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	<title>Argumento.net &#187; 2002</title>
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	<description>CADA ARGUMENTO NO SEU GALHO</description>
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		<title>QUINTO DIA</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Aug 2002 18:20:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Ricardo Kralik Angelini</dc:creator>
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		<description><![CDATA[QUINTO DIA – 16 de agosto Gramado QUENTE: temperatura de verão, movimento crescente, engarrafamento de carros, patricinhas, mauricinhos e tietes. OK, Gramado agora está com aquela saturação humana típica do Festival de Gramado. Carros e pessoas por todos os lados, mais do que a estrutura da cidade garantiria. Filas para tudo, inclusive para andar em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>QUINTO DIA – 16 de agosto</p>
<p>Gramado QUENTE: temperatura de verão, movimento crescente, engarrafamento de carros, patricinhas, mauricinhos e tietes.</p>
<p>OK, Gramado agora está com aquela saturação humana típica do Festival de Gramado. Carros e pessoas por todos os lados, mais do que a estrutura da cidade garantiria. Filas para tudo, inclusive para andar em algumas partes da rua. Esqueça aquele trajeto na frente do Palácio dos Festivais, você vai ficar preso na multidão jovem que substitui a frente da Casa da Velha Bruxa por aqueles postinhos de Porto Alegre: todos olhando todos, numa caçação geral e irrestrita.<br />
Ok, também faz parte. Para quem está aqui desde o início da semana é um tanto irritante, mas a paciência, nessas horas, é a alma do negócio.<br />
A última noite da mostra competitiva prometia ser longa, por apresentar quatro curtas, dois longas e mais a premiação nacional de 16 mm e da mostra gaúcha. O brasileiro da noite, SEPARAÇÕES, na voz do diretor <strong>Domingos Oliveira</strong>, ficou irritadíssimo com a possibilidade do filme passar lá pela meia-noite como de hábito. Exigiu que tudo fosse mais rápido. Bem que se tentou. Pela primeira vez, a noite oficial começa pontualmente às sete e meia, com meia dúzia de gatos pingados para assistirem a O ENCONTRO, do paranaense <strong>Marcos Jorge</strong>. Pena, porque perderam a obra mais inventiva da mostra de curtas. Um casal e um encontro. A diferença é a linguagem: <em>cinemês</em>. Foi criada toda uma sintaxe especial (por exemplo: <em>eu</em> feminino é Monroe e masculino é McQueen), não que faça diferença (a compreensão dos diálogos não é necessária), pois a primeira idéia do diretor era fazer um filme mudo. Cada corte revela, em plano e contraplano, um novo figurino, com várias referências a clássicos do cinema. Como se para cada situação fosse necessário um novo visual, específico. Foi muito aplaudido e deve abocanhar algum prêmio especial.<br />
Logo em seguida, ALUMBRAMENTOS, de Santa Catarina. Dirigido por <strong>Laine Milan</strong>, é uma obra caprichada, com um roteiro sensível. Mas há alguma coisa que dá um tom exagerado, como se fosse tão esmerada para parecer bonita que acaba forçando a barra.<br />
Chega a vez do longa mexicano, o último latino em competição. LA PERDICION DE LOS HOMBRES, de <strong>Arturo Ripsten</strong>, é um duro teste para manter a platéia acordada. Todo sussurrado, em preto e branco com pouquíssimos planos, é repetitivo e enfadonho, em nada fazendo honra à qualidade da cinematografia mexicana atual, de AMORES PERROS e E TUA MÃE TAMBÉM. O tédio se instalou na platéia. Quem não saiu (e foi impressionante como as pessoas debandaram), cochilou – ou quase.<br />
Não tem intervalo. O pedido de Domingos é bem ouvido. Mas a premiação dos 16mm e da mostra gaúcha é tão demorada que de nada adianta. O grande vencedor em 16mm foi UM SOL ALARANJADO. Entre os gaúchos, ISAURA levou o de melhor filme, <strong>Vanise Carneiro</strong> melhor atriz por VAGA-LUME e <strong>Emerson Peixoto</strong> por ÚLTIMA TRINCHEIRA. Como sempre, surpresas, pois filmes como LEMBRA MEU VELHO e DONA CRISTINA PERDEU A MEMÓRIA foram completamente ignorados.<br />
A noite prossegue com outro curta em competição: CHAMA VEREQUETE, do Pará. Dirigido por <strong>Luiz Arnaldo Campos</strong> e <strong>Rogério Parreira</strong>, é uma homenagem sem muito brilho a mestre Verequete, um cantador de Carimbó. Convencional, pra não dizer chato.<br />
