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	<title>Argumento.net &#187; 2004</title>
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	<description>CADA ARGUMENTO NO SEU GALHO</description>
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		<title>HORTÊNSIA DE PALHA: O PIOR DE GRAMADO 2004</title>
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		<pubDate>Sat, 21 Aug 2004 20:21:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Ricardo Kralik Angelini</dc:creator>
				<category><![CDATA[2004]]></category>

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		<description><![CDATA[O QUE DE PIOR ACONTECEU NO FESTIVAL DE CINEMA DE GRAMADO Como já é de praxe, em reunião extra-oficial, parte da imprensa oficial se reuniu num dos restaurantes de founde de Gramado para a escolha dos indicados ao prêmio HORTÊNSIA DE PALHA. Estavam reunidos jornalistas, publicitários, cineastas do Rio Grande do Sul e de outros [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O QUE DE PIOR ACONTECEU NO FESTIVAL DE CINEMA DE GRAMADO</p>
<p>Como já é de praxe, em reunião extra-oficial, parte da imprensa oficial se reuniu num dos restaurantes de founde de Gramado para a escolha dos indicados ao prêmio HORTÊNSIA DE PALHA. Estavam reunidos jornalistas, publicitários, cineastas do Rio Grande do Sul e de outros estados. O site argumento.net é apenas meio divulgador de tal resultado.</p>
<p>Grandes vencedores da noite<br />
+++ PROCURADAS, com 12 Hortênsias de Palha! Vai faltar lugar na lareira para acomodar os trofeuzinhos.</p>
<p>+++ <strong>Juan Alba</strong>, com 4 HP. Pela primeira vez recebendo dupla premiação: pior ator (PROCURADAS) e pior ator coadjuvante (O QUINZE), além dos prêmios de pior Casal (com <strong>Rita Guedes</strong>) e pior fala (<em>Uau, que gata&#8230;</em>)</p>
<p>+++ <strong>Paula Burlamaqui</strong> também deixou sua cara (de pau) na calçada da fama gramadense, recebendo 5 HP: de pior atriz, pior vilã, pior strip, momento constrangedor e pior cena (tudo por PROCURADAS). Parabéns, Paula!</p>
<p> </p>
<div>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.</div>
<p>PIOR FILME:<br />
( x ) PROCURADAS<br />
( ) ARAGUAYA<br />
( ) O QUINZE</p>
<p>PIOR DIRETOR:<br />
( x ) PROCURADAS<br />
( ) ARAGUAYA<br />
( ) O QUINZE</p>
<p>PIOR ATOR:<br />
( x ) Juan Alba, PROCURADAS<br />
( ) Stephane Brodt, ARAGUAYA<br />
( ) Dalton Vigh, VIDA DE MENINA</p>
<p>PIOR ATRIZ:<br />
( ) Rita Guedes, PROCURADAS<br />
( x ) Paula Burlamaqui, PROCURADAS<br />
( ) Fernanda Maiorano, ARAGUAYA</p>
<p>PIOR ATOR COADJUVANTE:<br />
( x ) Juan Alba, O QUINZE<br />
( ) Cláudio Jaborandi, ARAGUAYA (o milico mau)<br />
( ) Jonas Bloch, FILHAS DO VENTO</p>
<p>PIOR ATRIZ COADJUVANTE:<br />
( x ) Karina Barum, O QUINZE<br />
( ) Andréa Buzato, PROCURADAS<br />
( ) Françoise Forton, ARAGUAYA</p>
<p>PIOR ROTEIRO:<br />
( x ) PROCURADAS<br />
( ) ARAGUAYA<br />
( ) O QUINZE</p>
<p>PIOR FOTOGRAFIA<br />
( ) PROCURADAS<br />
( ) ARAGUAYA<br />
( x ) O QUINZE</p>
<p>PIOR FIGURINO:<br />
( x ) PROCURADAS<br />
( ) ARAGUAYA<br />
( ) O QUINZE</p>
<p>PIOR CURTA:<br />
( x ) HELIORAMA<br />
( ) O JAQUEIRÃO DO ZECA<br />
( ) CARREGAR UMA CRIANÇA</p>
<p>PIOR CASAL EM CURTA:<br />
( ) O casal de FELICIDADE<br />
( ) O casal do carro de CARREGAR UMA CRIANÇA<br />
( x ) O casal do supermercado de VOVÓ VAI AO SUPERMERCADO</p>
<p>PIOR VILÃO:<br />
( x ) Cláudio Jaborandi, ARAGUAYA (o milico mau)<br />
( x ) Paula Burlamaqui, PROCURADAS (a vilã que se arrepende)<br />
( ) Camilo Bevilacqua, o tio de VIDA DE MENINA</p>
<p>Meio troféu para cada um&#8230;</p>
<p>QUÍMICA ZERO: PIOR CASAL EM CENA<br />
( x ) Juan Alba e Rita Guedes, PROCURADAS<br />
( ) Juan Alba e Karina Barum, O QUINZE<br />
( ) Stephane Brodt e Fernanda Maiorano, o padre e a Tininha de ARAGUAYA</p>
<p>ESTOU FURIOSA: PIOR STRIP<br />
( x ) Paula Burlamaqui, PROCURADAS<br />
( ) Rita Guedes, SINTOMAS<br />
( ) Maria Ceiça, FILHAS DO VENTO</p>
<p>Uma decisão quase unânime</p>
<p>QUEIMANDO O FILME: PIOR NU FRONTAL<br />
( ) Adilson Magá, A IDADE DO HOMEM<br />
( x ) Austregéliso Carrano, FELICIDADE<br />
( ) Cristiane Esteves, FELICIDADE</p>
<p>Decisão igualmente quase unânime</p>
<p>CALA A BOCA: MAIOR MALA<br />
( ) Antonio Jesus Pfeifl<br />
( x ) José de Abreu<br />
( ) Ivan Cardoso</p>
<p>Comentários:<br />
Sobre José de Abreu: <em>deveria ser persona non grata</em><br />
sobre Jesus: <em>o cara é legal até certo ponto. o problema é que ele não faz idéia de onde esteja este certo ponto..</em></p>
<p>MENOS: PIOR DISCURSO<br />
( x ) Vieira da Cunha<br />
( ) Jesus<br />
( ) Milton Gonçalves</p>
<p>Em ano de eleição e o cara, candidato à prefeitura de Porto Alegre, blá blá blá? Menos&#8230;<br />
Um jurado manda o segundo recado: <em>Momento Discurso sem Nexo: Ludmila Dayer</em></p>
<p>AI AI AI, MOMENTO CONSTRANGEDOR EM CURTA:<br />
( ) Camilo Lélis travestido sendo currado em A IDADE DO HOMEM<br />
( ) A mão cortada do bebê em O LENÇOL BRANCO<br />
( x ) O gospe ou engole de Leona Cavalli em CAPITAL CIRCULANTE</p>
<p>AI AI AI, MOMENTO CONSTRANGEDOR EM LONGA:<br />
( x ) O strip de Paula Burlamaqui em PROCURADAS<br />
( ) O milico do DOPS esmagando um passarinho com as mãos em GARRINCHA<br />
( ) Françoise Forton sendo carregada semi-despida na floresta amazônica</p>
<p>TROFÉU TU POR AQUI?<br />
( x ) Ticiane Pinheiro<br />
( ) Max Fercondini<br />
( ) Vieira da Cunha</p>
<p>Vale o destaque de <strong>Tiazinha</strong>, rebolante no primeiro dia do Festival</p>
<p>MAS QUE CABELINHO&#8230; PIOR LOOK<br />
( x ) Zé Vitor Castiel<br />
( ) Pedro Santos<br />
( ) Lucélia Santos</p>
<p>Tá certo, o camarada <strong>Zé Vitor</strong> está com esse cabelito a la Ravengar porque será o próximo vilão do filme da Xuxa.</p>
<p>PIOR CENA:<br />
( x ) Briga das irmãs em PROCURADAS<br />
( ) Invasão do DOPS em GARRINCHA<br />
( ) Fuga dos padres em ARAGUAYA</p>
<p>Destaque também para o anúncio da menina que está grávida em ARAGUAYA</p>
<p>PIOR FALA:<br />
( x ) “Uau, que gata&#8230;” Juan Alba para Rita Guedes em PROCURADAS<br />
( x ) “Você não tem princípios?”, Larissa Bracher para Paula Burlamaqui em PROCURADAS<br />
( ) “Se ela está grávida, vai ter que tirar. Está no manual”, ARAGUAYA</p>
<p>A galera se dividiu em dois momentos primorosos da sétima arte brasileira. Um dos jurados comenta, mandando recadinho para Juan Alba: “<em>como acabar com um personagem em três palavras!</em>”</p>
<p> </p>
<div>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.</div>
<p><strong>HORS CONCOURS</strong><br />
Algumas sugestões enviadas por nosso corpo de jurados.</p>
<p>Pior ator “Fora de Competição” para <strong>André Gonçalves</strong>, por GARRINCHA</p>
<p>Troféu GENTE QUE A GENTE NÃO SABE POR QUE FOI:<br />
<strong>Tarcisinho, Eduardo Galvão, José de Abreu</strong> e <strong>Maria Zilda</strong></p>
<p>Troféu TROPEÇO ou FONOLOGIA APLICADA:<br />
<strong>Bete Mendes</strong> (engasgou duas vezes ao falar <em>Audiovisual</em>, na noite final)</p>
<p>Troféu FONOLOGIA APLICADA II:<br />
<strong>Virginia Novick</strong>, urgente!!</p>
