinema tem o desafio de manter a piada fresca, pois as repetições entre ensaios e filmagem podem fazer com que você perca a graça, diferente do teatro, que você tem a resposta instantaneamente. A Betse me introduziu à comédia no cinema, esse passo me proporcionou um novo olhar sobre o meu trabalho. O grande prazer é ouvir a gargalhada espontânea do público durante a projeção do filme.</p>
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		<title>FESTA, TIETAGEM, PRÊMIOS E VAIAS</title>
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		<pubDate>Mon, 25 Aug 2003 18:10:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Ricardo Kralik Angelini</dc:creator>
				<category><![CDATA[2003]]></category>

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		<description><![CDATA[Gramado estava diferente nesse ano. Primeiro foi a temperatura, que passou dos trinta graus, dando uma cara à cidade de balneário serrano – galera bebendo cerveja no gargalo, de bermuda e sem camisa. Dias bonitos que geraram frustrações ao pessoal do norte do país, munidos de grossos casacos e ávidos por frio, neblina e, quem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Gramado estava diferente nesse ano. Primeiro foi a temperatura, que passou dos trinta graus, dando uma cara à cidade de balneário serrano – galera bebendo cerveja no gargalo, de bermuda e sem camisa. Dias bonitos que geraram frustrações ao pessoal do norte do país, munidos de grossos casacos e ávidos por frio, neblina e, quem sabe, neve. Estava diferente também pelo assustador comportamento da tietagem. O que antes era uma simpática demonstração de afeto e carinho, agora é quase uma corrida desenfreada atrás de autógrafos, uma competição entre menininhas chatas que se tapeiam – literalmente – por qualquer tipo de rabisco em seus caderninhos. Elas berram, interrompem entrevistas, puxam com força, quase arrancam partes da roupa de quem esteja com um crachá pendurado. Alguns artistas, aqueles que já meio que cansaram dessa brincadeira, mostravam-se preocupados. Uma legião de jornalistas atrás para as entrevistas e uma legião ainda maior de tietes dificultando o trabalho. E não é só isso. Foi comentário geral que a simpática população gramadense está se renovando, e o nível está caindo. As pessoas que antes aplaudiam os artistas que passavam no tapete vermelho da noite oficial, agora, além disso, vaiam quem não for famoso. Vaiam e xingam e soltam ofensas constrangedoras. E a boa educação local sempre foi um ponto forte. Estava diferente, por fim, pela sensação de frustração, de todos que acompanharam o festival, pela safra dos filmes brasileiros. Foi, sem dúvida, a mais fraca dos últimos anos. A votação, e foi o comentário geral, seria para o “menos pior”. E isso é muito triste. Mais triste ainda em comparação com os belos filmes da mostra latina, ponto forte do Festival de Gramado. Os cinco filmes são de qualidade comprovada, premiados em diversos festivais pelo mundo. Já entre os brasileiros, havia três diretores estreando no cinema e um em seu segundo longa. Chance maior de alguns equívocos. Mesmo o experiente Hugo Carvana, do simpático APOLÔNIO BRASIL, não estava em seus momentos mais inspirados, e acabou saindo com apenas um kikito, a legítima consolação num prêmio especial do júri. Falar em premiação é ainda mais complicado. Numa mostra fraca, em que críticos chegaram a votar a proposta da não entrega de um prêmio especial da crítica aos longas de ficção por conta da baixa qualidade, acabam acontecendo “votos de protesto”. Mas mesmo assim, ocorrem surpresas difíceis de entender. Entre os latinos, não houve surpresas pela excelente qualidade de três deles, em especial, que dividiram todos os prêmios, com destaque para LOS LUNES AL SOL, que ganhou quatro prêmios (filme, diretor, ator para Javier Bardem e crítica). O uruguaio CORAZÓN DE FUEGO recebeu dois: especial do júri e júri popular e o belo argentino LUGARES COMUNES o de melhor atriz, para a extraordinária Mercedes Sampietro. Qualquer um desses três poderia levar o prêmio principal. A lamentar, apenas, que o ótimo Federico Luppi, de atuações notáveis nos filmes argentino e uruguaio, tenha saído sem prêmio algum. O problema foi entre os nacionais. DE PASSAGEM é uma obra com sérios problemas de atuação, de roteiro e de montagem. Mesmo assim, é muito bem intencionado, e a maciça premiação confirma uma espécie de protesto: já que todos são ruins, vamos votar naquele que é feito por jovens e retrata a periferia brasileira. Levou os kikitos de melhor filme, diretor, roteiro, ator coadjuvante (para Fábio Nepô, de atuação apenas regular) e prêmio da crítica. Mas os maiores absurdos estavam na exagerada premiação do fraquíssimo NOITE DE SÃO JOÃO, que levou surpreendentes quatro kikitos. Foi vaiado em duas delas. A problemática fotografia recebeu o kikito, na piada da noite. Piada quase superada pela conquista de Marcelo Serrado do prêmio de melhor ator. Serrado está bem e é das poucas coisas positivas na obra, mas ser considerado melhor que Marco Nanini, magistral em APOLÔNIO BRASIL, ou até que Herson Capri e Lima Duarte pelo O PREÇO DA PAZ, é absurdo. Gramado acaba sendo, cada vez mais, um festival desacreditado. Resta torcer para que esse tenha sido apenas um ano ruim na safra competitiva nacional. Ainda mais se recordamos que um ano atrás, o excelente DURVAL DISCOS saía como o grande vencedor da noite, e competia com bons filmes como SEPARAÇÕES e DOIS PERDIDOS NUMA NOITE SUJA. Ainda bem que os documentários brasileiros, cada vez mais, mostram o crescimento da qualidade na área. Todos os quatro são muito bons. Entre os curtas, a mostra não foi tão boa e parelha como a do ano passado, mas bons filmes foram exibidos, entre eles CAROLINA (o grande vencedor da noite), TEMPO DE IRA, NO BAR, ÁGUAS DE ROMANZA, O RESTO É SILÊNCIO e TERMINAL. Entre os filmes da mostra fora de competição, CELESTE E ESTRELA e NARRADORES DE JAVÉ recuperam qualquer sensação de frustração pelo cinema nacional em duas excelentes obras. Que os curtas e os documentários sirvam de inspiração. E que os grandes filmes brasileiros voltem a acreditar no Festival de Gramado, e inscrevam suas obras. Por mais que Gramado insista em surpreender, negativamente, na hora da premiação. Acabou o festival, acabou a tietagem. Três horas depois do final da festa de encerramento, Gramado era a própria cidade fantasma. Uma chuvinha fina caía na madrugada, com cara de mudança de temperatura. Papéis, garrafas e outros lixos atirados pela rua principal, absolutamente vazia. Falta de luz. Poucos carros. Todos estavam dançando nas festas e raves, tentando dar um último beliscão na bunda de algum artista. E em matéria de festa, Gramado é insuperável.</p>
