<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Argumento.net &#187; PORTO ALEGRE EM CENA</title>
	<atom:link href="http://www.argumento.net/categoria/cena-critica/teatro/festivaisteatro/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://www.argumento.net</link>
	<description>CADA ARGUMENTO NO SEU GALHO</description>
	<lastBuildDate>Thu, 09 Feb 2012 18:28:07 +0000</lastBuildDate>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=3.1</generator>
		<item>
		<title>DOLOR EXQUISITO</title>
		<link>http://www.argumento.net/cena-critica/teatro/festivaisteatro/poa-em-cena-2011/dolor-exquisito/</link>
		<comments>http://www.argumento.net/cena-critica/teatro/festivaisteatro/poa-em-cena-2011/dolor-exquisito/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 22 Sep 2011 17:26:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Ricardo Kralik Angelini</dc:creator>
				<category><![CDATA[POA EM CENA 2011]]></category>
		<category><![CDATA[Dolor exquisito]]></category>
		<category><![CDATA[Emilio García Wehbi]]></category>
		<category><![CDATA[Maricel Alvarez]]></category>
		<category><![CDATA[Sophie Calle]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.argumento.net/?p=4969</guid>
		<description><![CDATA[&#62;&#62;&#62; DOLOR EXQUISITO (Argentina) Direção: Emilio García Wehbi Com: Maricel Alvarez “En 1984 gané una beca para ir a Japón durante tres meses. Partí de París el 25 de octubre, sin saber que esa fecha marcaba el comienzo de 92 días de cuenta regresiva hacia el final de una historia de amor, nada fuera de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&gt;&gt;&gt; <strong>DOLOR EXQUISITO</strong> (Argentina)</p>
<p>Direção: <strong>Emilio García Wehbi</strong></p>
<p>Com: <strong>Maricel Alvarez</strong></p>
<p>“En 1984 gané una beca para ir a Japón durante tres meses. Partí de París el 25 de octubre, sin saber que esa fecha marcaba el comienzo de 92 días de cuenta regresiva hacia el final de una historia de amor, nada fuera de lo común, pero en ese entonces lo viví como el día más infeliz de toda mi vida&#8221;.</p>
<p>A artista francesa <strong>Sophie Calle</strong> causou polêmica quando expôs a dor do abandono, ao dar vida às suas memórias em <em>Dolor exquisito</em>, livro e exposição multimídia nos quais abriu o coração já recuperado da perda de um grande amor, após uma viagem de longa estada ao Japão. Isso aconteceu nos anos 80, mas foi nos anos 2000 que tudo veio a público.</p>
<p>O festejado diretor teatral argentino, Emilio García Wehbi, e a atriz <strong>Maricel Alvarez</strong> (que apareceu para o mundo com o ótimo BIUTIFUL, de <strong>Alejandro Iñarritú</strong>, fazendo par com <strong>Javier Bardem,</strong> em atuação premiada), resolveram refazer a trajetória de Sophie e criar seu próprio caminho de perdas.</p>
<p>Com o argumento de que tentaria retomar as andanças de Sophie Calle no Japão, esta mulher parte e, numa retrospectiva, fala desses dias distantes, que se tornam vazios ante a saudade e o pressentimento da perda de um grande amor.</p>
<p>O cenário é asséptico, todo branco, quase um ambiente hospitalar para mostrar a mulher que relata suas experiências. Uma estante com bonecos, objetos,<em> souvenirs</em> da viagem. Duas poltronas brancas, numa delas um boneco no qual serão projetados depoimentos de pessoas respondendo a: <em>qual foi a maior dor que você já sentiu em sua vida?</em> Na outra poltrona, Maricel Alvarez brilha como a apaixonada que se arrepende de ter passado noventa dias no Oriente. Mostra fotografias da viagem, emociona-se, ri, sempre mostrando os dias que faltam antes da DOR. O público divide-se entre essas imagens projetadas e a atriz, correndo o risco de perder a sutileza de atuação de Alvarez se muito se fixar nas belas fotos.</p>
<p>Na segunda parte do espetáculo, o relógio corre para outro lado. Cada dia posterior ao abandono desse amor traz um distanciamento da dor. A mesma história é contada algumas vezes. Entre elas, os depoimentos tristes de pessoas que também sofreram perdas. O interessante é que, a cada recuperação do que aconteceu com aquela mulher, algumas informações são omitidas. De início, todo um sofrimento para contar que esse amor comprou passagens e hotel na Índia para um reencontro, mesmo na véspera manteve-se firme no plano, até o momento em que a mulher recebeu um bilhete no aeroporto de Nova Deli avisando de que ele não viria.</p>
<p>Da dor à superação. Se chega a ficar previsível o final do texto, em nenhum momento a soberba atuação de Maricel Alvarez torna o espetáculo cansativo, dominando a plateia com sua voz e suas expressões faciais. Por ser asséptico, não há uma grande identificação entre o sentimento que essa mulher passa e o público. Não haverá lágrimas de tristeza, apenas o reconhecimento de uma ex-apaixonada que reconstrói seu ponto de vista sobre esse amor. E isso também é compartilhar a dor.</p>