<p>Troféu DESPROPÓSITO DO ANO:<br />
Jornalista de São Paulo que em debate sobre FILHAS DO VENTO declarou: &#8220;<em>Ainda estou procurando encontrar mais brancos no filme</em>&#8221;</p>
<p>Troféu PAVÃO MISTERIOSO<br />
Desrespeito e Deselegância: <strong>Rubens Ewald Filho</strong> (asneira com relação à premiação)</p>
<p>Troféu CARA DE PAU:<br />
Para os produtores de GARRINCHA, que fizeram um dos piores filmes da nova safra e ainda o indicaram para a pré-seleção do OSCAR&#8230; (???)</p>
<p>Troféu ENFEITE DE GELADEIRA:<br />
<strong>Cláudia Liz</strong> e <strong>Maria João</strong></p>
<p>Troféu COMETA HALLEY:<br />
<strong>Ana Hickman</strong> passou por lá&#8230; dizem.</p>
<p>Troféu EU JURO QUE SOU A MELHOR:<br />
Para os chiliques de <strong>Rita Guedes</strong>, de SINTOMAS, que até na Mostra Gaúcha de Curtas perdeu o prêmio de melhor atriz.</p>
<p>Troféu ESQUECERAM DE MIM<br />
<strong>Bárbara Paz</strong>, tristonha ao perceber que o público de ILHA RÁ-TIM-BUM, filme em que ela conversaria com a platéia, tinha a <em>platéia</em> de um único menino. Que teve que ir para casa porque a sessão foi cancelada.</p>
<p>Troféu AH É, É?<br />
<strong>Fabio Barreto</strong>, o sempre presente, explicando como funciona o Festival de Gramado. Na noite final.</p>
<p>Troféu RESPONSABILIDADE CULTURAL:<br />
<strong>Dalton Vigh</strong> e <strong>Juan Alba</strong>: Repensem sua<br />
carreira!</p>
<p>Troféu: EI, VOCÊ AÍ&#8230;<br />
Me dá um ingresso aí &#8211; para os imploradores de plantão, suplicando por uns ingressos para as noites festivalescas.</p>
<p>Troféu PQP para os restaurantes de Gramado, quase todos fechados quando o povo saía da sessão oficial de cinema, lá pela uma da madruga. As opções eram sempre as mesmas.</p>
<p>Troféu GENTE QUE NÃO FAZ:<br />
Para a Albina, garçonete da padaria, com o carinho de seus clientes que AINDA não foram atendidos.</p>
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		<title>O QUE ROLOU NOS BASTIDORES DE GRAMADO</title>
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		<pubDate>Sat, 21 Aug 2004 20:18:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Argumento</dc:creator>
				<category><![CDATA[2004]]></category>

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		<description><![CDATA[Por: CAMILA MENEGAZ – Jornalista, assessora de imprensa e freqüentadora há meia dúzia de anos do Festival de Cinema de Gramado. Colaborou: ADRIANA TIMMERS – Jornalista radicada em Brasília.    Nem só de cinema e tietagem vive o Festival de Gramado. Quem acompanha o evento sabe que existem mais coisas entre o céu e o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por:</p>
<p>CAMILA MENEGAZ – Jornalista, assessora de imprensa e freqüentadora há meia dúzia de anos do Festival de Cinema de Gramado.</p>
<p>Colaborou:</p>
<p>ADRIANA TIMMERS – Jornalista radicada em Brasília. </p>
<p> </p>
<p>Nem só de cinema e tietagem vive o <strong>Festival de Gramado</strong>. Quem acompanha o evento sabe que existem mais coisas entre o céu e o Palácio dos Festivais do que sonha nossa vã filosofia&#8230; Tanta badalação sempre rende &#8220;comentários&#8221; a serem feitos depois, mas é preciso dizer que este ano o Festival esteve tão escasso de fofocas quanto de celebridades, em relação a anos anteriores. De qualquer forma, sempre sobra alguma coisa para contar&#8230;</p>
<p><em><strong>&#8220;Style&#8221; Gramado </strong></em></p>
<p># Estilo é o que não falta em Gramado, dos mais certinhos aos mais esquisitos. A cidade vira uma passarela em dias de Festival, especialmente entre as mulheres. Ninguém repete roupa, uma querendo parecer mais bonita e elegante que a outra. Chega a ser engraçado. A Coca-Cola, inclusive, apostou na vaidade feminina e montou o <em>Camarim Coca-Cola Light</em> próximo ao Palácio dos Festivais, oferecendo às mulheres de Gramado a oportunidade de mudar o visual em menos de vinte minutos. Rápido assim mesmo. Foram disponibilizados cabeleireiro, maquiadores e até manicure no Camarim, de onde surgiram os mais variados looks, que desfilaram pela cidade, especialmente, na sexta e no sábado, quando Gramado transbordou de turistas.<br />
Eu confesso que fui até lá fazer um test-drive e adorei. Eles encharcaram meu cabelo de spray, arrepiaram de um lado a outro, no melhor estilo <strong>Giovana Antonelli</strong>, e lá fui eu, lépida e fagueira para o cinema, acompanhar a premiação.</p>
<p># A atriz <strong>Daniela Escobar</strong>, mestre-de-cerimônias do evento, deu um show de beleza e elegância no palco do Palácio dos Festivais e deixou muitas mulheres para trás com seus figurinos nas noites de exibição dos filmes. Vestindo marcas como Viva Vida e Rosa Carmim, a atriz arrasou no visual, especialmente nas noites de terça e quarta-feira. O terninho branco com detalhes nas mangas e na gola que ela usou na terça pode ser eleito, tranqüilamente, o traje mais bonito do Festival desse ano.</p>
<p># Uma divertida bolsa de vaquinha circulou por Gramado e atravessou o tapete vermelho nos seis dias de Festival. De pelos brancos com manchas pretas e duas caras de vaquinhas em miniatura no alto, a bolsa arrancou olhares por onde passou. A dona do &#8220;rebanho&#8221; chegou a encontrar um &#8220;parente&#8221; distante da bolsa no sábado à tarde: um casaco de dálmata, também de pêlos brancos com manchas pretas, que tentava passear incógnito pelo centro de imprensa.</p>
<p># O elenco do longa PROCURADAS gostou tanto do figurino do filme que resolveu repeti-lo na noite de quarta-feira, quando o longa foi exibido em competição. Uma das atrizes vestia o mesmo sutiã com camisa preta de renda usados pela personagem de <strong>Cláudia Liz</strong> no filme. Quem percebeu, não poupou a moça dos comentários&#8230;</p>
<p><strong><em>Maldade&#8230;</em><br />
Tá certo que a barriga dela é uma tábua de tão retinha, mas o corpo bonito que a Paula Burlamaqui tinha se perdeu em algum lugar por aí&#8230; No longa PROCURADAS, em que interpreta a garota de programa Isa, Paula aparece nua, mas com um corpo que parece de homem! Ombros largos, completamente sem cintura, com quadris minúsculos e coxas grossas (hiper desproporcional) e com um abdome musculoso muito esquisito, é assim que ela está atualmente. Nem mesmo de roupa dá para disfarçar. Foi o comentário da mulherada após a exibição do filme. Mas o pior é que os homens acharam lindo&#8230; Troquem de esporte, meninas, essa história de &#8220;corpão violão&#8221;, pelo visto, não está com nada na opinião masculina&#8230; </strong></p>
<p><strong><em>Maior abandonado</em></strong><br />
Apesar de ter circulado por Gramado sempre em companhia dos amigos Max Fercondini e Emílio Orciolo Neto, o ator Roger Gobeth ficou completamente abandonado na noite de quarta-feira, no Palácio dos Festivais, durante a exibição de PROCURADAS. Sentadinho na última fila do cinema, quase anônimo, Roger passou despercebido pelas fãs. O ator só foi reconhecido horas mais tarde, quando atravessou o tapete vermelho na saída do Palácio, acompanhado de Max, Emílio e uma legião de fás histéricas por fotos e autógrafos.</p>