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		<title>OS JURADOS, OS CRÍTICOS E AS ANTAS</title>
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		<pubDate>Sun, 24 Aug 2003 18:07:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Ricardo Kralik Angelini</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Nós somos as antas, evidentemente. Nós do público, que lotamos os cinemas, que pagamos em bilheterias os filmes dignos de serem pagos. Nós, definitivamente, não entendemos nada sobre a sétima arte, temos visões limitadas, superficiais ou talvez apenas gostemos de filmes normais, com histórias, bem fotografados e inteligentes. Não importa. Ao ver como pensa a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nós somos as antas, evidentemente. Nós do público, que lotamos os cinemas, que pagamos em bilheterias os filmes dignos de serem pagos. Nós, definitivamente, não entendemos nada sobre a sétima arte, temos visões limitadas, superficiais ou talvez apenas gostemos de filmes normais, com histórias, bem fotografados e inteligentes.<br />
Não importa. Ao ver como pensa a crítica “especializada” e o júri que parece nela se inspirar, senti que eles só escolhem o diferente para serem diferentes, para dizerem que têm visões mais aprofundadas, mais artísticas. Se um crítico gostasse dos mesmos filmes que nós, normais, e não demonstrasse sequer capacidade de dar um passo adiante em uma interpretação, talvez nem precisassem existir.<br />
Procurei em todos os sites da área que conheço, nas seções de cinema dos principais portais brasileiros, e as matérias sobre o dito “mais importante festival de cinema do país” são descabeçadas e cópias baratas dos releases e materiais de divulgação. Por onde andará a opinião em nossa imprensa? Onde andará algum material que possa acrescentar ao que assistimos nas telas? Será que dependeremos dos jornalistas bêbados que ficaram tirando onda por serem da grande imprensa e se fazendo de grandes conhecedores?<br />
Voltando aos jurados, deve existir outra explicação para a entrega dos prêmios “kikito” do Festival de Cinema de Gramado do que escândalo, burrice, desconhecimento, falcatrua, ou sei lá que outra palavra poderia ter força suficiente para designar o que vi acontecer. Até alguns vitoriosos mostraram-se constrangidos ali no palco, incrédulos, sob intensas (nem tantas como deveriam) e justas vaias.<br />
Lembrei-me do Oscar e de como costumo escrever textos colocando os equívocos que na minha opinião a premiação americana costuma cometer, mas confesso que eles são de ordem subjetiva. Em Gramado ultrapassaram sem dúvida o limite do gosto pessoal e de visão de cinema.<br />
Nos filmes de menor duração, o grande colecionador de kikitos chama-se CAROLINA, um filme bem fraco, quase inexpressivo, onde <strong>Zezé Motta</strong> escreve sem parar em papéis enquanto entram frases sobre a tela contando a vida de <strong>Carolina Maria de Jesus</strong>, uma escritora negra e pobre alimentando seu diário. O tema é interessante e provavelmente até pudesse render uma boa história e um bom filme, mas o que se vê na tela é um grande nada.<br />
Como filme, CAROLINA, curta-metragem em 35mm, é um razoável manifesto contra o preconceito e parece que os jurados levaram em conta o discurso do diretor e líder negro <strong>Jeferson De</strong> na hora de premiá-lo. Anteriormente ele tinha lançado o <em>Dogma Feijoada</em>, que até parecia interessante teoricamente, mas que já em seu filme de estréia – também premiado em Gramado – mostrava sua fraqueza cinematográfica.<br />
Seus filmes são simplistas defesas dos negros. E não me coloquem como exemplos <strong>Spike Lee</strong> ou o QUILOMBO de <strong>Cacá Diegues</strong>, como fez o diretor no palco, porque o realizador americano e o filme de Diegues são interpretados e/ou feitos por negros, mas não são somente manifestos a favor da raça, e sim obras muito bem realizadas e com histórias bem pensadas e contadas. CAROLINA é só um manifesto negro e isso torna seus prêmios, na minha visão, completamente equivocados, tanto que o júri popular evidentemente não escolheu o filme. Isso, é claro, não se deve à suposição do público não gostar de negros, e sim de preferir filmes com histórias, com acertos técnicos e que não sejam simplesmente teses sociais.<br />
Pelo menos temos de admitir que há um critério para a quantidade de prêmios recebidos pelo longa-metragem DE PASSAGEM, de <strong>Ricardo Elias</strong>. O filme, fazendo uma analogia aos curtas-metragens, consegue ser pior do que CAROLINA, já que os curtas neste ano estiveram realmente muito fracos, e os longas pelo menos tiveram dois exemplares bastante superiores aos demais. Um deles era APOLÔNIO BRASIL, de <strong>Hugo Carvana</strong> (o grande injustiçado do ano), e o outro o belíssimo filme paranaense O PREÇO DA PAZ, de <strong>Paulo Morelli</strong>, que pelo menos ganhou o prêmio do júri popular.<br />
DE PASSAGEM é quase a oposição completa ao filme paranaense. Não agradou ao público, tecnicamente é bastante precário – em alguns momentos primário – é mal interpretado, mal dirigido e chato. Evidentemente que estes atributos recorrem a espectadores normais, que gostam de filmes com histórias, estrutura, técnica e não teses sobre a pobreza. Ouvia-se pelos corredores que esta era a resposta à CIDADE DE DEUS e críticas altas à obra de <strong>Fernando Meirelles</strong>. Provavelmente, se o filme que nos representou no Oscar entrasse na disputa deste festival, sairia de mãos abanando, porque é um filme muito bem feito para ser premiado, é cinema da melhor qualidade e parece que é ofensa num festival fazer filmes que agradem ao público, que lotem as salas, que os espectadores fiquem até o final, se emocionem, riam, entrem na história e saiam discutindo empolgados e aplaudindo o cinema nacional.<br />
O que poderá levar Hugo Carvana a colocar seu próximo filme no festival se ele faz um excelente que é ignorado pelo júri? Mais grave foi o preterimento da fantástica trilha sonora do multipremiado <strong>David Tygel</strong>, que fez uma reconstituição de grandes clássicos, rearranjou-os, fez meses de ensaios para os atores cantarem e tocarem com perfeição e perdeu o prêmio de melhor trilha sonora para um filme em que o único destaque musical são as participações de <strong>Borguetinho</strong> (gaiteiro sulista). Este prêmio, pelo menos, revoltou a <strong>Rubens Ewald Filho</strong> enquanto transmitia a cerimônia pela TV Cultura. É um absurdo completo.<br />