O último curta em competição, COMO SE MORRE NO CINEMA, de <strong>Lueiane Corrêa</strong> tem cara de vitorioso. É a típica boa idéia que foi bem produzida. A história do papagaio de VIDAS SECAS, de <strong>Nelson Pereira dos Santos</strong>, invejoso pelo sucesso da cadela Baleia, que chegou a ser convidada para ir a Cannes é divertidíssima. Um (falso) documentário, com participação do diretor, dos produtores (Barretos) de <strong>Maria Ribeiro</strong>, a atriz principal que fala, de modo divertidíssimo, de seu dilema quando Nelson pediu que ela matasse mesmo o papagaio em cena. Junto a isso, uma condessa criou uma polêmica pela morte da cadela, e foi quase exigido que Baleia viajasse até a França para provar que estava viva. Tem um roteiro primoroso e, por ainda por cima falar de cinema, num festival que faz trinta anos, é o favorito.<br />
Quinze para a meia-noite. De nada adiantou começarem na hora, a cerimônia sempre atrasa. O último brasileiro foi SEPARAÇÕES, do já premiado diretor de AMORES. É a mesma fórmula, meio Woody Allen, sobre várias etapas na separação de um casal. É um filme divertido, mas repetitivo, todo apoiado em diálogos rápidos, recheados de piadas cultas, que acabam cansando. A atuação sempre igual de Domingos Oliveira, o diretor, incomoda por seu jeito histriônico. Mas deve receber alguns kikitos.<br />
E assim acabaram-se as mostras competitivas. Agora é esperar pela noite de premiação, esperando que Gramado não repita a velha acomodação e não reparta os kikitos, cada um ganhando alguma coisa. Veremos. O que ficou é a multidão ainda na rua, quase duas da manhã, na busca desesperada por clics e assinaturas&#8230;<br />
Gramado respira o glamour, mas não pode se esquecer do cinema. A fraca mostra latina, em que o argentino é anos luz superior, é apenas um indício.</p>
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		<title>QUARTO DIA</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Aug 2002 18:19:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Ricardo Kralik Angelini</dc:creator>
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		<description><![CDATA[QUARTO DIA – 15 de agosto Gramado GELADO: céu azul, com elevação da temperatura no decorrer do período A quarta noite começa com o atrolho normal de Gramado nas vésperas do final de semana de um Festival de Cinema. As tietes agora estão cada vez mais ousadas e gritonas, de meninas a senhoras desesperadas por [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>QUARTO DIA – 15 de agosto</p>
<p>Gramado GELADO: céu azul, com elevação da temperatura no decorrer do período</p>
<p>A quarta noite começa com o <em>atrolho</em> normal de Gramado nas vésperas do final de semana de um Festival de Cinema. As tietes agora estão cada vez mais ousadas e gritonas, de meninas a senhoras desesperadas por um autógrafo e por uma foto. “<em>Chama aquele ali pra mim&#8230; como é o nome dele mesmo??</em>”.<br />
Noite da pré-estréia, fora de concurso, do PAIXÃO DE JACOBINA. As más línguas dizem que o filme é medíocre, mas só se fala nele e todos querem assisti-lo.<br />
O primeiro curta da noite é O TEMPO DOS OBJETOS, de Bruno Carneiro. Todo realizado dentro da faculdade (USP), o filme tem um roteiro excelente e é uma boa surpresa: simples, barato (feito com filme vencido que eles ganharam de outras grandes produtoras) e bem realizado. Conta a história de um homem que vai encontrando pedaços de objetos pela casa, cada um deles remetendo a objetos antigos, guardados num sótão bagunçado da casa. <strong>Samuel Andrade</strong> e <strong>Nea Simões</strong>, atriz do tempo da TV Tupi, fazem o casal que vai vivenciando essas (re)descobertas e (re)organizando a própria memória e o próprio passado.<br />
Em seguida, mais uma animação: O LIMPADOR DE CHAMINÉS, do gaúcho Rodrigo John, é uma brincadeira bobinha de um limpador que, ao cair do telhado, começa a ter visões e a fazer previsões para os vizinhos.<br />