<p><em><strong>Lima de quê, mesmo?</strong></em><br />
Enquanto esperava sua vez de ser atendida no Camarim da Coca, uma menina resolveu puxar papo comigo.<br />
ELA: Você vai hoje à noite no Ibiza (<em>danceteria famosa da serra e do litoral gaúchos</em>)?<br />
EU: Não.<br />
ELA: Vai em alguma festa?<br />
EU: Eu vou ver a premiação hoje.<br />
ELA: Que premiação?<br />
EU: Dos filmes do Festival&#8230;<br />
ELA (meio desconfiada): Ah&#8230; E onde você conseguiu ingresso?<br />
EU: Eu vou trabalhar (ela olha para a minha credencial de imprensa).<br />
ELA: Sério? Tem atores lá?<br />
EU: Deve ter&#8230;<br />
ELA: Quem?!?<br />
EU: Tem poucos esse ano&#8230; O <strong>Lima Duarte</strong> esteve aí, o <strong>Milton Gonçalves</strong>, o <strong>Rocco Pitanga</strong>, tem uns carinhas da Malhação&#8230;<br />
ELA (desfazendo a cara de &#8220;não sei de quem você está falando&#8221;): Da Malhação?!? Quem?!?<br />
EU: Ah, acho que eles não estão mais no programa, o Max Fercond&#8230;<br />
ELA: O MAX FERCONDINI?!??? Ele tá aí? Em que hotel?!?<br />
EU: Não sei, eu só vi ele aí&#8230;<br />
ELA: Mas ele já foi embora?!? Ele vem hoje?!??<br />
EU: Não sei&#8230;<br />
ELA: Será que ele vai no Ibiza?<br />
EU: Ele deve ir em alguma festa, eu acho&#8230;<br />
ELA: Qual?!?<br />
EU: Não sei, eu nem sei se ele ainda está aí, ele não tá concorrendo com nenhum filme&#8230;<br />
Nessa hora, ela é chamada pela maquiadora. Mas antes que eu tivesse chance de ficar livre do interrogatório, ela ainda pergunta:<br />
ELA: Quem mais está aí?<br />
EU (repetindo, sem conseguir lembrar de mais ninguém): Lima Duarte, Milton Gon&#8230;<br />
ELA: Esse Lima é o ‘Bonerge’ da Cabocla?<br />
Ufa!</p>
<p><strong><em>O pior de Gramado</em></strong><br />
# Não adianta. Entra ano, sai ano e as pessoas não aprendem. Sem <strong>Werner Schüneman </strong>como mestre-de-cerimônias para chamar a atenção, a platéia do cinema continuou deixando celulares ligados e atendendo a ligações durante a exibição dos filmes, na maior cara-de-pau. Infelizmente, o público de Gramado ainda merece nota zero nesse quesito&#8230;</p>
<p># Depois da meia-noite, a carruagem vira abóbora e Gramado se transforma em uma cidade fantasma. Restaurantes e lanchonetes fecham suas portas exatamente no horário em que o público está saindo do cinema, na maior disposição (e fome) para jantar fora.<br />
É simplesmente impossível encontrar um lugar decente aberto. Tudo o que resta à multidão é se aglomerar na Rua Coberta e brigar por uma mesa em um dos (pouquíssimos) restaurantes e padarias abertos por ali, tentando não se irritar (muito) com o péssimo atendimento dos estabelecimentos, em função da &#8220;casa cheia&#8221;. Parece que os comerciantes de Gramado estão muito bem na foto, para se dar ao luxo de fechar as portas e dispensar tantos clientes. É inacreditável que isso aconteça em uma cidade turística como Gramado, ainda mais em das de Festival de Cinema. Mais uma nota zero&#8230;</p>
<p># Foi bem fraca a presença de artistas em Gramado esse ano. Praticamente, os mesmos atores e atrizes circularam pela cidade e o cinema nos seis dias de Festival, a maioria sem filmes em competição. Muitos candidatos a Kikito foram embora antes mesmo da noite da premiação, como <strong>Ruth de Souza</strong> e Rocco Pitanga (respectivamente melhores atrizes e melhor ator coadjuvante por FILHAS DO VENTO) e <strong>Taís Araújo</strong> e <strong>Thalma de Freitas</strong> (melhores atrizes coadjuvantes, também por FILHAS DO VENTO) que sequer pisaram em Gramado dessa vez.</p>
<p><em><strong>Muito legal</strong></em><br />
Muitos estandes e quiosques se acomodaram na rua principal, próximo ao cinema. Além do Camarim da Coca-Cola Light, foram destaques o da Nestlé, com inúmeros chocolates, bombons, picolés e sorvetes à venda (além de degustação de chocolate para fondue) e atendentes simpáticas e atenciosas, e o estande da RGE, onde os visitantes podiam bater fotos polaroid em um cenário especial, com simulação de neve e tudo o mais. Os casais adoraram&#8230;</p>
<p><strong><em>Coisas que só acontecem em Gramado&#8230;</em><br />
# <strong>José de Abreu</strong> berrando &#8220;Jesus, Jesus&#8221; em frente ao palco do Palácio dos Festivais e incentivando o público a fazer o mesmo, quando o filme JESUS, O VERDADEIRO foi anunciado como o melhor curta em 16mm da Mostra Gaúcha. Jesus é, digamos assim, um polêmico cineasta gaúcho, tema do curta-documentário.<br />
# Ainda José de Abreu: antes de revelar o vencedor de um dos Kikitos da noite, o ator anunciou que não iria fazer discurso porque estava louco de vontade de fazer xixi&#8230; O pior é que ele realmente saiu correndo em direção ao banheiro depois&#8230;<br />
# Só em Gramado <strong>Ticiane Pinheiro</strong> é chamada de &#8220;artista&#8221; e anunciada como uma das &#8220;celebridades&#8221; presentes no Festival&#8230; </strong></p>
<p><strong><em>Atenção, organizadores do Festival&#8230;</em></strong><br />
Os mestres-de-cerimônia precisam ser melhor orientados quanto aos nomes dos concorrentes do evento. Ao anunciar os vencedores de melhor música da Mostra Gaúcha, Vírgina Novick chamou Flu e 4 Nazzo (se diz Four Nazzo) de Flu e &#8220;Quatro&#8221; Nazzo, sem entender a correta pronúncia do nome. Obviamente, ela não tinha obrigação de saber; caberia à organização tê-la informado e orientado sobre isso. Como tal não aconteceu, o fato vai acabar entrando para a história do evento, injustamente, como mais uma gafe dos apresentadores&#8230;</p>
<p> </p>
<p> </p>
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		<title>OS VITORIOSOS DE GRAMADO</title>
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		<pubDate>Sat, 21 Aug 2004 20:17:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Ricardo Kralik Angelini</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Hum, estamos ficando bons nisso, hein? Nossos palpites foram bem razoáveis&#8230; É bem verdade que foi um dos resultados mais coerentes dos últimos tempos. O crítico e jurado oficial, Rubens Ewald Filho, dizia, após a sessão de encerramento, que o júri estava preocupado até quarta-feira pela baixíssima qualidade do evento. Mas veio quinta e sexta, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Hum, estamos ficando bons nisso, hein? Nossos palpites foram bem razoáveis&#8230;<br />
É bem verdade que foi um dos resultados mais coerentes dos últimos tempos. O crítico e jurado oficial, <strong>Rubens Ewald Filho</strong>, dizia, após a sessão de encerramento, que o júri estava preocupado até quarta-feira pela baixíssima qualidade do evento. Mas veio quinta e sexta, e junto desses dias, os grandes vitoriosos da noite, em todas as categorias: FILHAS DO VENTO, VIDA DE MENINA, O CÁRCERE E A RUA, WHISKY, MOMENTO TRÁGICO e CINCO NAIPES.<br />
FILHAS DO VENTO e VIDA DE MENINA dividiram os principais prêmios na categoria nacional. Ao total, cada um dos filmes levou kikitos em 6 categorias, mas por causa de dois empates, FILHAS DO VENTO saiu com 8 kikitos nas fotografias.<br />
