// arquivos

ABISMADA

Esta categoria contém 43 artigos

não há tempo de espera

não há tempo de espera
é preciso parir o sol
 
o dia abraça com mãos de homens
não existem nuvens
 
um sopro arrebenta o silêncio
suspende o ar
engole o grito
 
a vida prenhe
a casa muda
 
o céu é laranja
e arde
 

nos teus olhos azuis impossíveis

nos teus olhos azuis impossíveis
nos teus verdes de loucura
eu me perco
desafino
num sem ritmo
desatino
em madrugada e mentiras
sempre baile
sempre sina
o que importa
se é só corpo ou poesia
sou cretina
sou devassa
abisma

miro-te assim rico

miro-te assim rico
assim raro
ramo riso rosa
ode em fúria triunfal
(Roma me tem amor)
em tudo o rimar
e teu nome na areia

O que fazer se é obscuro

 

Azar…
O que fazer se é obscuro
o meu desejo
como você
arredio e secreto
entre chaves e cacos
se te quero assim objeto
espelho em que me miro
tua versão fraturada?
 
(Fito canta enquanto rasgo a palavra)

areia que se dissolve entre os dedos

Areia que se dissolve entre os dedos
e espalha-se redemoinho furioso
antes lama
agora lâmina
transparente corpo em que reflito
no espelho, a ampulheta

quando passa a tempestade

Quando passa a tempestade
A calmaria dos longos abraços
Sete cores, vivas cores
Brisa morna, bom mormaço
 
 
A maresia, sal
Amar é sina, mal
A maré, a maré
Amar é bom, Amar é tão
Amar quente e fundo
Há mar dentro da gente

um caso com as palavras

um caso com as palavras
apaixonada é diminutivo
amor, substantivo próprio
teu predicado, minha oração
 
uma vida de advérbios
tudo sem nexo
 
incoerente tecido que me faz
sujeito elíptico

ai, quanta pretensão

Ai, quanta pretensão
Acreditar que poderia
Seqüestrar meu coração
 
Mas tenho passos largos
Fugi, mesmo carente
Guardei-me em meus armários,
Protegida de seus dentes
No escuro às vezes sinto
As grades de suas garras
E os gostos dos seus ais
 
Mas agora tanto faz
No silêncio do meu peito
Já morreram os lamentos
Não há cantos, nem há fadas
Nem você existe mais
 
Mas agora tanto faz
Eu vôo sobre o [...]

um cinzeiro me olha provocante

um cinzeiro me olha provocante
ele é vazio
como todas as nossas vontades
um bibelô partido fere os dedos
a música não toca pra silenciar nós
sofrimento a conta-gotas
a tatuagem desbota sob o sol

tudo é tão vão

tudo é tão vão
um prato de sopa sem letras
um anjo de louça quebrado
vassoura que embala a dança
um velho livro de postais
cheiros cítricos e amarelos
teu coração de papel
um retrato entre os outros na parede
olhares de Frida Kahlo
cadeira de balanço sem coberta
pia cheia, cama vazia
lua sem gatos no telhado
um apito que acorda a madrugada
e esse samba que [...]