O único longa da competição oficial da noite é DURVAL DISCOS, de <strong>Ana Muylaert</strong>. Durval é um quarentão (o ótimo <strong>Ary França</strong>) que não desiste dos vinis. Vive com sua mãe (<strong>Etty Fraser</strong>, que deve ganhar algum prêmio em Gramado) e os dois decidem contratar uma empregada. <strong>Letícia Sabatella</strong> (com sotaque caipira e um cabelo engraçadíssimo) faz a misteriosa empregada que some e deixa uma criança de 5 anos, supostamente sua filha (a carismática <strong>Isabela Guasco</strong>). A chegada da menina dá nova vida à casa, com momentos hilariantes que foram aplaudidos em cena aberta pela platéia. Após isso, a própria estrutura do filme se assume: primeiro o lado A deste filme-vinil, depois o lado B, quando o suspense e o non-sense assumem o posto. Há uma guinada radical que incomoda, já que o início é tão divertido, mas não chega a destruir o filme. Há cenas sensacionais, como a do passeio de charrete e as do cavalo. A música, com pérolas da MPB, também dialoga com o roteiro. DURVAL DISCOS é apontado como um dos favoritos, por assumir uma estrutura diferenciada e por ter ótima direção. Há um plano seqüência inicial maravilhoso, com créditos espalhados pelas ruas de São Paulo (os nomes dos atores e equipe pendurados nos postes, em camisetas de pedestres, em cartazes pelas paredes&#8230;). Também merecem destaque as participações especialíssimas de <strong>Marisa Orth</strong> e <strong>Rita Lee</strong>.<br />
É um filme que faz pensar, mas que diverte tanto no início que fica um gostinho de “<em>ah, que pena</em>” quando envereda para o lado B. De qualquer maneira, é uma das apostas de kikitos.<br />
Após o intervalo, tivemos a exibição fora de concurso do curta O PRÍNCIPE DAS ÁGUAS, de <strong>Werner Schüneman</strong> e de A PAIXÃO DE JACOBINA, de Fábio Barreto. Mas sobre os filmes você fica sabendo mais tarde, na nossa coluna especial PREMIÉRES de GRAMADO.</p>
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		<title>DEBATES DE GRAMADO</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Aug 2002 18:18:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Ricardo Kralik Angelini</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Uma das coisas mais interessantes de Gramado é o debate um dia depois da exibição oficial dos filmes. É uma oportunidade rara de escutar as intenções de cineastas e atores, de analisar até onde elas (as intenções) foram, de comparar leituras diferentes da mesma obra, de conhecer curiosidades de produção. Em geral freqüentado por simpáticas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Uma das coisas mais interessantes de Gramado é o debate um dia depois da exibição oficial dos filmes. É uma oportunidade rara de escutar as intenções de cineastas e atores, de analisar até onde elas (as intenções) foram, de comparar leituras diferentes da mesma obra, de conhecer curiosidades de produção.<br />
Em geral freqüentado por simpáticas velhinhas gramadenses, é também um momento de descontração, quando ouvimos bobagens desfiladas por tão compenetradas ouvintes, loucas por darem sua contribuição à sétima arte.<br />
O debate dos curtas O CÉU DE IRACEMA e O JARDINEIRO DO TEMPO foi interessante porque mostrou, por exemplo, que a diretora do primeiro não gosta de seu curta de estréia, enquanto o diretor do segundo, visivelmente constrangido, prefere sua estréia a essa segunda obra. Aliás, <strong>Mauro Giuntini</strong> foi tão sincero, assumindo problemas graves de roteiro e edição em seu O JARDINEIRO DO TEMPO, que acabamos não desgostando tanto assim de seu filme, ou pelo menos entendendo as suas limitações. Já <strong>Iziane Mascarenhas</strong>, de CÉU DE IRACEMA, é tão doce que quase entendemos a poesia de seu filme só a escutando. O filme fica ainda melhor.<br />
No debate de DOIS PERDIDOS NUMA NOITE SUJA, perguntas óbvias do tipo: “<em>Ao colocar uma mulher no papel de homem não faltou coragem, por parte de vocês, de assumirem uma relação com fortes pinceladas homossexuais?</em>”. A equipe meio que ficou na defensiva, com alguns comentários bobos. Na verdade, a inclusão de uma mulher como Paco não dilui, de maneira alguma, essa homossexualidade latente, pois ela é masculinizada, se faz passar por menino e se prostitui como tal, e, além disso, tem uma relação tensa sexualmente com Tonho. Mas a equipe nem falou sobre isso, tendo uma ouvinte apenas levantado a questão. <strong>Roberto Bomtempo</strong> falou sobre a dificuldade de algumas cenas, que chegavam a ter onze páginas de texto, sem corte. Quase um teatro filmado. Outra curiosidade foi a timidez de <strong>Débora Falabella</strong>, toda encolhida, fechada a não mais poder, assustadíssima com a sua própria ascensão e com uma fala toda entrecortada, nervosa.<br />