É sintomático que boa parte do elenco desse belo filme tenha sido premiada. <strong>Milton Gonçalves, Lea Garcia, Ruth de Souza, Taís Araújo, Thalma de Freitas</strong> e <strong>Rocco Pitanga</strong> levaram as estatuetas da serra. São seis atores negros premiados e, talvez, desses apenas Rocco não merecesse, pois as apostas eram para <strong>Northon Nascimento</strong> para coadjuvante. Mas Northon foi considerado ator principal e, desta forma, não tinha chances contra a exuberante perfomance de Milton Gonçalves (que fez um discurso longuíssimo em Gramado, belo mas que acabou cansando).<br />
O prêmio para <strong>Joel Zito Araújo</strong> também foi merecido, e ele fez uma declaração de amor para a atriz <strong>Maria Ceiça</strong>, também do filme, uma das poucas não premiadas, com direito a beijo na boca e tudo.<br />
Joel levou para a casa, ainda, o kikito de melhor filme segundo a crítica.<br />
Como disse Ewald Filho em entrevista, foi a redenção do ator negro brasileiro.<br />
Bem que o FILHAS merecia o kikito de melhor filme também, mas VIDA DE MENINA acabou levando, junto com o de roteiro, júri popular, fotografia e música.<br />
A diretora, <strong>Helena Soldberg</strong>, uma senhora muito chique, com pose de <em>socialite</em>, teve sua delicadeza e sua boa educação ressaltadas por <strong>Ludmila Dayer</strong>, atriz que carrega o filme nas costas, com ótima atuação.<br />
O prêmio de consolação para O QUINZE foi o de montagem, e o para ARAGUAYA, o especial do júri pelo resgate histórico, e eles fizeram questão de ressaltar isso, pois o filme é muito fraco, mesmo. Já PROCURADAS, desculpem o trocadilho, não achou nada. Graças, porque é muito amador para sequer estar entre os 5 finalistas.<br />
O melhor documentário foi o gaúcho O CÁRCERE E A RUA, belíssimo trabalho de <strong>Liliana Sulzbach</strong>, escolha unânime entre o júri.<br />
Entre os latinos, WHISKY foi o grande vencedor, levando os kikitos de melhor filme, atriz e o surpreendente júri popular. O argentino VEREDA TROPICAL recebeu dois kikitos muito importantes, o de melhor ator e o de melhor diretor.<br />
SUÍTE HABANA levou o prêmio da Crítica e o especial do júri.<br />
Entre os curtas, o vencedor foi o divertidíssimo MOMENTO TRÁGICO, que levou os principais prêmios da categoria: filme, direção, ator (para o impagável <strong>André Deca</strong>) e júri popular. O excelente gaúcho CINCO NAIPES fez bonito na mostra competitiva, levando os prêmios para roteiro, montagem e ator (<strong>Pedro Santos</strong>, dividindo com Deca). CINCO NAIPES foi também o escolhido pelo CANAL BRASIL, juntamente com o interessante A MOÇA QUE DANÇOU DEPOIS DE MORTA, que levou também o prêmio especial do júri.<br />
A melhor atriz foi a simpática <strong>Lala Schneider</strong>, por VOVÓ VAI AO SUPERMERCADO. O belo DESEQUILÍBRIO levou kikito de fotografia (<strong>Leona Cavalli</strong> merecia seu primeiro kikito!), CAPITAL CIRCULANTE (outro com Leona) levou música, o gaúcho MESSALINA prêmio especial do júri e HELIORAMA, o da crítica. Um parêntese: parte da crítica estava indignada com a pretensa <em>cabecice</em> na escolha, alguns se diziam envergonhados&#8230;<br />
Enfim, acabou Gramado, um pouco redimido pela quinta e pela sexta-feira, mas que deixou muitas reflexões sobre os critérios de seleção.<br />
A noite de encerramento, apresentada pela bela <strong>Daniela Escobar</strong> e pela fraquíssima <strong>Virgínia Novick</strong> (com uma dicção horrível e sem o menor jeito para leitura), deixou a todos satisfeitos, pois diferente de outros anos, não houve grandes injustiças.<br />
Ainda sobre a noite final, foi bacana a apresentação teatral inicial, remetendo às antigas salas de cinema. Mas colocar, outra vez, <strong>Fábio Barreto</strong> e <strong>Thiago Lacerda</strong> para a entrega dos prêmios mais importantes, é uma piada, ainda mais com <strong>Roberto Farias, Beth Mendes</strong> e outros mais indicados na platéia.<br />
Ah&#8230; e aguarde um dos prêmios mais esperados: a HORTÊNSIA DE PALHA, o que de pior aconteceu em Gramado. Já esqueceu o que rolou em 2003? Dá uma conferida em:</p>
<p><a class="meio" href="http://www.argumento.net/gramado/index_2003.shtml#1062269952" target="_blank">www.argumento.net/gramado/index_2003.shtml#1062269952</a></p>
<p><strong>FILMES BRASILEIROS DE LONGA METRAGEM EM 35mm:</strong><br />
1)Melhor Filme &#8211; VIDA DE MENINA<br />
2)Melhor Diretor &#8211; JOEL ZITO ARAÚJO / FILHAS DO VENTO<br />
3)Melhor Ator Coadjuvante &#8211; ROCCO PITANGA / FILHAS DO VENTO<br />
4)Melhor Atriz Coadjuvante &#8211; THALMA DE FREITAS &amp; TAÍS ARAÚJO / FILHAS DO VENTO<br />
5)Melhor Ator &#8211; MILTON GONÇALVES &#8211; FILHAS DO VENTO<br />
6)Melhor Atriz &#8211; LÉA GARCIA &amp; RUTH DE SOUZA / FILHAS DOVENTO<br />
7)Melhor Roteiro &#8211; HELENA SOAREZ &amp; HELENA SOLBERG / VIDA DE MENINA<br />
8)Melhor Montagem &#8211; LUELANE LOIOLA / O QUINZE<br />
9)Melhor Fotografia &#8211; PEDRO FARKAS / VIDA DE MENINA<br />
10)Melhor Trilha – WAGNER TISO / VIDA DE MENINA<br />
11)Melhor Direção de Arte – BETO MAINIERI / VIDA DE MENINA<br />
12)Prêmio Especial do Júri – ARAGUAYA – A CONSPIRAÇÃO DO SILÊNCIO<br />
13)Prêmio da Crítica – FILHAS DO VENTO<br />
14)Prêmio do Júri Popular – VIDA DE MENINA</p>
<p><strong>FILMES LATINOS DE LONGA METRAGEM EM 35mm</strong><br />
1)Melhor Filme – WHISKY de JUAN PABLO RABELLO &amp; PABLO STOLL<br />
2)Melhor Diretor – JAVIER TORRE / VEREDA TROPICAL<br />
3)Melhor Ator – FABIO ASTE / VEREDA tropical<br />
4)Melhor Atriz – MIRELLA PASCUAL – WHISKY<br />
5)Prêmio da Crítica – SUITE HABANA<br />
6)Prêmio do Júri Popular – WHISKY<br />
7)Prêmio Especial do Júri – SUITE HABANA</p>
<p><strong>FILME DOCUMENTÁRIO DE LONGA METRAGEM EM 35mm:</strong><br />
1)Melhor Filme – O CÁRCERE E A RUA (por unanimidade)</p>
<p><strong>FILMES DE CURTA METRAGEM EM 35mm:</strong><br />
1) Melhor Filme: MOMENTO TRÁGICO<br />
2) Melhor Diretor: CIBELE AMARAL por MOMENTO TRÁGICO<br />
3) Melhor Ator: PEDRO SANTOS por CINCO NAIPES e ANDRÉ DECA por MOMENTO TRÁGICO<br />
4) Melhor Atriz: LALA SCHNEIDER por VOVÓ VAI AO SUPERMERCADO<br />
5) Melhor Roteiro: FABIANO DE SOUZA por CINCO NAIPES<br />
6) Melhor Montagem: MILTON DO PRADO por CINCO NAIPES<br />
7) Melhor Fotografia: MARCELO TROTTA por DESEQUILÍBRIO<br />
8) Melhor Música: BERNA CEPPAS por CAPITAL CIRCULANTE<br />
9) Melhor Direção de Arte: MARNEY HEITMAN por A IDADE DO HOMEM<br />
10) Prêmio Especial do Júri: A MOÇA QUE DANÇOU DEPOIS DE MORTA e MESSALINA<br />
11) Prêmio da Crítica: HELIORAMA<br />
12) Prêmio do Júri Popular: MOMENTO TRÁGICO<br />
13) Prêmio Canal Brasil: CINCO NAIPES e A MOÇA QUE DANÇOU DEPOIS DE MORTA</p>
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		<title>APOSTANDO NOS FAVORITOS</title>
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		<pubDate>Sat, 21 Aug 2004 20:16:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Ricardo Kralik Angelini</dc:creator>
				<category><![CDATA[2004]]></category>