A espetacular interpretação de <strong>Marco Nanini</strong> – vivendo o pianista Apolônio Brasil – também foi preterida na premiação por um constrangedor <strong>Marcelo Serrado</strong> no filme gaúcho NOITES DE SÃO JOÃO. Não há subjetividade que resista. Se o kikito ainda fosse destinado a <strong>Herson Capri</strong> ou <strong>José de Abreu</strong> poderíamos entrar na questão da subjetividade. Para Marcelo Serrado cheira a logro, falcatrua.<br />
O mais grave ainda estava por vir. Mesmo com o fotógrafo <strong>Luis Branquinho</strong> tendo feito, junto com <strong>Paulo Morelli</strong> e equipe, de O PREÇO DA PAZ tecnicamente um dos filmes mais magníficos na última década brasileira e com um destaque todo especial à fotografia por sua beleza, riqueza de detalhes e sutilezas, perdeu o prêmio para um filme de visíveis e graves problemas técnicos chamado&#8230; NOITE DE SÃO JOÃO! O próprio fotógrafo do longa-metragem gaúcho admitira dias antes que havia tido problemas no laboratório.<br />
No final da exibição de NOITE DE SÃO JOÃO, o que se comentava entre os técnicos era o que poderia ter acontecido de errado para o filme estar visualmente tão ruim, sendo uma fotografia do renomado <strong>Rodolfo Sanchez</strong>. Só para se ter uma idéia, há diálogos onde uma pessoa fala de dia e outra responde de noite, é inacreditável. Em outra cena – que se passa no meio da madrugada e onde <strong>Fernanda Rodrigues</strong> vai visitar sua avó no quarto – entra sol pela janela. A continuidade de fotografia é de tantos erros que gerou risadas na platéia e dentro da mesma cena muitas vezes via-se alterações terríveis na temperatura de cor da luz.<br />
É de fato tão inacreditável que muitas pessoas comentavam se haveria a possibilidade de consertar tantos problemas antes do filme entrar em cartaz. E esta fotografia, considerada por muitos profissionais presentes como a pior vista em anos, acabou vencendo não só a de O PREÇO DA PAZ, como também a de <strong>Nonato Estrela</strong> por APOLÔNIO BRASIL, em que o consagrado fotógrafo recria com primazia e grande pesquisa as luzes das boates cariocas da década de 60 recheadas de detalhes e primor técnico.<br />
Evidentemente que as vaias surgiram altas, nem tantas quantas deveriam, porque boa parte do público não tem e nem precisa do conhecimento técnico. Atrevo-me a dizer ser este o mais absurdo prêmio que já ouvi falar em qualquer festival de cinema ao longo da história. Não poderia acontecer, o presidente do festival deveria subir ao palco durante a premiação e dizer que se tratava de uma imensa piada.<br />
Enfim, os erros de organização do festival são tolerados com paciência, com vontade de ajudarmos a saná-los visando um melhor festival nas próximas edições. Agora, estes equívocos grosseiros, vergonhosos e incompreensíveis do júri deveriam – depois de corar a organização – servir de base para extensa reflexão, no sentido de que nunca mais, em qualquer hipótese, possam voltar a se repetir. O único detalhe é que não parece haver grande preocupação com isto, e sim de saber quantas atrizes da MALHAÇÃO poderão comparecer na próxima edição do festival.</p>
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<p>Depois que algumas pessoas leram meu texto, deixaram-me claras suas sensações que eu estaria escrevendo mal de CAROLINA, DE PASSAGEM e NOITE DE SÃO JOÃO. Não é nada disso, acho que os filmes são honestos, resultados de grandes esforços coletivos e todos de papéis importantes numa idéia de diversificação de nossa produção cinematográfica.<br />
Não tenho nada contra qualquer um de seus profissionais, até por que o prêmio mais criticado em meu texto (fotografia de longa-metragem) foi justamente para Rodolfo Sanchez, uma pessoa que costumo trabalhar em diversos comerciais e que – além de uma grande pessoa – é um fotógrafo de inequívoca capacidade e talento.</p>
<p> </p>
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<p>&gt;&gt;&gt; LUCAS GONZAGA – <a class="meio" href="mailto:lucas@argumento.net">lucas@argumento.net</a>, editor de comerciais, trabalha na Academia de Filmes. Em Gramado assistiu 8 Longas, 1 média e 55 curtas e já não se lembra da metade deles.</p>
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		<title>SOBRE O FILME &#8220;AMOR DE MÃE&#8221;, DE DENNISON RAMALHO</title>
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		<pubDate>Sun, 24 Aug 2003 18:05:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Ricardo Kralik Angelini</dc:creator>
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		<description><![CDATA[As crônicas de Gramado este ano foram abundantes em notas sobre o incidente no qual o diretor Dennison Ramalho dirigiu-se ao público e a seus colegas de forma violenta e insultuosa. Devido à minha ausência e aos relatos fragmentários que tive, prefiro não opinar sobre o assunto. No entanto, não posso deixar de ceder ao [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>As crônicas de Gramado este ano foram abundantes em notas sobre o incidente no qual o diretor <strong>Dennison Ramalho</strong> dirigiu-se ao público e a seus colegas de forma violenta e insultuosa. Devido à minha ausência e aos relatos fragmentários que tive, prefiro não opinar sobre o assunto. No entanto, não posso deixar de ceder ao senso de justiça que me fez notar a absoluta falta de comentários da imprensa especializada sobre o fato do filme ter sido premiado com o segundo lugar em um festival de filmes de horror no Canadá.<br />
Também não posso deixar de lado a excelente impressão que me causou o seu trabalho no filme &#8220;AMOR SÓ DE MÃE&#8221;, como manifestei em um artigo publicado à época aqui no ARGUMENTO.net. Assim, acho oportuno dividir novamente com os amigos esta pequena nota sobre um grande filme (pelo menos a música do <strong>Flu</strong> foi premiada em Gramado). Polêmicas à parte, o filme é impressionante e merece toda a nossa atenção e o nosso respeito, acima de qualquer incidente, como uma obra sólida e madura.<br />
</em><br />
Não sei quem disse que um crítico <em>&#8220;é alguém que assiste à batalha do alto da montanha e que, depois que ela termina, desce e atira nos feridos&#8221;</em>. Apesar de boa, a frase é mais engraçada do que verdadeira, principalmente quando pensamos que transmitir aos outros as nossas impressões estéticas pode ser uma excelente oportunidade de servir à própria Arte (o que quer que ela seja&#8230;): estimulando a reflexão, divulgando as obras e criando espaço para o debate. Mais do que tudo, dar opinião também é uma forma de expressão, e certamente por isso muitas pessoas (inclusive eu) lêem as críticas de espetáculos aos quais nem pensam em assistir, quase como uma forma substitutiva do show.<br />