No debate dos curtas VINTE E CINCO, ZAGATI e DONA CRISTINA PERDEU A MEMÓRIA reclamações gerais sobre o áudio: trilha baixa, fora de sincronia. Todos se sentiram prejudicados. <strong>Ana Luiza Azevedo</strong> ouviu elogios de todos por seu belo DONA CRISTINA&#8230;, e aproveitou para contar como descobriu os atores e se existe mesmo uma sensibilidade feminina ao dirigir uma obra. <strong>Jorge Furtado</strong> deixou escapar que, ao escrever o roteiro de TRÊS MINUTOS, achou o texto meio <em>mulherzinha</em> demais, e por isso chamou Ana para a direção. Comentário que o documentário NEM GRAVATA NEM HONRA poderia aproveitar. <strong>Maria Ribeiro</strong> jurou nunca mais se dirigir, pois disse ter sido muito difícil encontrar cenas aproveitáveis, sem que ela estivesse olhando (ao invés de atuando) para suas colegas de cena, observando o texto, as marcações.<br />
O debate do curto dos estudantes O TEMPO DOS OBJETOS foi esclarecedor. O diretor <strong>Bruno Carneiro</strong> falou das dificuldades de fazer o filme, quase um exercício de paciência, com direito a filme vencido e tudo o mais. De qualquer maneira, é impressionante como eles conseguiram driblar as dificuldades e apresentar um produto de qualidade.<br />
Mas divertido mesmo foi o debate da turma de DURVAL DISCOS. Aplausos a todo momento, <strong>Etty Fraser</strong> revelou a importância de filmar e de como isso transformou sua vida. <strong>Ary França</strong> com sua cara engraçada contou como a diretora cortou suas caretas e como conseguiu uma boa atuação, contida e divertida.<br />
A diretora <strong>Ana Muylaerte</strong> falou sobre sua aposta no roteiro (selecionado pelo <strong>Sundance</strong>), e também na transformação do filme em lado A e lado B, completamente diferentes um do outro.<br />
Foi divertidíssimo e ainda contou com a aparição relâmpago do <em>excêntrico</em> <strong>Pereio</strong>, que elogiou o filme, dizendo ser este o caminho do cinema brasileiro, falou mal de A PAIXÃO DE JACOBINA e saiu tão logo terminou seu comentário. Uma cena antológica que só os bastidores do Festival podem revelar.</p>
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		<title>TERCEIRO DIA</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Aug 2002 18:17:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Ricardo Kralik Angelini</dc:creator>
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		<description><![CDATA[TERCEIRO DIA – 14 de agosto Gramado FRIO: temperatura em declínio, ventos gelados durante o período. A terceira noite oficial do Festival de Cinema de Gramado era reservada a uma homenagem a Roberto Farias, diretor de O ASSALTO AO TREM PAGADOR e PRA FRENTE BRASIL. Algumas figurinhas tarimbadas de Gramado deram o ar da graça, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>TERCEIRO DIA – 14 de agosto</p>
<p>Gramado FRIO: temperatura em declínio, ventos gelados durante o período.</p>
<p>A terceira noite oficial do <strong>Festival de Cinema de Gramado</strong> era reservada a uma homenagem a <strong>Roberto Farias</strong>, diretor de O ASSALTO AO TREM PAGADOR e PRA FRENTE BRASIL. Algumas figurinhas tarimbadas de Gramado deram o ar da graça, como Beth Faria (sem o carro aberto de outros tempos), Beth Mendes, Lima Duarte, entre muitos outros.<br />
A noite começa com o curta VINTE E CINCO, de Maria Ribeiro, uma atriz (de TOLERÂNCIA) que pela primeira vez dirige. É um filme despretensioso, bonitinho, que conta com a participação da ex-Casa dos Artistas <strong>Bárbara Paz</strong> &#8211; que dizem as más línguas está com o ego nas alturas. As lembranças de uma jovem de vinte e cinco anos em Búzios: a adolescência e a entrada nos quase-trinta. A trilha bacana dos <strong>Los Hermanos</strong> e a produção do marido <strong>Paulo Betti</strong> garantem qualidade na estréia da carioca.<br />
Em seguida, o Rio Grande do Sul pôde se orgulhar, mais uma vez, da qualidade do pessoal da Casa de Cinema de Porto Alegre. DONA CRISTINA PERDEU A MEMÓRIA, de Ana Luiza Azevedo, é um belíssimo trabalho da premiada diretora de TRÊS MINUTOS. Os encontros de dois vizinhos, um menino de oito anos e uma senhora de oitenta, rende momentos de extrema poesia. Dona Cristina é uma senhora que só tem a memória afetiva: recorda-se do marido, do filho aviador, dos seus traços familiares. Mesmo seu nome é inventado: ela não gosta do original. Antonio é o vizinho que anda de bicicleta pelo quintal, e a todo momento se depara com uma pequena vala que não consegue atravessar. O filme fala de como suas vidas se cruzam, as descobertas do menino, as lembranças da idosa, e como Antonio acaba entrando na memória afetiva da vizinha. Nem oito nem oitenta, eles precisam encontrar o caminho do meio.<br />