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		<description><![CDATA[Ok, Gramado abraça com louvor, sempre, o clichê da uma caixinha de surpresas. Todo o ano somos surpreendidos, mas não desistimos. Vamos aos palpites dos principais prêmios. FILME: Aposto todas as minhas fichas em FILHAS DO VENTO, mas VIDA DE MENINA ou O QUINZE podem beliscar. DIREÇÃO: Joel Zito Araújo, de FILHAS DO VENTO, deve [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ok, Gramado abraça com louvor, sempre, o clichê da <em>uma caixinha de surpresas</em>. Todo o ano somos surpreendidos, mas não desistimos. Vamos aos palpites dos principais prêmios.</p>
<p><strong>FILME:</strong> Aposto todas as minhas fichas em FILHAS DO VENTO, mas VIDA DE MENINA ou O QUINZE podem beliscar.</p>
<p><strong>DIREÇÃO:</strong> <strong>Joel Zito Araújo</strong>, de FILHAS DO VENTO, deve levar. Dirigiu com competência um excelente elenco. <strong>Jurandir Oliveira</strong>, de O QUINZE, filme no qual também atua, é seu maior adversário.</p>
<p><strong>ATOR:</strong> Se <strong>Milton Gonçalves</strong> não levar o kikito, vai ser difícil entender. Mas, outra vez, Jurandir Oliveira pode estragar a festa.</p>
<p><strong>ATRIZ:</strong> <strong>Ludmila Dayer</strong>, de VIDA DE MENINA, é uma boa aposta. <strong>Lea Garcia</strong> e <strong>Ruth de Souza</strong> podem ganhar juntas o prêmio, o que seria politicamente bem correto. E <strong>Soia Lira</strong>, de O QUINZE, quem sabe, também surpreenda.</p>
<p><strong>ROTEIRO:</strong> FILHAS DO VENTO, O QUINZE ou VIDA DE MENINA. Difícil.</p>
<p><strong>ATOR COADJUVANTE:</strong> Aposto em <strong>Northon Nascimento</strong>, de ARAGUAYA, filme ruinzinho que, assim, levaria um prêmio.</p>
<p><strong>ATRIZ COADJUVANTE:</strong> Boas atuações poderiam levar esse prêmio, como <strong>Taís Araújo</strong> ou <strong>Thalma de Freitas</strong> por FILHAS DO VENTO, <strong>Maria de Sá</strong>, a vovó de VIDA DE MENINA. Mas, quem sabe, uma das loiras de PROCURADAS, o péssimo filme catarinense, não leve um kikitinho de atriz coadjuvante?</p>
<p>Para os latinos: Melhor filme deve ficar com WHISKY, ou SUÍTE HABANA. O protagonista de VEREDA TROPICAL, <strong>Fabio Aste</strong>, e a atriz de WHISKY, <strong>Mirella Pascual</strong>, devem levar o de interpretação. <strong>Fernando Pérez</strong>, de SUITE HABANA, o de diretor. Roteiro para WHISKY. Mas talvez o fraco português leve algum de consolação.</p>
<p>Para documentário, os prêmios devem se dividir entre o gaúcho (belíssimo) O CÁRCERE E A RUA, de <strong>Liliana Sulzbach</strong> e MENSAGEIRAS DA LUZ, de <strong>Evaldo Mocarzel</strong>, que foi premiado ano passado com À MARGEM DA IMAGEM.</p>
<p>Entre os curtas, há sempre uma indefinição ainda maior. Mas o gaúcho CINCO NAIPES, o divertido MOMENTO TRÁGICO, o belo DESEQUILÍBRIO e a animação A MOÇA QUE DANÇOU DEPOIS DE MORTA podem ser considerados os mais fortes concorrentes.</p>
<p><strong>Júri Popular:</strong> Pelos aplausos, FILHAS DO VENTO e SUÍTE HABANA devem ganhar, certo. Curtas? MOMENTO TRÁGICO, VOVÓ VAI AO SUPERMERCADO ou CINCO NAIPES.</p>
<p>Resta esperar e torcer para os preferidos, para que as zebras não estraguem a festa.</p>
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		<title>QUINTO DIA: A NOITE COMPETITIVA</title>
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		<pubDate>Fri, 20 Aug 2004 20:15:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Ricardo Kralik Angelini</dc:creator>
				<category><![CDATA[2004]]></category>

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		<description><![CDATA[LEONA, VOVÓ E WHISKY A última noite da mostra competitiva iniciou com atraso outra vez. Prometia ser longa pois, além dos filmes, haveria a entrega dos prêmios em curta-metragens 16mm e gaúchos. DESEQUILÍBRIO abriu a noite, curta de Francisco Garcia com Leona Cavalli (que na hora da apresentação do filme, no palco, cantou uma musiquinha). [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>LEONA, VOVÓ E WHISKY</strong></p>
<p>A última noite da mostra competitiva iniciou com atraso outra vez. Prometia ser longa pois, além dos filmes, haveria a entrega dos prêmios em curta-metragens 16mm e gaúchos.<br />
DESEQUILÍBRIO abriu a noite, curta de <strong>Francisco Garcia</strong> com <strong>Leona Cavalli</strong> (que na hora da apresentação do filme, no palco, cantou uma musiquinha). É um trabalho difícil, de extrema poesia e belíssima fotografia. Narra a história de uma prostituta que se encanta por um equilibrista. Não há diálogos, apenas poemas de <strong>Augusto de Campos</strong> que permeiam esse estranho amor.<br />
O segundo curta da noite foi mais pop. VOVÓ FOI AO SUPERMERCADO é um trabalho do paranaense <strong>Valdemir Milani</strong>. Apoiado na carismática atriz <strong>Lala Schneider</strong>, o filme fala sobre uma velhinha que decide sair pelas ruas de Curitiba com um revólver na mão, a bordo de um fusca vermelho. Foi muito aplaudido, apesar do péssimo elenco coadjuvante que quase põe tudo a perder.<br />
Último longa latino em exibição, WHISKY, da dupla <strong>Juan Pablo Rebella</strong> e <strong>Pablo Stoll</strong>, premiados em Gramado por 25 WATTS, arrebatou os espectadores. O filme é um dos mais credenciados da mostra, por ter participado do <strong>Festival de Cannes</strong> e ter levado o importante prêmio <em>Um Certain Regard</em>. O filme lembra o poético ENCONTROS E DESENCONTROS, ao mostrar a solidão na vida de três personagens: um irmão que vive no Uruguai e que resolve fingir um casamento com sua funcionária de maior confiança, e o outro irmão, que vem do Brasil. É um filme de silêncios, de perdas e ressentimentos nunca ditos, sempre engolidos, que atinge uma espécie de redenção quando os três partem de Montevidéo em direção à bela praia de Piriápolis. Destaque ainda para a excelente atuação do elenco. WHISKY foi muito aplaudido pelo público e deve levar alguns kikitos.</p>
<p><strong>ZECA E A MENINA</strong></p>
<p>A segunda parte da noite iniciou com a premiação dos curtas gaúchos. O melhor em 16 mm foi JESUS, O VERDADEIRO (que concorria quase sozinho, pois os outros dois de <strong>Luiz Rangel</strong> são incrivelmente ruins). O destaque em 35mm foi INTIMIDADE, de <strong>Camila Gonzatto</strong>, que recebeu três prêmios: direção, fotografia e direção de arte. A melhor atriz foi <strong>Janaína Kremer</strong>, por CINCO NAIPES, e o melhor ator foi <strong>Artur José Pinto</strong>, por A FEIJOADA. CINCO NAIPES (que, por justiça, deveria ser mais premiado) levou ainda o prêmio de melhor roteiro. A MESSALINA ganhou melhor montagem, SINTOMAS melhor trilha e NAVE MÃE, de <strong>Otto Guerra</strong>, melhor filme gaúcho, em resultado contestado por muitos.<br />
Na 16mm nacional, destaque absoluto para NOITE DE SOL, de <strong>Marcela Arantes</strong>, que ganhou todos os prêmios (Filme, direção, roteiro, atriz), menos o de ator, que foi para <strong>Luciano Chirolli</strong>, de ATO II CENA 5.<br />
Já eram 23h20 quando o último curta foi exibido. O JAQUEIRÃO DO ZECA, mostra os encontros do músico <strong>Zeca Pagodinho</strong> no seu sítio com compositores variados, garimpando repertório para seus discos. Um trabalho comum, e desnecessário.<br />