Mesmo assim, sempre evitei cuidadosamente poupar os devotados leitores (risos) de minhas opiniões pessoais sobre meus espetáculos favoritos. Em primeiro lugar, porque não tenho competência nem paciência para analisar os aspectos formais da criação alheia, pautando minha visão mais pelo fator emocional. Se a obra me carrega ou não para o seu universo é tudo o que me importa e não há muito a dizer sobre elementos tão pessoais.<br />
Aquilo que emociona alguns nada significa para outros, de modo que prefiro reservar meu tempo para trabalhar minha criação, que é o que tenho. Assim, se pela primeira vez utilizo este espaço para opinar sobre o trabalho de alguém, é porque tenho fortes razões para isso. O nome do filme é AMOR SÓ DE MÃE, e o diretor Dennison Ramalho.<br />
Aqueles um pouco familiarizados com meus textos devem ter imaginado com acerto que não costumo assistir filmes de horror, já que tenho o tenebroso privilégio de conhecer tão profundamente os meandros do Abismo e os Senhores das Trevas. De fato, embora tenha sido aficcionado quando jovem, há muitos anos os filmes sobre demônios e seus adoradores nada me provocam além de indisfarçáveis bocejos. Não há o que se compare ao terror real, à presença indesejada e maligna que se manifesta de repente, à vida que perde o nexo e permite que o impossível aconteça apenas para nos fazer sofrer.<br />
Sem explicação e sem respostas, tropeçamos no Mistério a cada passo, cegos guiando cegos, num labirinto feito para os deuses distraírem o infinito tédio. <em>&#8220;Dancem, marionetes, dancem!&#8221;</em>. Morreremos, é certo, mas o show será bonito.<br />
Isso é o terror&#8230; e se você já sentiu que forças desconhecidas agiam sobre você ou sua vida, então sabe do que eu estou falando. Aliás, caso você não tenha notado, não há ninguém no comando aqui&#8230; estamos à deriva no Tempo e à mercê da História, os ventos da Guerra varrem o planeta e cada um luta como pode, sem maior esperança de glória do que apenas sobreviver.<br />
Por tudo isso, foi com grande surpresa que assisti a AMOR SÓ DE MÃE, e constatei duas coisas muito importantes: primeiro, que o cinema de terror ainda existe; e em segundo lugar, que eu ainda posso ser transportado por um filme desses. O enredo é inspirado em uma música de <strong>Vicente Celestino</strong>, de 1937, rocambolesca e caricata, mais própria para o riso do que para a emoção. O filme, no entanto, possui uma veracidade interior, um ritmo hipnótico que se impõe ao espectador com a força de um sonho mau e que nos arrasta à força para um universo desesperado, incontrolável e sobre o qual só podemos supor que seja a face visível de alguma outra coisa.<br />
A iluminação merece atenção: primorosa e sobrenatural. A edição é impecável, nervosa e límpida ao mesmo tempo. A trilha sonora do músico gaúcho Flu sublinha o clima e é um elemento que contribui ainda mais para o efeito geral do conjunto. Como se não bastasse tudo isso, todos os atores são excelentes, transformando personagens que na música eram rudimentares em seres humanos com profundidade e dimensão trágica.<br />
O efeito geral é como o de uma tragédia grega, avassalador e comovente ao mesmo tempo. A nota mágica, no entanto, ficou por conta da excelente assessoria que o diretor recebeu de <strong>Pai Alex</strong>, que tinha uma terreira no Pavilhão 9 do Carandiru e que, com certeza, entende de demônios como poucos. O altar com o Baphomet, os símbolos mágicos (verdadeiros) nas paredes, os transes, tudo gera uma força simbólica de grande impacto e que o diretor soube aproveitar em toda a sua extensão.<br />
As mensagens subliminares (que não revelarei&#8230;) e os créditos também são parte importante desse pequeno filme que é uma grande obra. Ao final da exibição tive o prazer de parabenizar Dennison, a quem não conhecia, mas, naturalmente, não tive tempo de lhe dizer tudo isso. Assim, pelas páginas do ARGUMENTO.net, presto agora este tributo a um trabalho que merece a nossa atenção e a um artista que merece o nosso respeito.</p>
<p> </p>
<p>AAFF – <a class="meio" href="mailto:aaff@ordemnatural.com.br">aaff@ordemnatural.com.br</a>, perito em Ciências Ocultas, autor de “O Livro dos Demônios – Manual de Identificação de Cada Demônio e as Defesas Necessárias” e “Das Profundezas da Noite – Contos”. Nunca se sabe o que vai dizer a seguir. Webmonster do site <a class="meio" href="http://www.ordemnatural.com.br/" target="_blank">www.ordemnatural.com.br</a> – um espaço libertário sem respostas prontas nem perguntas proibidas, onde a dúvida e a inteligência acasalam com o Mistério. Magia Anarquista. Escreve a coluna “CULTURA PROIBIDA”, todos os sábados, no ARGUMENTO.net.</p>
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		<title>HORTÊNSIA DE PALHA: O PIOR DE GRAMADO 2003</title>
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		<pubDate>Sun, 24 Aug 2003 18:04:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Ricardo Kralik Angelini</dc:creator>
				<category><![CDATA[2003]]></category>

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		<description><![CDATA[Os Editores do Argumento reuniram alguns amigos que estavam presentes no 31° Festival de Gramado, cineastas, jornalistas e curiosos, e perguntaram: quais foram os piores do Festival de Cinema? Com a rápida adesão, instituímos o primeiro ano do disputadíssimo troféu HORTÊNSIA DE PALHA. Confira o resultado e parabéns aos vencedores: Pior Filme: NOITE DE SÃO [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Os Editores do <strong>Argumento</strong> reuniram alguns amigos que estavam presentes no 31° Festival de Gramado, cineastas, jornalistas e curiosos, e perguntaram: quais foram os piores do Festival de Cinema? Com a rápida adesão, instituímos o primeiro ano do disputadíssimo troféu HORTÊNSIA DE PALHA. Confira o resultado e parabéns aos vencedores:</p>
<p><strong>Pior Filme:</strong><br />
NOITE DE SÃO JOÃO, por unanimidade!</p>
<p><strong>Pior Ator:</strong><br />
Marcos Palmeira, DOM</p>
<p><strong>Pior Atriz:</strong><br />
Fernanda Rodrigues, NOITE DE SÃO JOÃO, outra unanimidade.</p>
<p><strong>Pior Ator Coadjuvante:</strong><br />
Luiz Carlos Magalhães, o Padre de NOITE DE SÃO JOÃO. Mais uma unanimidade.</p>
<p><strong>Pior Atriz Coadjuvante:</strong><br />
Figurante de NOITE DE SÃO JOÃO que diz: “Olha a srta. Júlia tá dançando!”</p>
<p><strong>Pior Fotografia</strong><br />
