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	<title>Argumento.net &#187; 2007</title>
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	<description>CADA ARGUMENTO NO SEU GALHO</description>
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		<title>A CASA</title>
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		<pubDate>Sun, 04 May 2008 03:44:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Ricardo Kralik Angelini</dc:creator>
				<category><![CDATA[2007]]></category>
		<category><![CDATA[CENA CRÍTICA]]></category>
		<category><![CDATA[TEATRO]]></category>
		<category><![CDATA[A casa de Bernarda Alba]]></category>
		<category><![CDATA[Decio Antunes]]></category>
		<category><![CDATA[Espanha]]></category>
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		<category><![CDATA[Garcia Lorca]]></category>
		<category><![CDATA[Sílvia Canarim]]></category>

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		<description><![CDATA[Habitación blanquísima del interior de la casa de Bernarda. Muros gruesos. Puertas en arco con cortinas de yute rematadas con madroños y volantes. Sillas de anea. Cuadros con paisajes inverosímiles de ninfas, o reyes de leyenda. Es verano. Un gran silencio umbroso se extiende por la escena. Al levantarse el telón está la escena sola. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Habitación blanquísima del interior de la casa de Bernarda. Muros gruesos. Puertas en arco con cortinas de yute rematadas con madroños y volantes. Sillas de anea. Cuadros con paisajes inverosímiles de ninfas, o reyes de leyenda. Es verano. Un gran silencio umbroso se extiende por la escena. Al levantarse el telón está la escena sola. Se oyen doblar las campanas.</em></p>
<p>Um dos projetos vencedores do Fumproarte da Prefeitura de Porto Alegre em 2006, A CASA é um exemplo de dinheiro público muito bem investido. Com a direção teatral do experiente <strong>Decio Antunes</strong>, direção coreográfica da bailarina de flamenco <strong>Sílvia Canarim</strong> e direção musical de <strong>Felipe Azevedo</strong>, o espetáculo de <em>Danza-Teatro Flamenca</em> é baseado na obra <em>A casa de Bernarda Alba</em>, do poeta espanhol <strong>García Lorca</strong>.</p>
<p>Todos os silêncios que movem a casa onde moram Bernarda e suas cinco filhas, numa época de forte repressão na Espanha, são interrompidos pela força dos sapatos das bailarinas em cena. Bernarda declara um luto de oito anos forçado para a família. Cada uma delas, a seu modo, tenta sobreviver na clausura. Adela (<strong>Maria Albers</strong>, excelente), a mais jovem, transborda uma sensualidade reprimida, trancafiada na casa, sempre observada pela severa mãe e pelas outras irmãs.</p>
<p>A docilidade de Adela contrasta com o ritmo forte do flamenco, que surge de uma maneira muito bem dosada, com belas coreografias. Cada uma das filhas tem sua expressão transformada em dança, e todas são vigiadas pela autoritária mãe, interpretada com competência por Sílvia Canarim, com um pesado e belo figurino negro e uma bengala que também pontua a coreografia. Homogêneas, todas as bailarinas (<strong>Iandra Cattani</strong>, <strong>Daniele Zill</strong>, <strong>Rita Zanini</strong>, <strong>Jacqueline Ferreira</strong>) defendem muito bem suas personagens.</p>
<p>Outro destaque do espetáculo é a belíssima música, executada ao vivo, criada por Felipe Azevedo. Com percussão, violoncelo, guitarra flamenca, violão e a possante voz de <strong>Thaís Rosa</strong>, a trilha é também esqueleto do show, com brilhantes momentos que dialogam com o movimento das bailarinas.</p>
<p><em>En ocho años que dure el luto no ha de entrar en esta casa el viento de la calle. Haceros cuenta que hemos tapiado con ladrillos puertas y ventanas</em>.</p>
<p>Decio Antunes consegue criar, a partir do próprio espaço onde o espetáculo é encenado – a casa onde fica a sede do Instituto dos Arquitetos do Brasil – uma forte tensão nos movimentos das bailarinas. Todo o ambiente compactua para tal, em especial o abre e fecha das pesadas janelas. Há outras ótimas idéias em cena, como as aberturas laterais, onde surgem sombras das bailarinas e do único personagem masculino da peça, Pepe (<strong>Adriano Ferreira</strong>), que auxilia ainda mais na desestabilização da família. Merecem comentários à parte dois belos momentos do espetáculo: aquele quando cruzes descem do alto com vestidos negros do luto e a bonita metáfora do novelo de lã vermelho em meio ao negro.</p>
