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AS NOSSAS COLUNAS

Esta categoria contém 122 artigos

vácuo

Caminante, son tus huellas el camino, y nada mas; Caminante, no hay camino; se hace el camino al andar. Al andar se hace camino Y al volver la vista atras se ve la senda que nunca se ha de volver a pisar. Caminante, no hay camino, si no estelas en la mar.  (Antonio Machado y [...]

deglutição

Não tenho medo Do que quer dizer  Aquilo que digo Quando no raso  Alguma palavra  Em saliva ondula Pendula líquida Leva e traz ainda  Da beira do dente  Mais pela frente  Até o siso tocar Presa na garganta  Como um silêncio Ao outro, rasa  Ela não canta Diz-se muda  Quanto mais profunda. Não tenho receio [...]

O CALOR DE OLHARES GULOSOS

Ah a doçura que invade o aroma de café com bolo de laranja nas tardes de domingo. Desembaraçando os fios após lavar os cabelos em um banho repleto de sutilezas envolventes. É proibido fumar degustando um licor enquanto a criminalidade passeia impunemente pelas ruas – mas em refúgios isolados faz-se como quiser e não há [...]

cruzaríamos o Pacífico

cruzaríamos o Pacífico não fossem as rotas alteradas e as dorsais pontiagudas das palavras. em arquipélagos deixaríamos nossa bagagem não fossem as ataduras da pele e suas esquinas imóveis ou a pontuação ártica de nossos chakras. reduziríamos à estepe-superfície todas as florestas equatoriais dos cílios não fossem os grãos de deserto guardados dentro dos bolsos. [...]

UM FÍSICO NO DIVÃ – PARTE TRÊS

- Qual foi mesmo o nome que ele deu para esse sonho? – O Relógio do Mundo. – Interessante. E o desenho também é dele? – Sim. Aliás, há algum tempo ele está desenhando seus sonhos. – Interessante. Erna Rosembaum e Carl Jung estavam confortavelmente sentados em duas poltronas no aconchegante escritório deste último. Na [...]

dois gatos

No vão daquela hora Em que a noite desaba Sobre o dia enegrecido Resta um outro segundo Para o tempo do mundo Guardar vocês dois Noutra madrugada No meio do nada Pelas ruas vazias Encharcadas de sereno Sobre alguns gramados Em todos os telhados Um deles é branco Outro é preto Todos pardos.

A BRISA DAS MADRUGADAS

A insanidade se refrescando dentro da geladeira abre suas asas ao redor da embalagem de sorvete de chocolate branco e o transtorno alimentar engatinha até a porta do banheiro trancado. O sabor de ilusão de cada descoberta gentil sobre as sensações guardadas dentro da memória descompromissada. Não há nenhum compromisso excedente com a realidade das [...]

do fundo

do fundo de mim a voz que se arrasta trôpega enche de letras o silêncio a tela fria de um computador nela me jogo sem medo da queda ainda que o coração como liquidificador bata tudo separado a voz o silêncio lá no fundo fica tudo liquidificado sobre o computador jogado sobre a tela sobre [...]

UM FÍSICO NO DIVÃ – PARTE DOIS

- O que você sente quando é grosseiro com seus colegas? – perguntou a médica. – Em primeiro lugar, não vejo como possa ser grosseria dizer a verdade. Meus colegas são cientistas – físicos –, assim como eu, portanto, devem estar preparados para ouvir a verdade. Em segundo lugar, se os trabalhos que eles me [...]

TEMPORADA DE VERANEIO

A leitura de “era uma vez um verão”, na Zero, de domingo passado, levou-me para o chalé de madeira com um avarandado ao redor, onde seis crianças brincavam até tarde da noite, enquanto os pais jogavam “buraco” e a vó guardava as roupas lavadas e secas no arame dos fundos da casa. Entre eles, lá [...]