NOITE DE SÃO JOÃO</p>
<p><strong>Pior Roteiro:</strong><br />
NOITE DE SÃO JOÃO, mais uma unanimidade.</p>
<p><strong>Pior Diretor:</strong><br />
Sérgio Silva, NOITE DE SÃO JOÃO</p>
<p><strong>Momento Constrangedor:</strong><br />
Flatulência de Araci Esteves, outra unanimidade. Tinha que dar cadeia: como podem desperdiçar uma atriz desse porte?</p>
<p><strong>Pior Curta:</strong><br />
BALA NA MARCA DO PÊNALTI</p>
<p>NOITE DE SÃO JOÃO foi o grande vencedor da noite, com 8 HORTÊNCIAS DE PALHA.<br />
Também recebemos recadinhos para outras bobagens. Confira!</p>
<p><strong>Atriz Decepção:</strong> Francisca Queiroz, DE PASSAGEM, que entra muda e sai calada.</p>
<p><strong>Ator Decepção:</strong> Antônio Pitanga, APOLÔNIO BRASIL</p>
<p><strong>Prêmio Tô me achando o cara:</strong> Para o padre e o taxista da novela MULHERES APAIXONADAS, <strong>Nicola Siri</strong> e <strong>Paulo Coronato</strong>, com alguns ataques de estrelismo e nada a ver com o cinema</p>
<p><strong>Prêmio Era Melhor ter ficado em casa:</strong> Para o presidente da Assembléia Legislativa do RS, <strong>Vilson Covati</strong>, que não sabia o que estava falando. Ou melhor, lendo. Tropeções no discurso e um Cacá Dieguês afrancesado que vão ficar como o mico do ano.</p>
<p><strong>Prêmio Jabá disfarçado de Homenagem:</strong> Que <strong>Flávia Moraes</strong> tenha entregue uma plaquinha para o grande <strong>Milton Gonçalves</strong>, tudo bem. Mas não precisava dizer: “<em>Agora vamos mostrar um pouco mais do trabalho desse grande ator</em>” e mostrar o trailer de ACQUARIA, o filme de Sandy e Júnior dirigido por ela. O pobre Milton aparece por meio segundo. Ninguém entendeu a cara de pau.</p>
<p><strong>Prêmio Menos:</strong> Menos, <strong>Dennison Ramalho</strong>, menos. Não precisava todo aquele discurso apoteótico. Ganhou a antipatia de uma platéia meio mala mesmo, e acabou o resto do festival com o rabinho entre as pernas.</p>
<p><strong>Prêmio Ai que Medo:</strong> Para <strong>Nívea Maria</strong>, com olhar aterrorizado e meio escondidinha atrás de <strong>Werner Schünemann</strong> quando Dennison pegou o microfone.</p>
<p><strong>Prêmio Fonoaudiologia Urgente:</strong> Para Werner Schünemann, com um sotaque carioca-gaúcho irreconhecível e constantes tropeções nas palavras.</p>
<p><strong>Prêmio Esqueceram de Mim:</strong> Para a auxiliar de figurino do longa CONCERTO CAMPESTRE, em exibição fora de concurso. Na hora de chamarem a equipe na noite de encerramento, foi ela quem salvou a pátria, apesar de ter trabalhado, dizem, por menos de uma semana no filme.</p>
<p><strong>Prêmio Forçou Demais:</strong> Ao jorrar esperma numa fotografia, o ator mirim de JONAS revela-se um dos mais precoces homenzinhos da história do cinema, desafiando a natureza.</p>
<p><strong>Prêmio Nem Precisava ter Vindo:</strong> Para a aparição vapt-vupt da eleita mais mal vestida da festa, <strong>Regina Duarte</strong>, com seu figurino <em>cowboy fora da lei</em>, toda sorrisos, sem medo de ser feliz.</p>
<p><strong>Prêmio De Novo Não:</strong> Para os comerciais que iniciavam todas as sessões, sempre os mesmos, irritantemente os mesmos. O pessoal podia fazer um rodízio, hein?</p>
<p><strong>Prêmio Tô nem Aí:</strong> para <strong>Lucélia Santos</strong>, sempre querida, e suas roupitchas muito recém saí da cama&#8230;</p>
<p><strong>Prêmio Saia Justa:</strong> Para o corpo-a-corpo que a atriz <strong>Paula Picarelli</strong> recebeu de algumas fãs.</p>
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		<title>O MELHOR DE GRAMADO 2003</title>
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		<pubDate>Sun, 24 Aug 2003 18:02:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Ricardo Kralik Angelini</dc:creator>
				<category><![CDATA[2003]]></category>

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		<description><![CDATA[Os Editores do Argumento reuniram alguns amigos que estavam presentes no 31° Festival de Gramado, cineastas, jornalistas e curiosos, e perguntaram: quais foram os melhores do Festival de Cinema? Como em qualquer democracia, muitos dos vitoriosos surpreenderam. Confira o resultado: Melhor Filme: APOLÔNIO BRASIL Melhor Ator: Marco Nanini, APOLÔNIO BRASIL Melhor Atriz: Maria Fernanda Cândido, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Os Editores do Argumento reuniram alguns amigos que estavam presentes no 31° Festival de Gramado, cineastas, jornalistas e curiosos, e perguntaram: quais foram os melhores do Festival de Cinema? Como em qualquer democracia, muitos dos vitoriosos surpreenderam. Confira o resultado: Melhor Filme: APOLÔNIO BRASIL Melhor Ator: Marco Nanini, APOLÔNIO BRASIL Melhor Atriz: Maria Fernanda Cândido, DOM Melhor Ator Coadjuvante: Lima Duarte, O PREÇO DA PAZ Melhor Atriz Coadjuvante: Luciana Braga, DOM Melhor Diretor: Paulo Morelli, O PREÇO DA PAZ Melhor Roteiro: Walter Negrão, O PREÇO DA PAZ Melhor Música: David Tygel, APOLÔNIO BRASIL Melhor Curta: NO BAR Melhor Documentário: O PRISIONEIRO DA GRADE DE FERRO Melhor Longa Latino: LOS LUNES AL SOL Os grandes vencedores foram APOLÔNIO BRASIL e O PREÇO DA PAZ, com três prêmios cada. Prêmios Especiais Nossos colaboradores enviaram recadinhos, no e-mail, para que se premiassem outras categorias, como por exemplo: Melhor Atriz em Curta: Laura Cardoso, NO BAR Melhor Ator em Curta: Valdo Nóbrega, O RESTO É SILÊNCIO Atriz Revelação: Alessandra Verney, APOLÔNIO BRASIL Ator Revelação: Fábio Nepô, DE PASSAGEM E outras bobagens&#8230; Prêmio Guri Gente Boa: José Dumont, sempre simpático, estava com o filme fora de Competição NARRADORES DE JAVÉ Prêmio Guria Gente Boa: Dira Paes, sempre tri-legal, estava com o filme fora de Competição CELESTE E ESTRELA e com o NOITE DE SÃO JOÃO, pelo qual ganhou o kikito. Prêmio Musa: Indiscutível e unânime, Maria Fernanda Cândido. Ela veio, foi, voltou e levou o kikito e uma legião de fãs à loucura. Prêmio Muso: O quarentão Marcos Palmeira ainda agita a tietagem. Uma conhecida jornalista amiga nossa sentou ao seu lado numa das sessões e disse ter ficado hipnotizada com seu perfume. Nem se mexia para disfarçar que estava à vontade. Prêmio Onipresença: Gramado sempre tem aquelas figurinhas que a gente vê em tudo que é sessão, em tudo que é canto. Já levaram esse prêmio, em anos anteriores, as atrizes Ingra Liberato, Thalma de Freitas e Mel Lisboa. Esse ano ficam com o troféus os atores Murilo Rosa e Sílvio Guindane e equipe do filme DE PASSAGEM. Prêmio Casal Vinte: Ano passado foi a vez de Mel Lisboa e Caco Ciocler se curtirem. Esse ano o prêmio vai para Bárbara Paz e seu inseparável Dalton Vigh</p>