Para terminar a noite, VIDA DE MENINA, de <strong>Helena Solberg</strong>. Os diários de Helena Morley, menina que vive em Diamantina no final do século XIX. Debochada, espirituosa, Helena ganha vida com <strong>Ludmila Dayer</strong>, que tem interpretação notável. Aliás, é ela quem carrega o filme, que é bom, mas tem um roteiro um pouco circular, situações repetitivas que acabam cansando. No elenco, ainda, <strong>Daniela Escobar, Ligia Cortez, Dalton Vigh, Camilo Bevilacqua</strong>. Destaque também para a reconstituição de época: direção de arte, figurinos e boa fotografia.<br />
Era quase uma e meia da manhã quando o Festival terminou, oficialmente. Todos estavam cansados, lembrando que assistir aos filmes, à noite, é quase com levar uma surra: ficar entre 5, 6, 7 horas sentado numa cadeira desconfortável é a prova máxima de quem ama o cinema, e o Festival de Gramado, apesar dos pesares.</p>
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		<title>QUARTO DIA: A NOITE COMPETITIVA</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Aug 2004 20:14:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Ricardo Kralik Angelini</dc:creator>
				<category><![CDATA[2004]]></category>

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		<description><![CDATA[OS BICÕES E A CIDADE A cidade de Gramado já está diferente. Como de costume, os ônibus de excursão, atrolhados de crianças e adolescentes com câmeras digitais, bloquinho na mão e muita disposição para berrar, chegaram por aqui e juntaram-se aos nativos. Gramado começa a ficar quase intransitável, com muita gente pensando nas festas e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>OS BICÕES E A CIDADE</strong></p>
<p>A cidade de Gramado já está diferente. Como de costume, os ônibus de excursão, atrolhados de crianças e adolescentes com câmeras digitais, bloquinho na mão e muita disposição para berrar, chegaram por aqui e juntaram-se aos nativos.<br />
Gramado começa a ficar quase intransitável, com muita gente pensando nas festas e nas caçadas. Parágrafo à parte. É impressionante o profissionalismo de certos bicões. Há uma turma por aqui de estudantes universitários conhecida por sua facilidade em adentrar todos os ambientes. Mas isso não seria nada de mais, não fosse a voracidade com quem eles festejam suas pequenas vitórias. A <strong>Marta Terra</strong> organizou um coquetel para o filme DIÁRIO DE UM NOVO MUNDO e lá estavam eles. Depois, na sessão oficial de cinema, comentavam muito alto para os outros amigos: <em>cara, muito sushi de graça e champagne, comi até ficar enjoado!</em>. Mas eles não são os únicos, há senhoras respeitadas na comunidade que podem ser vistas em muitos coquetéis, sentadinhas, bem vestidas, com pose de gente do cinema, bebericando e comendo sem a menor cerimônia. Coisas que habitam o folclore gramadense.<br />
Mas vamos aos filmes. Depois de um início de semana com filmes entre o mediano e o ruim (exceção para a boa produção cubana), o Festival de Gramado precisava se redimir para não deixar uma impressão tão ruim. Pois finalmente isso aconteceu.</p>
<p><strong>QUADRILHA, A MÃO E PUIG</strong></p>
<p>A programação oficial começou com inexplicáveis trinta minutos de atraso. O primeiro curta da noite foi o gaúcho CINCO NAIPES, de <strong>Fabiano de Souza</strong>, que deixou excelente impressão. A la Drumond, conta a sutil história de quatro personagens que se envolvem entre eles após a morte do catalisador da ciranda, um bissexual. Cada um deles envia uma carta, que nem sempre chega às mãos do destinatário e acaba criando pequenas e involuntárias confusões, quase todas acabando na cama. É uma obra ousada e muito bem dirigida, com um elenco coeso no qual apenas <strong>Janaína Kremer</strong> está um pouco destoada. O filme foi muito aplaudido e deve levar alguns kikitos.<br />
O segundo curta da noite foi do pessoal da USP: O LENÇOL BRANCO. Uma jovem mãe acorda com seu bebê morto em seu colo. A partir daí, ela não consegue se separar do corpo do filho, enquanto aguarda a chegada do IML. O filme paquera com o bizarro, em especial no seu final, mas tem um interessante clima psicológico.<br />
O longa latino da noite foi o argentino VEREDA TROPICAL, de <strong>Javier Torre</strong>, vencedor em Gramado anos atrás por UM AMOR DE BORGES. VEREDA conta a passagem do escritor <strong>Manuel Puig</strong> pelo Rio de Janeiro.<br />
É uma obra que aposta no carisma de seu ator principal, <strong>Fabio Aste</strong>, de excelente atuação, e que não faz muitas concessões. O diretor não se exime das aventuras homossexuais do protagonista, e mostra várias relações de Puig com os meninos do Rio. No elenco ainda a atriz brasileira <strong>Silvia Buarque</strong>. VEREDA TROPICAL tem pitadas de Almodóvar por seu visual kitsch anos 80, e teve uma ótima recepção da platéia de Gramado, apesar de ser um pouco irregular e estar muito aquém das obras-primas que o cinema argentino tem nos brindado.</p>
<p><strong>HELIO, A TERAPIA E AS DUAS IRMÃS</strong></p>
<p>Na segunda parte da noite, HELIORAMA, de <strong>Ivan Cardoso</strong>, foi a atração cabeça. Divido em quadros que mostram as loucuras de <strong>Hélio Oiticica</strong>, o filme, sem uma estrutura clássica, foi bastante aplaudido pelo inusitado.<br />
O último curta de quinta-feira foi o mais divertido até agora, MOMENTO TRÁGICO, de <strong>Cibele Amaral</strong>, também no elenco e roteirista. É sobre um casal que se separa. Desesperado, o marido pede a um amigo que faça terapia em grupo com a ex-mulher para ver se consegue informações para tê-la de volta. Isto acaba ocasionando divertidas situações, muitas regadas à <strong>Maria Bethânia</strong> e com destaque para o engraçado ator <strong>Chico Santana</strong>. Foi ovacionado; Gramado também gosta de se divertir.<br />
Para terminar a noite, veio FILHAS DO VENTO, obra com o maior elenco negro já reunido. <strong>Milton Gonçalves, Ruth de Souza, Taís Araújo, Lea Garcia, Maria Ceiça, Rocco Pitanga, Thalma de Freitas, Kadu Carneiro</strong> contam a história familiar de duas irmãs que nascem numa pequena vila do interior do Brasil e tomam rumos diferentes na vida. O diretor <strong>Joel Zito Araújo</strong> avisou que era uma obra de baixo orçamento e, por isso, a dedicação da equipe tinha sido imensa. Verdade. Apoiada em uma estrutura televisiva, é quase um novelão, mas muito competente, com belíssimas cenas, em especial por causa do excelente elenco, com destaques para Gonçalves, desde já favorito absoluto para o kikito de ator, e das irmãs Lea Garcia e Ruth de Souza. Mesmo que não fuja das lamentações sobre o racismo na televisão e na sociedade brasileiras, FILHAS DO VENTO evita o tom meramente panfletário, e constrói um excelente painel no qual o rural e o urbano entram em conflito. Os longos e calorosos aplausos do final da sessão mostram que Gramado já tem um favorito do público e da imprensa.<br />
Enfim, uma noite que recuperou um pouco a imagem quase perdida nos primeiros e fracos dias de competição.</p>