<p><em>Ya no aguanto el horror de estos techos después de haber probado el sabor de su boca. Seré lo que él quiera que sea. Todo el pueblo contra mí, quemándome con sus dedos de lumbre, perseguida por las que dicen que son decentes, y me pondré delante de todos la corona de espinas que tienen las que son queridas de algún hombre casado.</em></p>
<p>Porém, é a descida ao inferno a maior das metáforas. A intensidade da peça, já se encaminhando ao seu final, explode quando o público é convidado a circular pelas entranhas da casa – as entranhas da própria família. A descida aos porões tem um peso maior, se pensarmos que aquele espaço também guarda a pesada memória da nossa própria ditadura militar, pois foi triste cenário do DOPs. Falar mais sobre todo este ato final é estragar as fortes surpresas que o espetáculo apresenta, mas vale sublinhar a intensidade de Sílvia nos últimos ecos de sua Bernarda atravessando a maior das dores.</p>
<p>É facilitada a tarefa de indicar um espetáculo em cartaz em Porto Alegre quando percebemos que o público sai tocado do mesmo. A força da repressão, ontem ou hoje, sempre traz a triste evidência das dores não gritadas, dos medos escondidos, das vontades reprimidas. A CASA consegue, sem palavras, dizer tudo e muito mais que isso. Uma bela opção para quem está cansado da mesmice cultural na capital dos gaúchos.</p>
<p><em>La muerte hay que mirarla cara a cara. ¡Silencio! ¡A callar he dicho! ¡Las lágrimas cuando estés sola! ¡Nos hundiremos todas en un mar de luto!</em></p>
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		<title>A ILHA DESCONHECIDA</title>
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		<pubDate>Sat, 15 Sep 2007 16:17:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Ricardo Kralik Angelini</dc:creator>
				<category><![CDATA[2007]]></category>

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		<description><![CDATA[(São Paulo) Texto: adaptação do conto de José Saramago Direção: Marcelo Lazzaratto Elenco: CIA Elevador Panorâmico Disparate, já não há ilhas desconhecidas, Quem foi que te disse, rei, que não há ilhas desconhecidas Não é fácil adaptar uma obra literária para o teatro. Mais difícil é adaptar uma obra de José Saramago para o teatro. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>(São Paulo)</p>
<p><strong>Texto:</strong> adaptação do conto de José Saramago<br />
<strong>Direção:</strong> Marcelo Lazzaratto<br />
<strong>Elenco:</strong> CIA Elevador Panorâmico</p>
<p><em>Disparate, já não há ilhas desconhecidas, Quem foi que te disse, rei, que não há ilhas desconhecidas</em></p>
<p>Não é fácil adaptar uma obra literária para o teatro. Mais difícil é adaptar uma obra de José Saramago para o teatro. Ainda mais complicado é adaptar uma obra literária de José Saramago para o teatro infanto-juvenil. Merecem, pois, todos os elogios a adaptação primorosa que faz o grupo paulista CIA Elevador Panorâmico para o belo <em>O Conto da Ilha Desconhecida</em>.</p>
<p>A história de Saramago é metafórica: a obsessão de um homem, que supera todo o tipo de burocracia e de descrença para partir em busca de uma ilha desconhecida. Transpor tamanha carga poética para o palco exige um absoluto domínio das linguagens (literária e teatral), e isso o grupo mostra desde as primeiras cenas.</p>
<p>Dividida em dois atos, o primeiro apresenta um cenário inventivo. Há três portas (a das petições, a das decisões e a dos obséquios) em diferentes níveis no palco, interligadas por caixas que se fazem de degraus. A mulher da limpeza, aquela que abre a porta das petições, recebe o pedido do popular e repassa-o aos funcionários do rei. Aqui, o corpo burocrata ganha a interessante imagem de uma <em>Mahakala</em>, aquela figura mitológica indiana de seis braços. As três atrizes separam-se desse corpo e compõem uma espécie de telefone sem fio, até as notícias chegarem ao rei. É nesta parte que o espetáculo ganha em visual, em ação dramática, para agradar aos pequenos, que interagem com os atores. Interessante igualmente a maneira como o povo é retratado ao oferecer presentes ao rei, todo o dia, na porta dos obséquios. Vários atores multiplicam-se no palco e mostram as sutilezas, de forma criativa, desse pagamento.</p>