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		<title>PAPO RÁPIDO COM MARIA FERNANDA CÂNDIDO</title>
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		<pubDate>Sat, 23 Aug 2003 18:00:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Ricardo Kralik Angelini</dc:creator>
				<category><![CDATA[2003]]></category>
		<category><![CDATA[PAPO CULT]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Camila Menegaz Maria Fernanda Cândido tem 29 anos, é paranaense de Londrina, foi eleita a mulher mais bonita do século XX e, na semana passada, conquistou o Kikito de melhor atriz do Festival de Cinema de Gramado pelo filme DOM, seu primeiro trabalho na &#8220;telona&#8221;. Na história, baseada no livro Dom Casmurro, de Machado [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Por Camila Menegaz</strong></p>
<p><strong>Maria Fernanda Cândido</strong> tem 29 anos, é paranaense de Londrina, foi eleita a mulher mais bonita do século XX e, na semana passada, conquistou o Kikito de melhor atriz do <strong>Festival de Cinema de Gramado</strong> pelo filme DOM, seu primeiro trabalho na &#8220;telona&#8221;. Na história, baseada no livro <em>Dom Casmurro</em>, de <strong>Machado de Assis</strong>, ela vive a personagem <em>Capitu</em>, o grande amor do ciumento Bentinho, interpretado por <strong>Marcos Palmeira</strong>.<br />
Antes de embarcar para uma temporada de dez dias na Europa, Maria Fernanda, que já fez quatro novelas &#8211; <em>Pérola Negra</em> (SBT), <em>Serras Azuis</em> (Band), <em>Terra Nostra</em> e <em>Esperança</em> (Globo) &#8211; uma minissérie – <em>Aquarela do Brasil</em> (Globo), conversou com o <strong>Argumento</strong> sobre sua estréia no cinema.</p>
<p><strong>Argumento:</strong> <em>Fazer cinema era um sonho?</em><br />
<strong>Maria Fernanda:</strong> Minha formação como atriz foi toda feita voltada para o cinema. Eu estudei interpretação para isso durante três anos com a Fátima Toledo e se hoje sou uma atriz, é por causa da minha grande paixão pela sétima arte.<br />
Meu tão esperado encontro com ela demorou um pouco, porém aconteceu na hora certa. Tive a alegria de interpretar essa personagem deslumbrante, a Capitu.</p>
<p><strong>Argumento:</strong> <em>O que representa para sua carreira o Kikito de melhor atriz?</em><br />
<strong>Maria Fernanda:</strong> É mais do que um ponto de chegada, ele representa um ponto de partida para mim, o início de uma história com o cinema brasileiro. Estou extremamente feliz por ter recebido esse prêmio.</p>
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		<title>A NOITE FINAL: PRÊMIOS E VAIAS</title>
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		<pubDate>Sat, 23 Aug 2003 17:59:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Ricardo Kralik Angelini</dc:creator>
				<category><![CDATA[2003]]></category>

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		<description><![CDATA[A noite de encerramento começou cedo, no interminável tapete vermelho, cercado por centenas de pessoas, que aplaudiam e vaiavam como num jogo de futebol. O pessoal queria chegar mais cedo porque, mesmo sendo credenciado, há muitos convidados políticos e autoridades que lotam a sala. Uma hora antes já havia um bom público dentro do Palácio [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A noite de encerramento começou cedo, no interminável tapete vermelho, cercado por centenas de pessoas, que aplaudiam e vaiavam como num jogo de futebol. O pessoal queria chegar mais cedo porque, mesmo sendo credenciado, há muitos convidados políticos e autoridades que lotam a sala. Uma hora antes já havia um bom público dentro do <strong>Palácio dos Festivais</strong>.<br />
O Ministro da Cultura <strong>Gilberto Gil</strong> fez seu discurso, exageradamente longo mas que atraiu a atenção da platéia. <strong>Werner Schünemann</strong> e <strong>Mariana Ximenez</strong> foram os mestres de cerimônia.<br />
<strong>Mauro Mendonça Filho</strong> foi o primeiro convidado a anunciar alguns vitoriosos. Não deixou de alfinetar <strong>Luana Piovanni</strong> e a gafe do ano passado de <em>filme em 36mm</em>. Quem entendeu, riu.<br />
CAROLINA, do diretor gente boa <strong>Jefferson De</strong>, recebeu os principais prêmios: Filme, fotografia, Crítica (e ainda de acervo, pelo Canal Brasil). <strong>Zezé Motta</strong>, de atuação irrepreensível, perdeu para <strong>Dedina Bernadelli</strong>, de JONAS, que foi o azarão da noite e venceu as favoritas Zezé e <strong>Laura Cardoso</strong>. O primeiro grande crime da festa.<br />
JONAS ainda recebeu o merecido kikito de direção de arte. O polêmico AMOR SÓ DE MÃE levou o kikito de música (<strong>4Nazzo &amp; Flu</strong>) e montagem. O divertido NO BAR levou o óbvio júri popular e o de direção. O RESTO É SILÊNCIO ficou com prêmio de roteiro para o tarimbado <strong>Paulo Halm</strong> e de ator, para <strong>Valdo Nóbrega</strong>. TERMINAL, uma animação excelente, ficou com prêmio especial do júri.<br />
<strong>Regina Duarte</strong>, sem medo e bem pertinho do Gil, <strong>Maria Fernanda Cândido</strong>, <strong>Marcos Palmeira</strong>, <strong>José Wilker</strong>, <strong>Betty Faria</strong> e o próprio <strong>Gilberto Gil</strong>, entregaram os outros prêmios da noite.<br />
Entre os latinos, não houve surpresas pela excelente qualidade de três deles, em especial, que dividiram todos os prêmios, com destaque para LOS LUNES AL SOL, que ganhou quatro kikitos (filme, diretor, ator para <strong>Javier Bardem</strong> e crítica).<br />
O uruguaio CORAZÓN DE FUEGO recebeu dois: especial do júri e júri popular e o belo argentino LUGARES COMUNES, o de melhor atriz, para a extraordinária <strong>Mercedes Sampietro</strong>. Qualquer um desses três poderia levar o prêmio principal.<br />
A lamentar, apenas, que o ótimo <strong>Federico Luppi</strong>, de atuações notáveis nos filmes argentino e uruguaio, tenha saído sem prêmio algum.<br />
Gramado surpreendeu um pouquinho entre os documentários. Todos os quatro eram de excelente qualidade, mas O PRISIONEIRO DA GRADE DE FERRO era o favorito. Levou apenas o kikito da crítica, de forma avassaladora. À MARGEM DA IMAGEM foi o melhor filme e O RISCO, LÚCIO COSTA E A UTOPIA MODERMA o kikito especial do júri.<br />
Tragédia mesmo veio na entrega dos kikitos principais da noite. <strong>Marcelo Serrado</strong>, que tem boa atuação no fraquíssimo NOITE DE SÃO JOÃO, bateu o excelente e favorito <strong>Marco Nanini</strong>, e os que corriam por fora, <strong>Lima Duarte</strong>, <strong>Herson Capri</strong> e <strong>Silvio Guindane</strong>. Betty Faria chegou a exclamar: <em>E é uma surpresa mesmo&#8230;</em> ao anunciar o nome de Serrado, que foi vaiado, menos por ele, mais por Nanini. Segundo crime da festa.<br />