A direção de atores é excelente. Os novatos <strong>Pedro Tergolina</strong> e <strong>Lissy Brock</strong> estão muito bem, e o filme dependia 99% de suas atuações. Há passagens de um simbolismo forte, que pode render várias interpretações: o construir e desconstruir da cerca, as voltas em círculo da bicicleta, os encontros e a memória em círculos, o patinho na passagem do tempo, os objetos guardados&#8230;<br />
DONA CRISTINA foi ovacionado pela platéia, e é um dos meus favoritos até agora, junto com o cearense O CÉU DE IRACEMA.<br />
O terceiro longa em competição foi o uruguaio ESTRELLA DEL SUR, de <strong>Luis Nieto</strong>, que também gira em torno do passado, da memória, do tempo. Uma família volta ao Uruguai depois de um longo tempo vivendo na Espanha. Gregório (o ator <strong>Jean Pierre Noher</strong>, de UM AMOR DE BORGES, premiado em Gramado no ano passado) tem um segredo – armas escondidas no seu tempo de guerrilheiro – que compartilha com o filho, (<strong>Roger Casamajor</strong>, que foi visto no filme SALVAJES, em première aqui em Gramado) e a partir daí a vida deles se transforma.<br />
O grande problema do filme é o roteiro. Ele perde o foco a todo o momento, ora se centrando no filho e na namorada, ora na namorada e na mãe dela (<strong>Laura Schneider</strong>, de NETTO PERDE SUA ALMA, toda editada na obra), ora em Gregório, sua esposa e sua filha. No final, as ações perdem força e interesse, e o bom elenco não consegue fazer muita coisa.<br />
Após o intervalo, teve a premiação do SUPER 8. O grande vencedor da noite foi JARDIM DE ALÁ, com alguns prêmios indo para CIRCO, TERRA DE SILÊNCIO e O CASAMENTO DE JACUTINGA. Foi quando ocorreu o momento <em>alternativo</em>. Uma mulher surge no palco berrando, com camisa de força, “<em>eu só quero criar</em>”. Coisa super cabeça, da galera do cinema <em>desconstrução</em>. Outro momento engraçado foi quando a apresentadora chamo um dos vencedores de Osmar. Ele disse que era Osnei, e ela responde: “<em>Nossa nem Oscar nem Osmar&#8230;</em>”.<br />
Em seguida, a homenagem a Roberto Farias, com direito a um clipão bem meia-boca. Mais homenagem aos já premiados com o kikito, e o festival teve seu momento anos 70.<br />
<strong>Kátia D’Angelo</strong>, premiada em Gramado por BARRA PESADA, pega o microfone e faz um discurso sobre a violência urbana, relembrando a morte de seu filho, assassinado. Deixa perguntas aos governantes e abre o casaco, mostrando uma camiseta com um grande ponto de interrogação de purpurina verde e amarela:?<br />
A platéia aplaudiu, e esse tipo de <em>mico</em> também faz parte do festival.<br />
Reinicia a segunda parte com o curta ZAGATI, de <strong>Nereu Cerdeira</strong> e <strong>Edu Felistoque</strong>. Com um personagem maravilhoso, um catador de papel apaixonado por cinema que encontra pedaços de celulóide e resolve fazer sessões de cinema na periferia, ZAGATI conquistou a platéia. Confesso que achei o curta bom, mas acho que poderia resultar numa obra muito mais emotiva, pela natureza rica do personagem. De qualquer maneira, vale a pena.<br />
Para terminar a noite, UMA ONDA NO AR, de <strong>Helvécio Ratton</strong>. A história de uma rádio pirata na favela e sua influência na comunidade rende um filme completamente equivocado. De boas intenções o inferno está cheio, e UMA ONDA NO AR é um desfile de clichês e discurso panfletário. Ingênuo, trata do racismo como se fosse um trabalho em grupo da quinta série. Personagens caricatos, a velha história maniqueísta, com direito a punição para quem pega o caminho do <em>mal</em>, marginal.<br />
Não foi uma boa noite. Aguardemos a quarta noite, que terá a pré-estréia especial de A PAIXÃO DE JACOBINA, desde já tido como uma das coisas mais constrangedoras já vistas por aqui, a julgar pelo burburinho de quem já assistiu, em pré-pré-estréia.</p>
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		<title>SEGUNDO DIA</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Aug 2002 18:15:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Ricardo Kralik Angelini</dc:creator>
				<category><![CDATA[2002]]></category>
		<category><![CDATA[Marieta Severo]]></category>