<p>É quando surge a figura do homem que pede um barco. Ele desafia as normas e ali espera, até ter um encontro com o rei em pessoa. O povo surpreende-se com a coragem do outro e, ao mesmo tempo, irrita-se com a falta de piedade do rei, que não lhe atende. Depois da pressão popular, o rei volta atrás e resolve conversar com o homem.</p>
<p><em>Todas as ilhas, mesmo as conhecidas, são desconhecidas enquanto não desembarcarmos nelas</em></p>
<p>Com inventividade, o palácio é transformado, enquanto a música pop de <strong>Moby</strong> surge em cena, no cais, ou melhor, na caravela que é palco do segundo ato. A partir dali, a peça ganha contornos mais abstratos, mais maduros, ainda assim prendendo a atenção das crianças que estavam na platéia.</p>
<p>A mulher da limpeza segue o homem que queria um barco. Nasce o casal metafórico de Saramago nessa espécie de nova arca de Noé. No segundo ato, os atores coadjuvantes que cercam o casal servem, vez que outra e alternadamente, de narradores, numa espécie de coro grego. Bela é a cena do sonho, brilhantemente arranjada no palco, com um final tocante, quando toda a tripulação – no sonho – decide abandonar o navio. Mais uma trilha pop e uma iluminação pulsante fazem a platéia arrepiar-se.</p>
<p><em>Quero encontrar a ilha desconhecida, quero saber quem sou eu quando nela estiver, Não o sabes, Se não sais de ti, não chegas a saber quem és</em></p>
<p>Os momentos finais, de extrema doçura, mostram a paixão nascer entre o homem e a mulher, que mesmo sozinhos, pois ninguém compra a idéia de acompanhá-los até a ilha desconhecida, não desistem de suas metas. Uma canção que surge no sonho ecoa na última cena, quando todos os atores cantam. O homem e a mulher dão nome ao barco: A Ilha Desconhecida. Partem em busca de si mesmos, numa viagem que carrega, junto, todos aqueles que decidiram embarcar, num sábado chuvoso de Porto Alegre, em seus próprios sonhos.</p>
<p><em>Pela hora do meio-dia, com a maré, A Ilha Desconhecida fez-se enfim ao mar, à procura de si mesma</em>.</p>
<p>Em uma adaptação fidelíssima do texto de Saramago, e com a rara proeza de possuir tantos níveis de compreensão que são possíveis diferentes leituras, seja do público infanto-juvenil, seja do público adulto, A ILHA DESCONHECIDA consegue ser essa deliciosa mistura que resulta numa aventura poética inesquecível. Com ótima atuação do elenco, é mais uma mostra dos tantos acertos que é esse PORTO ALEGRE EM CENA 2007, seguramente uma das mais fortes edições entre todas as 14.</p>
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		<title>EDMOND</title>
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		<pubDate>Sat, 15 Sep 2007 16:14:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Ricardo Kralik Angelini</dc:creator>
				<category><![CDATA[2007]]></category>

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		<description><![CDATA[(São Paulo) Texto: David Mamet Direção e Espaço Cênico: Ariela Goldmann Elenco: Marco Antônio Pâmio, André Persant, Eliana César, Ithamar Lembo, Jairo Pereira, Malu Bierrenbach, Martha Meola, Tatiana Thomé. Ator especialmente convidado: Walter Breda A vida reserva gratas surpresas para Edmond, tão logo ele visita uma cartomante. A vidente vê no homem um brilho extremo, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="color: #000000;"><br />
</span><span style="font-size: 11pt; color: #000000; font-family: Verdana;">(São Paulo) </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto;"><strong><span style="font-size: 11pt; color: #000000; font-family: Verdana;">Texto:</span></strong><span style="font-size: 11pt; color: #000000; font-family: Verdana;"> David Mamet<br />
<strong>Direção e Espaço Cênico:</strong> Ariela Goldmann<br />
<strong>Elenco:</strong> Marco Antônio Pâmio, André Persant, Eliana César, Ithamar Lembo, Jairo Pereira, Malu Bierrenbach, Martha Meola, Tatiana Thomé.<br />
