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LAMBIRINTE-ME

Esta categoria contém 19 artigos

SEM PALAVRAS

Digo gota Mas sinto oceano

MAS NADA QUE…

Se achava que reescrevia   nova história Sobre os já idos sedimentos Vejo revelando                    a lágrimas meu próprio palimpsesto.   Ai, sem formalidade! Devia mesmo é virar   a louca cínica Atirar merda Botar fogo sair              às gargalhadas. Falta merda e cinismo.

CARTA PERDIDA

Num canto da calçada da R. Hoffmann, sombreada por uma parede velha de retintos descascados, havia uma folha de papel dobrada. Poderia ser mais um papel jogado e esquecido, derretido por chuvas ou varrido pelos garis da cidade, não fosse minha curiosidade, dizem uns feminina. Talvez porque aquela folha estava assim limpinha, dobrada não a [...]

UM POUCO DE BOTÂNICA FAMILIAR…

Castro é uma cidadezinha muito charmosa. Ao voltar das minhas férias passadas lá, olho para as fotos que tirei e penso nas várias qualidades desse lugar desconhecido por tantos: a arquitetura portuguesa no centro da cidade, as colônias de imigrantes europeus, os tantos museus e casas culturais, as quedas d’água e canyons, assim como a [...]

PESADELO

Sim, tive um! Sonhei que abria um envelope e desdobrava um papel, no qual estava escrito:   OBJETO DE ESTUDO DA LINGUÍSTICA   Eu não sabia muito bem o que fazer com aquilo, pois uma frase assim, solta, sem verbo, sem contexto, sem imperativo, direção nem pista funde a cabeça duma pessoa. Mesmo em sonho. [...]

MORAR SÓ

Moro sozinha há algum tempo. Ainda estou em fase de adaptação, aprendendo a conviver somente com minha sombra.   Morar só tem suas maravilhas e dores. É preciso estar atento a isso, antes de tentar um voo solo. Nem tudo são flores na vida a um. O fotógrafo Peter J. Wilson já mencionou algo a [...]

É AQUELE NÃO

É aquele não-sei-o-que que me assalta às vezes. Ultimamente várias vezes. Um não-sei-o-que composto de tanta coisa que a gente sabe, sim, mas que quando começa a enumerar, acaba se perdendo na conta naquela massa amorfa vulcânica mental que não dá pra digerir.   Estado, esse, gera um senso de protelação de todas as atividades [...]

FINITO

Ô, dia! Dia de nada Dia sem dia Caixa vazia! E ainda assim Menos um dia.

RIP

RIP   Sim, é triste enterrar flores. Mas é mais triste Regá-las mortas.

CONTINHO EM SI MAIOR

Quando se apaixonava ouvia sons musicais. Róseos acordes bemóis. Mas não se dava conta disso. Quando o conheceu, o mundo ficou então mais colorido e sonoro, só que a vida dela deixou o pianíssimo de lado para alternar-se entre staccatos e quiálteras de um relacionamento um tanto conturbado. Se dependesse dela, tudo pra eles seria [...]