palavra escrita pequenina
ao lado do teu peito
eu suspeito que te amo
você suspira enluarado
se eu fosse bicho
te unhava, arrancava um pedaço
ou então te devorava
te enredava na minha teia
me enrolava no teu corpo e sufocava
se eu fosse bicho, nem falava
só olhava armando bote
atacava
tempo de respirar?
não dava.
tavas morto se não visse
que tinha bem do teu lado
um poderoso bicho
armadura
duríssima casca
madrepérola
máscara
imaculada
se não fosse câncer
seria certamente virgem
sua concha
tudo sempre morre
o que resta é saudade
depois suave impressão
pinceladas foscas no vazio
colorindo nada
tudo sempre nasce
até onde há sal
e deserto
é sempre a mesma gota
a igual adaga que fere
o tal veneno
que matam de forma idêntica
mil vezes singular
Tanto vaguei pelo deserto
seca e sem asas
cega de areia e sal.
Teu fim atravessou meu começo
e te perpetuo em verbo
infinito
oásis verde
sereno espelho
sutil inundação
grandes são os Desertos
profundos os Abismos
sinônimos sinais
infinitos
olhos imensos e escuros guardam
todas as minhas dúvidas em suas certezas
travessia.
adeus
ponteiros de horas mal-dormidas
bola em manhã de domingo
chupetas, calcinhas, coelhos da Páscoa
tiaras de princesa
rosas
ursos cheio de pó
um travesseirinho que cheira
boneca
mechas de sol
litros de leite e sal
os olhos de vidro
um céu de brigadeiro
uma panela azul e imensa pra comer de colher
com uma das mãos
(a outra segura a sua)
assim bonito
assim brisa
assim manso
(secretamente guardando os impossíveis)
feliz, sempre
te hago mio
cuando en cantos
digo que te quiero
me haces tuya
cuando en noche oscura
platea en mi cuerpo la luna
te hago mio
me haces tuya
y todas las cosas son una
las manos, el pecho, lo vacio