Ator especialmente convidado: Walter Breda </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto;"><span style="font-size: 11pt; color: #000000; font-family: Verdana;"><br />
A vida reserva gratas surpresas para Edmond, tão logo ele visita uma cartomante. A vidente vê no homem um brilho extremo, e diz que ele está acomodado, está no lugar errado. Quantas vezes também nós não pensamos: <em>Será que este é mesmo o melhor caminho?</em>. Pois Edmond encara com seriedade as previsões da cartomante e parte para as mudanças: a primeira é quando abandona a mulher. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto;"><span style="font-size: 11pt; color: #000000; font-family: Verdana;">Edmond, começa, então, sua própria via-crúcis, enfrentando inusitadas situações que viram sua vida de cabeça para baixo. No caminho, o personagem destila preconceito contra negros, mulheres, gays, e pouco a pouco começa a engolir cada despropósito dito. Ainda que não seja de todo original, o texto de <strong>David Mamet</strong> tem uma ironia que flui. Há diálogos brilhantes sobre questões simples, e há diálogos simples, muito verossímeis, sobre questões profundamente filosóficas. Junto a isso, a situação parece sempre limite, muitas vezes propositadamente exagerada, como que testando a (falta de) habilidade de Edmond em conviver com as diferenças. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 12pt; mso-margin-top-alt: auto;"><span style="font-size: 11pt; color: #000000; font-family: Verdana;">Parte da força do espetáculo vem com a extraordinária atuação de <strong>Marco Antônio Pâmio</strong>, que passeia entre a apatia e a fúria de maneira muito competente. O ator recebeu alguns prêmios por este trabalho, como o APCA de melhor ator. Mas justiça seja feita: todo o elenco de apoio também segura com força seus personagens. São mais de vinte cenas num ritmo acelerado que remete ao cinema, inclusive com insinuações de cortes e tomadas muito bem elaborados, apoiados por uma boa iluminação. EDMOND é um espetáculo inteligente e simples, com toda sua força centrada simplesmente na palavra do ator no palco. </span></p>
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		<title>ANGU DE SANGUE</title>
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		<pubDate>Sat, 15 Sep 2007 16:14:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Ricardo Kralik Angelini</dc:creator>
				<category><![CDATA[2007]]></category>

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		<description><![CDATA[(Pernambuco) Texto: Marcelino Freire Direção: Marcondes Lima Elenco: André Brasileiro, Fábio Caio, Gheuza Sena, Hermylla Guedes e Ivo Barreto O cinema e a música de Pernambuco há muito deixaram de ser manifestações curiosas, folclóricas, para o olhar do resto do Brasil e se instalaram como pontos altos de uma cultura forte, que alia o popular [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="color: #000000;"><br />
</span><span style="font-size: 11pt; color: #000000; font-family: Verdana;">(Pernambuco) </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto;"><strong><span style="font-size: 11pt; color: #000000; font-family: Verdana;">Texto:</span></strong><span style="font-size: 11pt; color: #000000; font-family: Verdana;"> Marcelino Freire<br />
<strong>Direção:</strong> Marcondes Lima<br />
<strong>Elenco:</strong> André Brasileiro, Fábio Caio, Gheuza Sena, Hermylla Guedes e Ivo Barreto </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto;"><span style="font-size: 11pt; color: #000000; font-family: Verdana;">O cinema e a música de Pernambuco há muito deixaram de ser manifestações curiosas, folclóricas, para o olhar do resto do Brasil e se instalaram como pontos altos de uma cultura forte, que alia o popular a uma estética renovada. BAILE PERFUMADO, AMARELO MANGA, ÁRIDO MOVIE, DESERTO FELIZ, <strong>Otto, Mundo Livre S/A, Nação Zumbi, Cordel do fogo encantado</strong> são apenas alguns dos exemplos. Para nós, aqui da ponta sul do Brasil, faltava a oportunidade de conferir como anda o nível teatral dos pernambucanos. Faltava, pois ANGU DE SANGUE, participante desta edição do Porto Alegre Em Cena, veio e incendiou o Teatro Renascença. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto;"><span style="font-size: 11pt; color: #000000; font-family: Verdana;">Belo, poético, visceral. Adjetivos soam como clichês para tentar caracterizar o espetáculo de <strong>Marcondes Lima</strong>. Enquanto a platéia se acomoda, cinco sacos de lixos no palco. A luz apaga, os sacos movimentam-se. Os atores estavam ali, todo o tempo, ensacados. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto;"><span style="font-size: 11pt; color: #000000; font-family: Verdana;">Nove histórias de <strong>Marcelino Freire</strong> formam o esqueleto de ANGU DE SANGUE. São visitas à marginalidade, à solidão humana, ao desespero urbano. Em <em>Faz de conta que não foi. Nada</em> todos os cinco atores no palco, dessincronizados, relatam a tragédia de um menino de rua assassinado. Em <em>Muribeca</em>, com soberba atuação de <strong>Fábio Caio</strong>, uma mulher faz sua declaração de amor a um lixão; horror e riso misturados na platéia. <em>Volte outro dia</em> é o ponto fraco do espetáculo, pois não tem o brilho no texto nem uma atuação inspirada de <strong>André Brasileiro</strong> que, por sua vez, arrebenta como um gay nostálgico em <em>A volta de Carmem Miranda</em>, um dos mais divertidos momentos. <strong>Hermilla Guedes</strong> (O CÉU DE SUELI, DESERTO FELIZ) faz uma menina que quer se livrar de seu bebê em <em>O caso da menina</em> e participa da mais terrivelmente bela das esquetes: <em>Socorrinho</em>. Hermilla canta, quase um RAP, quase um poema, a história de uma menina de seis, sete anos que foi seqüestrada e violentada. No outro lado do palco, Fábio Caio manipula uma pequena boneca sem rosto. Tão simples e tão comovente. <strong>Gheuza Sena</strong> é outro ponto alto nas suas duas participações: <em>Daluz</em>, uma mulher que se orgulha de ter dado todos os seus filhos, e o divertido <em>The End</em>. Neste, pega um homem na platéia e, de surpresa, tira seu sapato e faz o seu pé. A pedicure discorre sobre uma outra mulher que acredita que os norte-americanos são superiores em tudo. Completa os quadros a que dá nome à peça. Em <em>Angu de sangue</em>, <strong>Ivo Barreto</strong> faz um homem que relaciona um assalto com o fim de um grande amor.<br />
A décima história, não escrita por Freire, é <em>Perna</em>, baseada em fato real e homenagem a um homossexual assassinado aos dezenove anos. É um filme que recebe uma platéia barulhenta e preconceituosa – todos os cinco atores – numa construção na qual o riso é constrangedor. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 12pt; mso-margin-top-alt: auto;"><span style="font-size: 11pt; color: #000000; font-family: Verdana;">Cantado no palco, dançado, com imagens num telão, ANGU DE SANGUE mistura diferentes linguagens e é um sopro nas quadradinhas produções teatrais. A platéia do Teatro Renascença assistiu àquela que será, com certeza, um dos destaques de toda a mostra.</span></p>
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		<title>BIG IN BOMBAY</title>
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		<pubDate>Sat, 15 Sep 2007 16:13:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Ricardo Kralik Angelini</dc:creator>
				<category><![CDATA[2007]]></category>

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		<description><![CDATA[(Alemanha)Coreografia e direção: Constanza Macras Bailarinos: Zaida Ballesteros, Knut Berger, Nir De-Volff, Daniel Drabek, Fernanda Farah de Souza, Jared Gradinger, Margret Sara Guðjónsdóttir, Claus Erbskorn, Jill Emerson, Rahel Savoldelli   Este texto poderia começar assim: Constanza Macras, argentina radicada na Alemanha há mais de dez anos, traz a Porto Alegre BIG IN BOMBAY, um espetáculo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: 11pt; color: #000000; font-family: Verdana;">(Alemanha)<span style="font-size: 11pt; color: black; font-family: Verdana;"><strong>Coreografia e direção</strong>: Constanza Macras<br />
<strong>Bailarinos</strong>: Zaida Ballesteros, Knut Berger, Nir De-Volff, Daniel Drabek, Fernanda Farah de Souza, Jared Gradinger, Margret Sara Guðjónsdóttir, Claus Erbskorn, Jill Emerson, Rahel Savoldelli</p>
<p></span></span></p>
<p> </p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto;"><span style="font-size: 11pt; color: #000000; font-family: Verdana;">Este texto poderia começar assim:<br />
