Ah a exaustão que escorre das nuvens – mais café para descobrir a cor da indecisão que envolve cada instante da liberdade que perfuma o ar que se respira (…). Ato nenhum é premeditado essa noite e tudo já foi dito em uma tarde da primavera ou em uma noite do inverno – tudo, exceto [...]
Uma leve impaciência mesclada (…). Os lírios na janela telada suavizam a temperatura da alta madrugada (…). Tudo é silêncio adocicado no ar perfumado que envolve o quarto lilás (…). Uma leve impaciência mesclada, uma breve indecisão adocicada, tanto faz (…). A gata deitada na almofada no chão retém olhares atenciosos por alguns momentos (…). [...]
Já falei da perplexidade latente que ameaça os olhos da gata? É que nada, nada, nada volta como já foi um dia – por mais que minha cabeça gire enquanto permaneço deitada e quieta esperando. Esperando que todo o álcool evapare da taça de vinho ao invés de absorver cada instante de pura perplexidade latente. [...]
Uma certa incapacidade em administrar o tempo que flutua em suaves prestações – uma tola incapacidade de permanecer acordada diante das injustiças corriqueiras (…);-/ Fechando os olhos para sentir o tempo correndo em suaves prestações que se bifurcam em sensações preciosas de intensidades variadas ;-)) Silêncio para observar os tons e gradações do tempo correndo [...]
Ah se algumas nuvens fossem feitas de silêncios – e se a outra metade das estrelas fosse feita de gestos dóceis ou profundos. E se a gata branca tomasse um banho cheio de estrelas caindo gota a gota repletas de gestos dóceis ou profundamente concisos e repletos de delicadeza permanente. Mas a sutileza não reina [...]
Ouvir a própria respiração enquanto toda a concentração se dispersa ao redor da lâmpada azul – ah a chuva que cai lá fora desaloja as implicâncias mútuas (…). Tudo é silêncio dentro das diferenças comportamentais da lua em relação às estrelas que povoam a noite que cabe em uma página de livro inacabado (…). Frases [...]
Não vou falar da chuva que teima em espalhar nicotina em meus canteiros de flores mal dormidas (…). Tulipas, orquídeas, rosas brancas ou vermelhas, camélias, gardênias – elas jamais dormem (…). Sempre despertas, sempre alertas, porém sempre desatentas e alheias – observando o mundo através de sensações mais do que puras sem racionalizar as imagens [...]
Tudo bem, vou descer as escadas e procurar todos os sentidos perdidos dentro das conchas que se dissolvem a cada despertar (…). A gata branca se escondeu dentro do armário onde moram as palavras bêbadas de vinho do Porto misturado às cápsulas cor de rosa com curto prazo de validade (…). Remédios, ah remédios, remédios [...]
Dentro da piscina aquecida nadam abelhas e caracóis. O gato cor de caramelo espia os caracóis fumando capim-cidreira enrolado em seda transparente. Três borboletas observando a gata branca que pensa se mergulha na piscina ou se bebe mais um café ou quem sabe uma taça de vinho. A gata branca nada observa nem espia ninguém [...]
A insanidade que mora nas orelhas do cavalo branco (…), – jogue fora todas as palavras compartilhadas com o vento frio. Trancar as portas agora – guarde toda a incoerência na gaveta de lingeries. E os sonhos – tão divididos quanto a lua. Não se esqueça de tirar a cinta-liga do varal onde pendurei duas [...]