NOITE DE SÃO JOÃO ainda levou outra vaia, pelo inacreditável prêmio de fotografia, em outro crime, já que se há méritos em O PREÇO DA PAZ é a magnífica – se bem que nada original &#8211; fotografia. <strong>Dira Paes</strong>, uma das atrizes mais queridas de Gramado, levou o kikito de atriz coadjuvante. Dira merece, não por esse filme, em que pouco pôde fazer. De qualquer maneira, foi um prêmio bastante aplaudido. <strong>Maria Fernanda Cândido</strong> era a aposta certa da noite, menos por seu talento e mais pela absoluta falta de concorrência. Apenas a fraquíssima <strong>Fernanda Rodrigues</strong>, de NOITE DE SÃO JOÃO, no caminho, já que o papel de <strong>Giulia Gam</strong> no épico O PREÇO DA PAZ é coadjuvante. Aliás, Giulia merecia o kikito pelo menos nessa categoria.<br />
Wilker, amigo de Cândido, ainda disse um <em>merecidamente</em> na hora de anunciar o nome da brasileira mais bonita do século, pra dar mais uma força. Maria Fernanda dá vitalidade para a sua Capitu, mas não alcança momentos dramáticos de modo satisfatório. Desconta-se, é claro, o fraco roteiro de DOM, com diálogos absurdamente mal escritos para quem é tão bom no teatro (<strong>Moacyr Góes</strong>).<br />
Ator coadjuvante, outra surpresa. <strong>Fábio Nepô</strong>, de atuação regular em DE PASSAGEM, levou o kikito. Emocionou-se e emocionou a platéia. DE PASSAGEM foi o grande vitorioso, recebendo os principais kikitos, melhor filme, diretor, roteiro e crítica. O júri premiou a equipe mais jovem, num ato quase de protesto pela baixa qualidade desse ano. Mas, com certeza, era a equipe mais disponível e simpática da semana festivaleira.<br />
APOLÔNIO BRASIL, de <strong>Hugo Carvana</strong>, foi o grande perdedor do festival. Ganhou apenas um kikito, de consolação, prêmio especial do júri. Merecia o de ator e o de música, mas não levou. Música ficou com NOITE DE SÃO JOÃO.<br />
O PREÇO DA PAZ, de méritos técnicos incontestáveis, ganhou os kikitos de direção de arte (um dos mais óbvios) e de montagem. E recebeu um terceiro, esse dos mais cobiçados, o do júri popular, prova que o filme responde bem ao público.<br />
Acabou o festival, acabou a tietagem. Três horas depois do final da festa de encerramento, Gramado era a própria cidade fantasma. Uma chuvinha fina caía na madrugada, com cara de mudança de temperatura. Papéis, garrafas e outros lixos atirados pela rua principal, absolutamente vazia. Falta de luz. Poucos carros. Todos estavam dançando nas festas e raves, tentando dar um último beliscão na bunda de algum artista. E em matéria de festa, Gramado é insuperável.</p>
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		<title>FALANDO EM FAVORITOS</title>
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		<pubDate>Sat, 23 Aug 2003 17:58:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Ricardo Kralik Angelini</dc:creator>
				<category><![CDATA[2003]]></category>

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		<description><![CDATA[Vamos brincar de adivinhos? Nossos palpites para os principais prêmios da noite de encerramento do Festival de Gramado. O PREÇO DA PAZ deve levar quase todos os kikitos técnicos: fotografia, direção de arte, edição. Pode levar também melhor direção e, quem sabe, melhor filme. E júri popular. Maria Fernanda Cândido, por DOM, é a favorita [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Vamos brincar de adivinhos?<br />
Nossos palpites para os principais prêmios da noite de encerramento do Festival de Gramado.<br />
O PREÇO DA PAZ deve levar quase todos os kikitos técnicos: fotografia, direção de arte, edição. Pode levar também melhor direção e, quem sabe, melhor filme. E júri popular.<br />
<strong>Maria Fernanda Cândido</strong>, por DOM, é a favorita de melhor atriz, por quase falta de concorrência. Mas <strong>Giulia Gam</strong>, mesmo coadjuvante em O PREÇO DA PAZ, tem um papel forte e pode surpreender. Rezemos!<br />
Melhor ator deve ficar com <strong>Marco Nanini</strong>, por APOLÔNIO BRASIL. Mas <strong>Lima Duarte</strong> e <strong>Herson Capri</strong>, que estão presentes aqui, também podem mordiscar o kikito.<br />
<strong>Luciana Braga</strong> seria uma boa pedida de atriz coadjuvante por DOM. <strong>Dira Paes</strong>, que está no fraquíssimo NOITES DE SÃO JOÃO, pode também ganhar o único kikito para o filme gaúcho. <strong>Bruno Garcia</strong> pode levar o de ator coadjuvante, ou então um dos principais de O PREÇO DA PAZ pode levar esse prêmio.<br />
APOLÔNIO BRASIL deve levar também melhor música, mas como <strong>David Tygel</strong> tem uma coleção de kikitos, incluindo no ano passado por DOIS PERDIDOS NUMA NOITE SUJA, o prêmio pode ficar com O PREÇO DA PAZ . DE PASSAGEM deve levar algum prêmio especial do júri ou algum técnico. <strong>Sílvio Guindane</strong> é muito querido pelos artistas, e pode surpreender.<br />
Entre os latinos, CORAZÓN DE FUEGO, do Uruguai, deve levar o júri popular e, talvez, o de ator. <strong>Federico Luppi</strong> é aposta certa, ou sozinho pelo argentino LUGARES COMUNES, ou em conjunto pelo uruguaio. Mas <strong>Javier Bardem</strong> está bem credenciado. <strong>Mercedes Sampietro</strong>, do longa argentino, merece disparado o de melhor atriz, mas a mexicana <strong>Mayra Serbulo</strong>, de CUENTOS DE HADAS&#8230; está em Gramado, e pode complicar, ou levar o de coadjuvante. Para roteiro não há favoritos. Melhor filme, deve ser o espanhol ou o argentino.<br />
<strong>Chico Diaz</strong>, do português A SELVA, pode levar o de ator coadjuvante. A SELVA pode levar algum outro prêmio técnico, como montagem. Fotografia deve ficar com o mexicano ou com o uruguaio.<br />
Entre os curtas, <strong>Laura Cardoso</strong> e <strong>Zezé Motta</strong> bem que poderiam dividir o prêmio. Mas <strong>Marcélia Cartaxo</strong> é sempre um nome de destaque. Entre os homens, não há favoritos, mas o ator de O RESTO É SILÊNCIO recebeu alguns prêmios em outros festivais. E o gaúcho <strong>Roberto Oliveira</strong> pode surpreender.<br />
NO BAR, O RESTO É SILÊNCIO e TEMPO DE IRA podem levar o de melhor filme. NO BAR deve levar o de júri popular. Fotografia deve ficar para ÁGUAS DE ROMANZA ou TEMPO DE IRA.<br />
Nos documentários, PRISIONEIRO DA GRADE DE FERRO tem uma leve vantagem.<br />
Mas como Gramado é Gramado, nunca se sabe. Tudo pode acontecer. Aguardemos!</p>