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		<title>TERCEIRO DIA: A NOITE COMPETITIVA</title>
		<link>http://www.argumento.net/festivais/festival-de-cinema-de-gramado/2004/terceiro-dia-a-noite-competitiva/</link>
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		<pubDate>Thu, 19 Aug 2004 20:13:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Ricardo Kralik Angelini</dc:creator>
				<category><![CDATA[2004]]></category>

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		<description><![CDATA[O VENTRÍLOQUO, O HOMEM E O FASCÍNIO O calor segue em Gramado, e ontem acabou provocando chuva quase a tarde inteira. O clima quente, pena, é apenas literal. As mostras competitivas continuam decepcionando. O primeiro curta apresentado na noite foi o gaúcho A FEIJOADA, dirigido por Jaime Lerner. Um elenco de nomes conhecidos dos porto-alegrenses, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>O VENTRÍLOQUO, O HOMEM E O FASCÍNIO</strong></p>
<p>O calor segue em Gramado, e ontem acabou provocando chuva quase a tarde inteira. O clima quente, pena, é apenas literal. As mostras competitivas continuam decepcionando.<br />
O primeiro curta apresentado na noite foi o gaúcho A FEIJOADA, dirigido por <strong>Jaime Lerner</strong>. Um elenco de nomes conhecidos dos porto-alegrenses, como <strong>Roberto Birindelli, Liane Venturella, Pilly Calvin</strong>, conta a história de um homem que, após uma feijoada, começa a trocar de voz com quem se aproxima. As boas dublagens garantem graça mais pelo inusitado do que pelo roteiro, que se perde absurdamente no final com discursos de bem-viver e com um desfecho desnecessário.<br />
A IDADE DO HOMEM, curta que veio a seguir, é um trabalho experimental incompreensível. Cada cena tenta mostrar a astúcia do diretor (<strong>Afonso Nunes</strong>, também roteirista), ao retalhar esses fragmentos soltos que acabam não levando a lugar algum.<br />
O longa da competição latina apresentado foi o português O FASCÍNIO, de <strong>José Fonseca e Costa</strong>. A obra, baseada em romance de <strong>Tabajara Ruas</strong>, inicia bem, com um interessante clima de mistério na reviravolta da vida de um homem de meia idade que recebe uma propriedade de herança. Ao vasculhar suas novas terras, o homem acaba deparando-se com suas origens e mergulhando num terrível pesadelo que envolve seus antepassados. O problema do filme é que ele se perde no roteiro, nos flashbacks terrivelmente amadores, e na indecisão de seguir uma linha implicitamente misteriosa ou mais policialesca. Como resultado final, fica muito abaixo das expectativas.</p>
<p><strong>A CEGA E AS DESAPARECIDAS</strong></p>
<p>Na segunda etapa da noite, a entrega do troféu <strong>Eduardo Abelin</strong> para <strong>Tizuka Yamazaki</strong>, em homenagem que não empolgou a platéia. Também foram entregues os prêmios de super8, com destaque para A ENTREGA, que levou três.<br />
O terceiro curta da noite foi também gaúcho: MESSALINA, de <strong>Cristiane Oliveira</strong>. Conta a alteração na rotina de uma cega, vivida com competência por <strong>Vanise Carneiro</strong>, depois que ela atende um telefone público que toca, insistente. A moça se faz passar por garota de programa e isso quebra a monotonia de seus dias. O roteiro é interessante e há alguns problemas de direção que não chegam a comprometer. Como resultado, foi o curta mais aplaudido até agora. Mesmo assim, a mostra desse ano está bem mais fraca do que a do ano passado.<br />
O longa que encerrou a noite foi PROCURADAS, uma produção catarinense mais falada por aqui pelo seu time de loiras do que por expectativas positivas. Pois venceu a obviedade. Entrou na tela um dos piores filmes brasileiros já colocados em competição aqui em Gramado. PROCURADAS parece <strong>Linha Direta</strong>, aquele programa global com reconstituições toscas. O elenco de beldades (<strong>Rita Guedes, Paula Burlamaqui, Cláudia Liz</strong>), lindas mas apenas medianas, nada pode fazer com um roteiro tão mal construído, uma direção tão preguiçosa e uma produção tão amadora. É triste falar assim de um filme nacional, ainda mais vindo aqui do lado, dos nossos irmãos catarinenses, mas PROCURADAS é uma grande piada, que fez a crítica sair da sala do cinema aturdida, questionando os critérios da seleção de Gramado.<br />
O filme foi o primeiro a ser vaiado esse ano, com toda a justiça. Não tanto pela equipe, que pouco pôde fazer com tal orçamento reduzido, mas pelo absurdo de ser colocado na seleção oficial.<br />
Mas sejamos otimistas&#8230; as coisas só podem melhorar.</p>
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		</item>
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		<title>PAPO RÁPIDO: JOANA LIMAVERDE</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Aug 2004 20:12:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Ricardo Kralik Angelini</dc:creator>
				<category><![CDATA[2004]]></category>
		<category><![CDATA[Joana Limaverde]]></category>

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		<description><![CDATA[No saguão do Centro de Imprensa, a bela Joana Limaverde bate um papo com o argumento.net. A Fabiana de Celebridade, que esteve recentemente em Porto Alegre com a peça Arlequim, está pela segunda vez na serra gaúcha. Argumento: Joana, primeira vez em Gramado? Joana Limaverde: É a segunda vez, eu estive aqui em 2000 também. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No saguão do Centro de Imprensa, a bela <strong>Joana Limaverde</strong> bate um papo com o argumento.net. A Fabiana de <strong>Celebridade</strong>, que esteve recentemente em Porto Alegre com a peça <strong>Arlequim</strong>, está pela segunda vez na serra gaúcha.</p>
<p><strong><em>Argumento</em></strong>: Joana, primeira vez em Gramado?<br />
<em><strong>Joana Limaverde</strong>: É a segunda vez, eu estive aqui em 2000 também. </em></p>
<p><em><strong>Argumento</strong>: Como você está sentindo o clima do Festival?<br />
<em><strong>Joana Limaverde</strong>: Maravilhoso, maravilhoso. A gente encontra pessoas bacanas, interessantes, faz bons contatos, vê filmes, experiencia coisas novas e ainda por cima se diverte! É tudo de bom. </em></em></p>
<p><em><strong>Argumento</strong>: Algum projeto com cinema?<br />
<em><strong>Joana Limaverde</strong>: Eu fiz um curta-metragem, na verdade eu dirigi e roteirizei, e estou aqui justamente para fazer contatos que possam me ajudar a finalizá-lo. </em></em></p>
<p><em><strong>Argumento</strong>: Você esteve recentemente em Porto Alegre com a peça <strong>Arlequim</strong>, como foi a experiência?<br />
<em><strong>Joana Limaverde</strong>: Ah, foi maravilhoso. E eu já estou com outra peça, que se chama <strong>Babá</strong>, do <strong>Juca de Oliveira</strong>, direção da <strong>Bibi Ferreira</strong>. A gente está excursionando pelo interior de São Paulo, em outubro a gente vai para o Rio de Janeiro e eu estou louca pra gente poder vir pra cá, pro Sul. </em></em></p>
<p><em><strong>Argumento</strong>: Pro Theatro São Pedro?<br />
