// arquivos

OU SOMBRA

Esta categoria contém 14 artigos

A morte a cada dia que amanhece

Pontada fina no peito, tenho tido com freqüência. Semana que vem vou ao médico, sem falta. Da última vez que eu fui acharam uma mancha preta no meu pulmão, fiquei com medo e não voltei na semana seguinte como o médico tinha mandado. Devia ter voltado, mas tive medo. Logo depois da pontada, três bêbados [...]

ESQUINAS

Acabou. Conclui ao abrir a janela em um dia chuvoso de verão. Em um dia triste, com meu coração mais triste que o dia, minha alma se partiu como um vaso vazio que escapa das mãos descuidadas de alguém. Mas minha alma já não chora. E no meu coração, dividido em dois, as duas metades [...]

PONTO. NOVA LINHA

“Parece incrível ainda estar vivo quando já não se acredita em mais nada. Olhar, quando já não se acredita no que se vê. E não sentir dor nem medo porque atingiram seu limite. E não ter nada além deste amplo vazio que poderei preencher como quiser ou deixá-lo assim, sozinho em si mesmo, completo, total. [...]

NÃO É AMOR EM BUENOS AIRES

“Num deserto de almas também desertas. uma alma especial reconhece de imediato a outra” (Aqueles dois – Caio Fernando Abreu)   Início de tarde, e o sol refletia em cada centímetro daquela praça. Mas não fazia calor. Um vento vinha rasgando a movimentação naquela cidade e arrepiava minha pele cada vez que batia um pouco mais [...]

ME CONTA AGORA COMO HEI DE PARTIR

Se nós, nas travessuras das noites eternas Já confundimos tanto as nossas pernas Diz com que pernas eu devo seguir (Chico Buarque – Eu te amo)    Ela queria. Sempre quis, embora, de um jeito não muito efetivo, repudiasse a idéia. Desde o começo, por saber da queda imprescindível que encontraria logo adiante e da [...]

A MORENA DA RUA AUGUSTA

“Somos muito Severinos iguais em tudo na vida: na mesma cabeça grande que a custo se equilibra, no mesmo ventre crescido, sobre as mesmas pernas finas, e iguais também porque o sangue que usamos tem pouca tinta. E se somos Severinos iguais em tudo na vida, morremos de morte igual, mesma morte severina: que é [...]

ALGO QUE SE INSTALE NA ALMA

Sentei na mesa mais no canto que consegui encontrar. Ergui a mão lentamente: – Um café por favor. Uma garçonete loira, peituda veio correndo trazer um café. – Ela é gostosa pra caralho – disse ele. E não sei porque, mas lembrei do Holden quando ele falou isso. A garçonete inclinou-se pra frente fazendo questão [...]

GARÇOM, SEM GELO, POR FAVOR!

Ele trazia no peito o peso de um caso de amor fracassado. E eu trazia nas mãos uma carreira de escritor promissora, ou pelo menos era isso que me diziam. Mas não nos encontramos de imediato. E, talvez, melhor assim, pois se seus olhos me tocassem logo no primeiro instante em que entrei naquele bar, [...]

LÍRIOS

Espero te alcançar. Não pude escrever nada antes de agora, pois não alcançava o estado para escrever. Hoje alcancei, talvez pelo dia onze de dezembro e a madrugada me matando. E pensei que espero que meu estado de agora, que o meu escrever te alcance de alguma forma. Espero poder te alcançar. E quando digo [...]

O AMOR É UMA TRAGÉDIA

Meus dedos encostaram nos teus como se aquilo fosse um acidente premeditado. Acidente porque nós já havíamos tentado amar uma vez e sabíamos que seria impossível que tivesse nos sobrado alguma força para tentar de novo. Sabíamos do erro, da imprecisão, sabíamos que não deveria ser. Acho que se fôssemos comparar, meu amor foi maior [...]