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		<title>CENAS DO QUINTO DIA</title>
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		<pubDate>Fri, 22 Aug 2003 17:54:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Ricardo Kralik Angelini</dc:creator>
				<category><![CDATA[2003]]></category>

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		<description><![CDATA[OS TRÊS VELHINHOS A última noite de competição revela, pela primeira vez, o clima de Gramado. O frio aumentou e uma neblina sob encomenda enfeita a noite serrana. Werner Schünemann e Daniela Escobar iniciam a noite chamando o curta O RESTO É SILÊNCIO, de Paulo Halm. O filme, feito especialmente para deficientes auditivos, encantou a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>OS TRÊS VELHINHOS</p>
<p>A última noite de competição revela, pela primeira vez, o clima de Gramado. O frio aumentou e uma neblina sob encomenda enfeita a noite serrana. <strong>Werner Schünemann</strong> e <strong>Daniela Escobar</strong> iniciam a noite chamando o curta O RESTO É SILÊNCIO, de <strong>Paulo Halm</strong>. O filme, feito especialmente para deficientes auditivos, encantou a platéia por ser poético e espirituoso. Em seguida, RUA DA ESCADINHA 162, um mini documentário sobre Cristiano Câmara, um colecionador com mais de trinta mil discos de vinil e de cera, além de fotos e vasto material musical. O personagem real, divertidamente ranzinza, conquistou a platéia.<br />
O último longa latino em competição é o uruguaio CORAZÓN DE FUEGO. Um trio excelente de atores, <strong>Hector Alterio, Federico Luppi, Pepe Soriano</strong>, um roteiro simples e eficiente e uma edição segura de <strong>Diego Arsuada</strong> garantem um belo filme. Três velhinhos e um menino roubam uma locomotiva-símbolo uruguaia, que foi vendida para os Estados Unidos, a fim de protestar contra a venda do patrimônio público. Na sua jornada pelos trilhos do Uruguai, vão desviando de policiais e conquistando a simpatia da mídia e do povo, que torce pelo sucesso da empreitada.<br />
O filme foi o mais aplaudido entre todos os longas latinos exibidos, devendo levar fácil, ao menos, o prêmio do <strong>júri popular</strong>. Com um lirismo tocante, prova que um filme não precisa ser verborrágico para ser político. O trio de atores deve levar algum prêmio especial, em conjunto, principalmente porque Luppi também concorre no longa argentino.<br />
O filme já ganhou prêmios em <strong>Vallodolid</strong> de novo diretor e atores (os três), mais o <strong>Goya</strong> de melhor filme estrangeiro de língua espanhola, e em <strong>Montreal</strong> de melhor filme latino, roteiro e especial do júri.</p>
<p>PRIMEIROS PRÊMIOS</p>
<p>A segunda parte da noite inicia com as premiações de curtas gaúchos e curtas e médias em 16 mm. Entre os gaúchos, MÃE MONSTRO, com <strong>Sandra Possani</strong> e <strong>Roseane Milani</strong> no elenco (será parente de nosso editor Robledo?), foi o bicho papão da noite, vencendo melhor filme 16mm, roteiro, fotografia, edição e filme de diretor estreante. <strong>Ana Maria Maineri</strong>, por RITA e <strong>Roberto Oliveira</strong>, por PESADELO, venceram como melhores atriz e ator. PESADELO, de <strong>Tomás Creus</strong>, venceu ainda melhor filme 35mm, diretor e som. Depois de uma tumultuada e demorada entrega, com direito a um jabá político insuportável, com gente que não entende de cinema entregando prêmios e se promovendo, veio o infeliz discurso do presidente da Assembléia Legislativa Gaúcha, <strong>Vilson Covatti</strong>, do PP. Pra começar, citou, macarronicamente, algo como Caca Dieguês, com acento tônico no “e” final, como se o cineasta brasileiro fosse francês. Tropeçou na concordância, engoliu palavras, uma vergonha. Foi vaiado. Lamentável que num Festival como o de Gramado haja esse tipo de amadorismo.<br />
Após, a entrega dos vencedores em 16mm. <strong>Bárbara Paz</strong>, amicíssima de nosso editor Robledo Milani, venceu como melhor atriz por PRODUTO DESCARTÁVEL, e <strong>Diegho Kozievitch</strong> (o menino do CASTELO RÁ-TIM-BUM) venceu como melhor ator por PAISAGEM DE MENINOS, que ainda levou melhor filme média, roteiro, especial direção de arte. CINEMA PAGADOR levou o kikito de melhor curta em 16mm, <strong>André Luiz de Luiz</strong> melhor diretor por NÃO PERCA A CABEÇA, e JOÃO por experimentação de linguagem.</p>
<p>A GUERRA QUE DEVE LEVAR MUITOS KIKITOS</p>
<p>Depois de longos agradecimentos, veio o último curta em competição. TEMPO DE IRA, de e com <strong>Marcélia Cartaxo</strong>, co-dirigido por <strong>Gisella de Mello</strong>. Um belo curta, com excelente atuação de Cartaxo e de <strong>Antonieta Noronha</strong>, sobre uma mãe e uma filha abandonadas no sertão. Bela fotografia e final surpreendente.<br />
Finalmente, o último filme brasileiro em competição. O PREÇO DA PAZ, épico de guerra dirigido por <strong>Paulo Morelli</strong>, com grande elenco global e roteiro de <strong>Walter Negrão</strong>. O filme surpreende pela esmerada produção, excelentes fotografia e reconstituições de cenário e figurino. O roteiro é bem amarrado, mas a temática <em>guerra histórica</em> apresenta sempre clichês clássicos, como o herói mal compreendido, que não se vende e sofre por isso, a preocupada esposa, o inimigo justo, o inimigo malvado, a empregada que se envolve com um soldado, e por aí vai. Não é à toa que <strong>Lima Duarte</strong>, um dos atores, brinca que o filme é a <strong>casa dos sete machos</strong>. É impressionante a similaridade, mesmo tratando-se de outra guerra (aqui, a Federalista). De qualquer forma, ao que se propõe, é um filme muito bem realizado, favorito absoluto para todos os kikitos técnicos e, talvez, alguns principais, porque inegavelmente é a obra de maior qualidade. Tem boas atuações de Lima Duarte, <strong>Giulia Gam</strong>, <strong>Herson Capri</strong> e <strong>Camila Pitanga</strong>. <strong>José de Abreu</strong> é o vilão canastra e sem sutilezas de sempre.<br />
De qualquer maneira, o filme foi bastante aplaudido e é um belo trabalho da emocionada equipe paranaense.<br />
Depois, quase uma e meia da madruga, teria a exibição fora de concurso de CONCERTO CAMPESTRE, do gaúcho <strong>Henrique de Freitas Lima</strong>, mas o povo debandou, com fome, sono e dor no corpo pela longa noite.<br />
Acabou-se a mostra em competição. Agora é esperar os kikitos. Gramado já está lotada de curiosos, patricinhas e mauricinhos azarando, e muito artista circulando pelas ruas, ou fugindo das tietes cada vez mais mal-educadas.</p>
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