Aprendi a desaprender. Criança que volta a andar em bicicleta com rodinhas. Aprendi a me fragmentar. Recolhia a todo instante pedaços de mim com o mesmo senso de novidade de quem separa as roupas para lavar. Aprendi a não acreditar. A ter certeza de que tudo é incerto, de que tudo é efêmero, de que [...]
37,8. A pele estica-se, arrepia-se. Avermelho-me. O corpo cansado, a cabeça perdida entre pensamentos não claros. 38.2. O mercúrio avança, cruel. A garganta seca, dói. Em chamas. Sinto um quase borbulhar no sangue que agora corre raivoso, soltando gases tal qual lava. Sinto-me em erupção. Um incêndio interno sem possibilidades de apagamento. Não me [...]
Porque eu sou do tamanho do que vejo E não do tamanho da minha altura… Ricardo Reis/Fernando Pessoa O meu mundo amplia-se. Amplifica-se. Desafia-me. As cores com as quais nos acostumamos acabam ganhando um matiz mais forte: saturadas. Serão necessários novos olhos para que encaremos as novas paisagens que se agitam como arte impressionista? [...]
Todos os dias eu chego em casa com as mesmas sacolas, como se carregasse minha vidinha comum naqueles plásticos, como se levasse ali dentro a pequenez dos meus dias que se repetem. Tiro de lá minha sopa em envelope, dois pãezinhos francês, uma garrafa de vinho barato e uma barra de chocolate. Todos [...]
Domingo abafado, final de tarde. Poucos se arriscam a enfrentar o calor e o céu com cara de tempestade. A corrida na pista interna da Redenção é meu hábito diário, mas no sábado e no domingo, o lugar é quase terra de ninguém. Praticantes de exercícios de final de semana invadem aquela pista sem perceber [...]
Minha rua foi invadida por penas. Veja bem, a minha rua não é uma bucólica ruazinha porto-alegrense repleta de árvores e velhinhas simpáticas sentadas na calçada, abanando para crianças que passeiam, marotas, em suas bicicletas. Não. Minha rua é uma avenida movimentada, um dos eixos a ligar diferentes zonas da capital, onde todos têm pressa. [...]
Se uma gaivota viesse Trazer-me o céu de Lisboa No desenho que fizesse, Nesse céu onde o olhar É uma asa que não voa, Esmorece e cai no mar… (Alexandre O’Neill) (Ao som de Amália) São os gritos das gaivotas – e como gritam as gaivotas – o som de que mais me [...]
A primeira vez que eu vi achei algo prosaico. A segunda, tendência? O fortão entrou na academia pedindo licença para a namorada vê-lo treinar. A moça da recepção não sabia muito bem o que dizer, deu um sorriso amarelo, mas talvez quisesse falar para a guria: “Mas tu não tem mais nada para fazer na [...]
Mais de 50 toneladas de equipamento, um time de mais de 120 pessoas. 300 mil watts de potência de som e 260 mil watts de iluminação, o que garantiria energia suficiente para iluminar quase 100 casas. Tudo é grandioso na megaturnê da banda norte-americana Black Eyed Peas: The End. Will.i.am, Taboo, Apl.de.ap e Fergie [...]
Uma vez um professor de religião disse, em sala de aula, que o uso da aliança no dedo era importante apenas para “prestar contas” para a sociedade. É claro que muitos enrugaram a testa e sabatinaram o mestre sobre disparatada afirmação, mas, pensando bem, para que serve a aliança? Tenho pensado nisto tudo ultimamente [...]