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		<description><![CDATA[SEGUNDO DIA – 13 de agosto Gramado CHUVOSO: 16 graus, neblina pela manhã, muita chuva no resto do período. O dia era de Marieta Severo, todos os holofotes estariam voltados para ela. Ela seria a primeira atriz homenageada com o troféu Oscarito, no segundo dia do Festival. A apresentação da noite coube aos jornalistas gaúchos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>SEGUNDO DIA – 13 de agosto</p>
<p>Gramado CHUVOSO: 16 graus, neblina pela manhã, muita chuva no resto do período.</p>
<p>O dia era de <strong>Marieta Severo</strong>, todos os holofotes estariam voltados para ela. Ela seria a primeira atriz homenageada com o troféu <strong>Oscarito</strong>, no segundo dia do Festival. A apresentação da noite coube aos jornalistas gaúchos <strong>Tânia Carvalho</strong> e <strong>Clóvis Duarte</strong>, que passaram por várias <em>saias justas</em> durante a cerimônia. Nada que se compare, é verdade, à <em>sutileza</em> de <strong>Bira Valdez</strong>, um dos apresentadores da primeira noite, que após a entrega de um prêmio especial a vencedores de kikitos disse para os homenageados: “<em>Ok, por favor, podem se retirar do palco!</em>”, para espanto da cansada platéia.<br />
Aliás, a platéia no Festival de Gramado é um caso à parte. Como são poucos os ingressos para o público serrano, a maioria dos espectadores é gente do cinema, produtores, atores, jornalistas, diretores, técnicos, <em>penduricalhos</em>, etc. É justamente este pessoal acostumado com o ofício que não cansa de proporcionar péssimos exemplos: celular ligado que toca e, ainda por cima, é respondido em meio à sessão (será que estão sempre em busca de fatos novos e informações imprescindíveis?), um entra e sai interminável, aos papos no meio dos filmes – tem gente que entrou na segunda noite faltando dez minutos para o filme argentino terminar, e por aí vai.<br />
Mas o lado positivo foi que a segunda noite competitiva foi incrivelmente superior à primeira. A começar pelo curta O CÉU DE IRACEMA, do Ceará. Dirigido por <strong>Iziane Mascarenhas</strong>, são vários os trunfos da obra: o roteiro sensível, sem diálogos, a bela fotografia do premiado <strong>Antonio Luiz Mendes</strong>, a montagem, a trilha sonora que praticamente atua junto, e a atuação das duas crianças na fase dos seus onze-doze anos. É a história de uma disputa de pandorgas entre um casal, piruetas no céu azul da praia de Iracema num embate visual belíssimo. É desde já um dos favoritos e, com certeza, não vai sair de Gramado de mãos vazias. Foi muitíssimo aplaudido pelo público.<br />
Em seguida foi a vez de O FILHO DA NOIVA, do argentino <strong>Juan Jose Campanella</strong>, que já havia emocionado Gramado com o excelente EL MISMO AMOR, LA MISMA LLUVIA. A obra concorreu ao Oscar de melhor filme estrangeiro e é, com certeza, favorita absoluta para abocanhar os principais kikitos da categoria Latino. É a história de um homem em crise, num país em crise. Rafael, <strong>Ricardo Darín</strong>, de NOVE RAINHAS, herdou do pai (<strong>Héctor Alterio</strong>, excepcional) um conceituado restaurante em Buenos Aires. Vive em conflito causado pela correria de seu trabalho, sempre envolto com clientes e fornecedores, um dos motivos da sua primeira separação. A ex-mulher não agüentou o desgaste, e Rafael vive se alfinetando com ela por causa da filha pequena. Junto a isso, ele enfrenta o drama da mãe que sofre de Alzheimer (<strong>Norma Aleandro</strong>, em atuação inspiradíssima) e da namorada que quer compromisso. O roteiro é delicioso, um filme com diálogos sensíveis e divertidos. Há quase mini blocos, pequenas histórias desses argentinos em dúvidas existenciais que procuram novos rumos a suas vidas. O elenco é excelente, principalmente por conta dos veteranos Aleandro e Alterio, que dão um show. Aleandro tem o olhar vazio de quem sofre da doença, e transita entre a ternura e a antipatia num piscar de olhos. Alterio faz o eterno romântico, que resolve se casar na igreja com a mulher com quem viveu 44 anos, e que agora está numa clínica. O FILHO DA NOIVA arrebatou a platéia, foi ovacionado e merece cada palavra dos elogios a ele dirigido, o que só vem a consolidar a excelente fase que o cinema argentino vem atravessando, o que esperamos que a grave crise econômica não venha a arranhar.<br />