<em><strong>Joana Limaverde</strong>: Nossa, aquele teatro é lindo. Foi uma das maiores emoções da minha vida me apresentar ali. </em></em></p>
<p><em><strong>Argumento</strong>: E tem alguma coisa pintando para a TV?<br />
<em><strong>Joana Limaverde</strong>: Não, por enquanto eu quero me dedicar para o teatro e para finalizar meu filme.<br />
</em></em></p>
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		<title>SEGUNDO DIA: A NOITE COMPETITIVA</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Aug 2004 20:11:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Ricardo Kralik Angelini</dc:creator>
				<category><![CDATA[2004]]></category>

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		<description><![CDATA[CHEGANDO NA SERRA Depois de arrumar as malas para subir a serra, e de ser brindado por um motorista barbeiro da Carris, de Porto Alegre, que bateu no meu carro (detalhe: estava parado) – o que atrasou em duas horas a minha vinda a Gramado: polícia, perícia e outros detalhes –, mas que, por sorte, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>CHEGANDO NA SERRA</strong></p>
<p>Depois de arrumar as malas para subir a serra, e de ser brindado por um motorista barbeiro da Carris, de Porto Alegre, que bateu no meu carro (detalhe: estava parado) – o que atrasou em duas horas a minha vinda a Gramado: polícia, perícia e outros detalhes –, mas que, por sorte, não ocasionou nada de muito grave, cheguei a Gramado no segundo dia.<br />
Calor, movimento mediano, credenciamento&#8230; A segunda noite era reservada para a estréia da competição de curtas, e para homenagear <strong>Lima Duarte</strong>.</p>
<p><strong>O CAPITAL, A MOÇA E HAVANA</strong></p>
<p>Ponto a favor. O Festival está mais ágil. As sessões começam um pouco mais cedo e os intervalos não são mais tão longos como em outros anos. Ponto contra: espera-se, às vezes, quase uma hora para o uso de um computador aqui na sala de imprensa. Reclamações à vista, já que a fila de credenciados não pega bem, muito menos os comentários que se escutam. O Festival precisa, urgente, aumentar o número de computadores. 15 é muito pouco. Mas enfim, após conseguir um, vamos à segunda noite.<br />
Poucos sentados na platéia para assistir aos curtas. <strong>Caio Blat</strong> era uma presença quase solitária nos melhores lugares do cinema, aqueles reservados à imprensa mais de peso, convidados e artistas.<br />
CAPITAL CIRCULANTE foi o primeiro curta exibido. Produzido de forma independente, tem uma qualidade técnica notável. No elenco, figuras conhecidas como <strong>Leona Cavali, Marcos Caruso e Ricardo Blat</strong>. A história de um carro importado que é roubado, várias vezes na mesma noite, tem roteiro e direção de <strong>Ricardo Mehedff</strong>. Um filme divertido, ligeiro, mas que tem um final previsível.<br />
Em seguida, A MOÇA QUE DANÇOU DEPOIS DE MORTA. É uma animação adaptada de uma história de cordel de J. Borges, que segundo o próprio curta, foi comparado a <strong>Picasso</strong> pelo <strong>New York Times</strong>. O filme, de temático muito brasileira, tem ritmo peculiar, momentos divertidos, mas é um pouco cansativo e repetitivo.<br />
O primeiro longa da noite foi o cubano SUITE HABANA, de <strong>Fernando Pérez</strong>, uma ousada produção que aposta nas imagens de Havana e em uma dezena de personagens cubanos, que não sabemos ao certo se são reais ou inventados. Para acompanhar as cenas que mostram uma Cuba devastada pela pobreza, mas ao mesmo tempo esperançosa, apenas a trilha e o som ambiente. Mas paradoxalmente, são os silêncios a maior força do filme: o silêncio de um olhar perdido, de um sorriso para alguém que se ama, de um gesto, de um toque. Mesmo que por vezes seja um pouco monótono, SUITE HABANA conquistou a platéia, e foi muito, mas muito aplaudido.</p>
<p><strong>LIMA E A GUERRILHA</strong></p>
<p>A segunda parte da noite teve uma invasão de público e fotógrafos. Tudo para Lima Duarte, que recebeu o Troféu Oscarito e, de brinde, uma aclamação da platéia. Fez um discurso simples e bonito, referindo-se a suas humildes origens, à figura do pai e até de <strong>Brizola</strong>.<br />
Em seguida, mais curtas. CARREGAR UMA CRIANÇA, de <strong>Bruno Carneiro</strong> &#8211; que teve uma boa estréia, aqui em Gramado, anos atrás, com o belo O TEMPO DOS OBJETOS – conta três histórias paralelas, todas passadas à noite, numa estrada: um casal jovem que discute após a gravidez da menina, um caminhoneiro que fala sozinho sobre os presentes para uma menina (filha?) e uma família pobre que caminha pela estrada, cheia de filhos pequenos. É previsível mesmo dentro da sua imprevisibilidade. De uma certa maneira, lembra o ESTRADA, de <strong>Jorge Furtado</strong> (um dos curtas de FELICIDADE É&#8230;), porque sabemos ser óbvio que ali não haverá lugar para uma tragédia, mesmo que o roteiro insista em anunciá-la. Desta forma, o final acaba sendo frustrante.<br />
O quarto curta em competição da noite foi FELICIDADE, uma engraçada e inconseqüente brincadeira com um casal nu, em cima daquelas pedras famosas em Floripa, berrando aos céus, de forma agressiva, como eles são felizes. No elenco, <strong>Austregésilo Carrano</strong>, do livro <em>Bicho de sete cabeças</em>, personagem real que foi vivido por <strong>Rodrigo Santoro</strong> no cinema.<br />
O segundo longa exibido na noite foi o brasileiro ARAGUAYA – A CONSPIRAÇÃO DO SILÊNCIO, que retrata os conflitos entre um pequeno grupo de guerrilheiros acampado na Amazônia e o exército, nos anos 70. Apesar de seu elenco com bons nomes como <strong>Northon Nascimento, Françoise Forton, Danton Mello, Fernando Alves Pinto</strong> e até do francês <strong>Stephane Brodt</strong>, o filme dirigido por <strong>Ronaldo Duque</strong> revela-se uma decepção. O roteiro é ingênuo e transforma os guerrilheiros em tipos esquemáticos, com diálogos constrangedores e datados ao estilo: <em>vamos mudar o mundo, lutando por uma sociedade mais justa e igualitária</em>. Em contrapartida, os militares são malvados, muito malvados, esterotipados. O maniqueísmo talvez pudesse ser justificado porque a fonte, alegada pela produção, vem apenas do PC do B, já que os militares recusam-se a tratar do tema. De qualquer forma, era possível escapar de passagens tão mal construídas. Os personagens ficam soltos na história, por vezes somem, depois reaparecem. Há pulos no roteiro que tiram toda a emoção, e de uma cena para outra já vemos um personagem preso, sem nem termos visto ele ser capturado. Muita gente foi embora, e quem ficou, retribuiu com aplausos burocráticos. De qualquer forma, vale a aposta de um kikito de ator coadjuvante para Northon Nascimento, que tem uma boa atuação no filme mas, muito mais que isso, vem de uma vitória pessoal notável, após um transplante de coração. Northon, nos créditos, foi mais aplaudido que o próprio filme.<br />
Sessão acabando um pouco mais cedo, nem meia-noite, mas ainda restam algumas tietes nervosas pelas estrelas, que estão escassas esse ano em Gramado.<br />
Amanhã tem mais.</p>
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