<strong>Constanza Macras</strong>, argentina radicada na Alemanha há mais de dez anos, traz a Porto Alegre BIG IN BOMBAY, um espetáculo virtuoso, excelente crítica aos <em>mass media</em> e às relações humanas, extrapolando os limites do real e adentrando no campo onírico. No palco, bailarinos-cantores-atores revezam-se num movimentar-se <em>non sense</em> provocativo. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto;"><span style="font-size: 11pt; color: #000000; font-family: Verdana;"><br />
Este texto poderia começar assim:<br />
BIG IN BOMBAY é um exemplo do pós-moderno pretensioso. Embalado por canções indianas e pops, com coreografia (?) irritantemente repetitiva e apoiado em <em>gags</em> ingênuas, o espetáculo é cansativo e circular: não chega a lugar algum. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto;"><span style="font-size: 11pt; color: #000000; font-family: Verdana;">Mas este texto começará assim:<br />
Talvez a melhor fala de BIG IN BOMBAY é aquela, no segundo ato, quando se diz que: <em>BIG IN BOMBAY é um espetáculo que não pode ser explicado; ele tem que ser vivenciado</em>. Ok, ainda que seja um clichê que os moderninhos adoram dizer, neste específico caso é verdade. E como todas as vivências, o espetáculo dirigido e coreografado por <strong>Constanza Macras</strong>, argentina radicada na Alemanha há mais de dez anos, passeia pelo tédio, mas também surpreende e encanta em algumas partes. Não-linear, com movimentos repetitivos, muitas vezes enfadonhos, assumidamente <em>non sense</em>, BIG IN BOMBAY tem a cara do Porto Alegre em Cena, mostra na qual o experimentalismo muitas vezes ganha o espaço dos rotineiros caça-níquel que nos visitam durante o decorrer do ano. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto;"><span style="font-size: 11pt; color: #000000; font-family: Verdana;">O cenário: uma espécie de sala de espera de uma estação de metrô (?), de uma repartição pública (?), enfim, uma grande sala retangular, envidraçada, cujo teto também é um espaço aproveitado. Há uma banda ao vivo, que executa músicas indianas, norte-americanas e de várias outras etnias. No palco, quase vinte atores-bailarinos executam personagens que assumem certos estereótipos: temos a loirinha que faz de tudo para dar certo na carreira, a latina <em>caliente</em> que passa boa parte transando com o indiano sarado, o diretor histriônico, a neurótica, etc. Claro que tudo pode ser também suposições, pois o roteiro não é palpável. São pequenas esquetes intercaladas com música, algumas cantadas ao vivo. As histórias não obedecem a nenhuma lógica, e são enriquecidas (ou confundidas?) com o uso de imagens em um telão. Parece melhor do que de fato é. O espetáculo poderia ser mais curto, ah, isso é verdade. Para vencer o primeiro ato, são necessárias doses extras de paciência e de esperança de que tudo possa melhorar. Mais da metade do Teatro do Sesi, porém, não teve tal paciência, pois <em>fugiu</em> tão logo o primeiro ato terminou, sendo necessário uma moça falar ao microfone: <em>Haverá intervalo de vinte minutos.</em> Eles sabiam, claro. Foram embora por outros motivos. </span></p>
<p><span style="font-size: 11pt; color: #000000; font-family: Verdana; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-bidi-font-family: 'Times New Roman'; mso-ansi-language: PT-BR; mso-fareast-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA;">Contudo, não sei se recompensa pela paciência ou porque as coisas acabam por se acomodar mesmo, mas o segundo ato é muito superior ao primeiro, tendo boas sacadas cênicas e, no mínimo, dois excelentes números musicais: aquele dos murmúrios e o da <strong>Nika Costa</strong>. Os aplausos enlouquecidos no final do espetáculo também eram esperados, já que tudo o que se mostra alternativo ganha a simpatia de uma platéia, digamos, mais refinada em termos teatrais. Nem 8 nem 80. Certamente BIG IN BOMBAY é polêmica, e isso não é gratuito. Também precisamos desse tipo de experiência. Mas se esperava muito mais do que aquele subjetivismo poético e hermético que <strong>Gerald Thomas</strong> já fazia (e irritava) nos anos 80. </span></p>
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