Intervalo. O Palácio está lotado, pois Marieta Severo está para receber a homenagem. Astros por todos os cantos, alguns pouco lembrados pelas tietes como Felipe Camargo e Alexandre Paternost, largados pelos cantos.<br />
A entrega do troféu Oscarito é simples, precedida por um clipão dos momentos inesquecíveis de Marieta no cinema, como em BYE BYE BRASIL, VAI TRABALHAR VAGABUNDO II, CARLOTA JOAQUINA. Sempre politicamente correta, Marieta aceita a homenagem em nome de todas as atrizes brasileiras. Aplaudida de pé, com gritos de <em>maravilhosa!</em>. Ok, Gramado também tem seu momento Cannes.<br />
Início da segunda parte. O curta O JARDINEIRO DO TEMPO, de <strong>Mauro Giuntini</strong>, é um tanto constrangedor, numa aventura futurista que tenta resgatar a memória do paisagista Roberto Burle Marx. Uma boa intenção que, infelizmente, resulta numa obra confusa e mal acabada, com atuações de <strong>Mark Hopkns</strong>, o estrangeiro de O CASAMENTO DE LOUISE, e <strong>Luís Mello</strong>, sem chances de brilhar.<br />
Em seguida, um dos filmes mais aguardados da mostra nacional, DOIS PERDIDOS NUMA NOITE SUJA, de <strong>José Joffily</strong>, baseado na peça de <strong>Plínio Marcos</strong>.<br />
As alterações do roteiro – a ação se passa em Nova York ao invés de Santos e é um casal, e não dois homens, os <em>perdidos</em> &#8211; são muito interessantes, mas o filme é tão cru que não chega a envolver. Dois imigrantes que discutem a dureza da vida soa um tanto artificial:eles vivem numa espécie de loft subterrâneo, meio estilizado demais, que não convence como <em>podridão</em>. A melhor coisa do filme é, disparada, a atuação de <strong>Débora Falabella</strong>, a aposta certa aqui em Gramado para o kikito de melhor atriz. Débora surpreendeu o próprio diretor e está muito bem. O papel, aliás, tem cheiro de prêmio: a velha história da menina que se masculiniza pela sobrevivência. <strong>Roberto Bomtempo</strong> não compromete, mas não é um ator que segure o interesse de uma obra tão centrada em apenas duas figuras. É por isso que a jovem Débora merecia um opositor melhor na guerra das palavras e violência em Nova York. A ressaltar as excelentes trilha sonora e fotografia. DOIS PERDIDOS NUMA NOITE SUJA é uma produção competente, e foi muito aplaudido.<br />
Foi uma segunda noite revigorante, principalmente pelos equívocos da primeira. Gramado já valeu a pena por ela, mas é sempre esperançoso acreditarmos que vamos encontrar outros bons trabalhos pela frente.</p>
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		<title>PRIMEIRO DIA</title>
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		<pubDate>Mon, 12 Aug 2002 18:14:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Ricardo Kralik Angelini</dc:creator>
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		<description><![CDATA[PRIMEIRO DIA – 12 de agosto Gramado MORNO: 20 graus, céu azul e limpo. Chegamos em Gramado sem o frio característico. Nada que remeta aos outros gélidos festivais. A primeira certeza: a organização se esmerou em trazer as estrelas para a serra – elas estão por toda a parte. Em geral, os primeiros dias do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>PRIMEIRO DIA – 12 de agosto</p>
<p>Gramado MORNO: 20 graus, céu azul e limpo.</p>
<p>Chegamos em Gramado sem o frio característico. Nada que remeta aos outros gélidos festivais. A primeira certeza: a organização se esmerou em trazer as estrelas para a serra – elas estão por toda a parte.<br />
Em geral, os primeiros dias do festival são vazios de celebridades, mas desta vez, para comemorar os 30 anos, artistas com história mais ou menos ligada ao cinema estão por aqui desde cedo.<br />
De cara, Débora Falabela, uma das favoritas ao kikito de melhor atriz por DOIS PERDIDOS NUMA NOITE SUJA se diz espantada com o circo armado, repórteres e fotógrafos em marcação cerrada com a Mel do Clone.<br />
Paulo Betti, Daniel Filho, Murilo Rosa, Christiane Torlonni, Sueli Franco, Nívea Stealman, Mel Lisboa, Caco Ciocler (e vamos ficar só por aqui) estão passeando por aqui.<br />
A noite de abertura promete ser longa. São seis filmes, dois longas, três curtas e um média. Logo de início, um pequeno contratempo. A minha visão é prejudicada pelo tamanho da criatura que se sentou bem a minha frente, que depois descobrimos ser o (pseudo) hollywoodiano <strong>Christian de la Fuente</strong>, <em>astro</em> de <em>Driven</em>, um filme de corrida automobilística com Stallone. O cara veio com sua excelentíssima, atriz de quinta também, que fez <em>O Escorpião Rei</em>. A dupla forma o casal internacional da vez. Vieram para ancorar alguns programas televisivos.<br />
Começa a sessão, com atraso. ISMAEL E ADALGISA é um média <em>mezzo documentário mezzo ficção</em>, dirigido por <strong>Malu de Martino</strong> com <strong>Christiane Torlonni</strong>, <strong>Murilo Rosa</strong> e <strong>Bruno Garcia</strong>. Fora de concurso em Gramado, revela requinte na produção e traz à tona a história do pintor Ismael Nery e sua esposa Adalgisa, que resolve escrever após a prematura morte do marido, incentivada especialmente pelo poeta Murilo Mendes. Adalgisa, depois, tornou-se uma jornalista influente e polêmica. É interessante porque resgata nomes artísticos pouco conhecidos do público – à exceção de Murilo Mendes, reconstruindo um pedaço da nossa memória cultural.<br />
O curta ONDE ANDARÁ PETRUCIO FELKER? é um divertido exercício de animação, dirigido por <strong>Allan Sieber</strong>, que critica os artistas de vanguarda e seus gênios inovadores. O final é meio bobinho, mas o curta foi bem recebido.<br />
O curto AÇAÍ COM JABÁ, de <strong>Marcos Daibes</strong>, <strong>Alan Rodrigues</strong> e <strong>Waleriano Duarte</strong> acabou tendo a melhor receptividade da platéia. É uma comédia rasgada com <strong>Ernesto Picollo</strong>, num <em>duelo de açaí</em> pelo norte brasileiro. Divertido.<br />
TAXI PARA TRES, o longa chileno de <strong>Orlando Lübbert</strong>, que teve bilheteria recorde no Chile, conta a história de um taxista que é seqüestrado por dois assaltantes, mas logo toma gosto pela coisa e passa a assaltar junto, por livre e espontânea vontade. É um filme regular, com poucos momentos interessantes, e com uma pseudo tentativa de fazer uma analogia com A ODISSÉIA (livro que a filha do taxista – chamado Ulisses – lê), que fica no meio do caminho. A projeção teve legendas estranhíssimas, de um verde escuro, abaixo da tela, quase imperceptível, um duro exercício para os olhos.<br />
Intervalo. Após um tempo maior do que o previsto, a cerimônia prossegue com a nova Orquestra Brasileira de Cinema, regida por Celau Moreira, que executa clássicos cinematográficos e é ovacionada pelo público. Em seguida, uma homenagem a nomes que fizeram a história do festival. José Lewgoy, Walmor Chagas, Darlene Glória, John Herbert, entre outros, recebem um troféu comemorativo aos 30 anos da competição. Finalmente a sessão vai recomeçar.<br />
É a vez do curta DOMINGO, de Gustavo Spolidoro, um dos queridinhos de Gramado desde o super 8, narra uma história triste, um vai e vem no tempo de Sandra, uma mulher que faz trinta anos e relembra seus momentos na praia gelada, quando tinha dez anos e a figura do pai por perto. Uma coisa meio <em>desenterrar o passado</em> de forma literal, escondido nas areias, que foi bem aplaudido pelo público.<br />
QUERIDO ESTRANHO, o primeiro longa nacional a ser exibido, de <strong>Ricardo Pinto e Silva</strong>, tinha recebido boas críticas, principalmente com relação à atuação de <strong>Daniel Filho</strong>. Mas é decepcionante. A história do pai que, no dia do seu aniversário, começa a lavar a roupa suja não é nem um pouco original. Os velhos clichês mãe-submissa, filha-encalhada, filhos-revoltados, pai-sem-amor, clima-pesado estão todos lá. É um contínuo despejar de mágoas, situações forçadas e inverossímeis, com diálogos bisonhos (o texto é baseado na peça de <strong>Maria Adelaide Amaral</strong>, <em>Querido Intruso</em>) e atores mal aproveitados, em especial a ótima <strong>Ana Beatriz Nogueira</strong>, que faz a filha que se deu bem, num papel de baixo potencial dramático. Há participações curtíssimas de <strong>Paulo Betti</strong> e <strong>Teresa Seiblitz</strong> (a Dara, lembram?). Daniel Filho não consegue me convencer que seja um bom ator, e os melhores desempenhos ficam para <strong>Sueli Franco</strong>(a mulher) e <strong>Claudia Netto</strong> (a filha encalhada).<br />
Foi um início de Festival um pouco morno, como a temperatura, e com algumas decepções. O que se confirmou foi que a sessão seria longa: terminou quase duas da manhã! A fome já era imensa, e o cansaço idem. Mas <strong>Festival de Cinema</strong> é assim, não é brinquedo não!</p>
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