<p><strong><em>Dolor exquisito</em></strong> é teatro de primeira qualidade.</p>
<p>(* * * * &#8211; <strong>)</strong></p>
<p>Argumento.net é veículo oficialmente credenciado ao <a href="http://www2.portoalegre.rs.gov.br/poaemcena/">PORTO ALEGRE EM CENA</a></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.argumento.net/cena-critica/teatro/festivaisteatro/poa-em-cena-2011/dolor-exquisito/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>NINGUÉM FALOU QUE SERIA FÁCIL</title>
		<link>http://www.argumento.net/cena-critica/teatro/festivaisteatro/poa-em-cena-2011/ninguem-falou-que-seria-facil/</link>
		<comments>http://www.argumento.net/cena-critica/teatro/festivaisteatro/poa-em-cena-2011/ninguem-falou-que-seria-facil/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 20 Sep 2011 14:07:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Ricardo Kralik Angelini</dc:creator>
				<category><![CDATA[POA EM CENA 2011]]></category>
		<category><![CDATA[Alex Cassal]]></category>
		<category><![CDATA[Felipe Rocha]]></category>
		<category><![CDATA[Ninguém falou que seria fácil]]></category>
		<category><![CDATA[Renato Linhares]]></category>
		<category><![CDATA[Stella Rabello]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.argumento.net/?p=4966</guid>
		<description><![CDATA[&#62;&#62;&#62; NINGUÉM FALOU QUE SERIA FÁCIL (Rio de Janeiro) Direção: Alex Cassal Com: Felipe Rocha, Renato Linhares e Stella Rabello Três atores no palco em um faz de conta de criança. Faz de conta que você é a nossa filha, diz a mulher para o marido. Relutante, decide não representá-la, e entra em cena o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&gt;&gt;&gt; NINGUÉM FALOU QUE SERIA FÁCIL (Rio de Janeiro)</p>
<p>Direção: <strong>Alex Cassal</strong></p>
<p>Com: <strong>Felipe Rocha, Renato Linhares e Stella Rabello</strong></p>
<p>Três atores no palco em um <em>faz de conta</em> de criança. <em>Faz de conta que você é a nossa filha</em>, diz a mulher para o marido. Relutante, decide não representá-la, e entra em cena o terceiro, barbudo, fazendo essa menina de três anos. O marido agora também quer ser a menina. Brigam. Brincam. Uma história se emenda na outra, num processo de inventividade imaginativa em que qualquer um pode ser qualquer coisa. Não é essa a essência do teatro?</p>
<p>O título de espetáculo parece brincar com a aparente linearidade esperada pelo público comum: sentados em sua poltrona, dentro de uma zona de conforto, aguardam um texto com início, meio e fim, com personagens bastante delineados, atores competentes e uma impressão do real. Talvez uma fuga da rotina massacrante em hora e meia de escape. Não é isso o que oferece a equipe <em>Foguetes Maravilha</em>. Também nesse nome, o lado lúdico que é explorado à exaustão – vamos brincar de cabaninha? De índio? Me conta uma história?</p>
<p>São muitos esses fios narrativos que se emaranham – do casal que perde a filha de três anos à carente ricaça que se casa com um cara que pulou na sua sala (a explicação de como isso aconteceu é absurda e genial), da menina de três anos que cresceu (mas que ainda usa chupeta) ao índio que quer contar uma história mais criativa que o próprio pai da garota. O pai olha o nativo e berra que ninguém disse que haveria índio naquela história. Personagens se fundem, se confundem. A certa altura, o marido beija a esposa e o terceiro avisa: <em>ei, ela é a sua filha</em>.</p>
<p>Tudo pode. Brincadeira do Calvin, invencionices divertidas, mas que teriam a sustentabilidade de um castelo de cartas não fosse o dinamismo do texto e a excelência do trio de atores, em especial da dupla masculina, que tem mais espaço para ousar, para mostrar sua versatilidade. Aliás, <strong>Felipe Rocha</strong> é o dono da palavra. Ele é o autor da inteligente montagem, bem dirigida por <strong>Alex Cassal</strong>.</p>
<p>O único detalhe é que a peça acaba caindo numa própria armadilha que ela mesma criou. Esse jogo alucinado possui momentos de freagem que quase tiram o público dos trilhos. Alguns instantes em que o que é mostrado parece um bocadinho repetitivo ou por demais forçado, mas em seguida a trinca consegue outra vez captar a atenção da plateia e fazer com que nos esqueçamos desses pequenos percalços. Ninguém falou que seria fácil, mas foi inteligente e divertido.</p>
<p>(* * * &#8211; -)</p>
<p>Argumento.net é veículo oficialmente credenciado ao <a href="http://www2.portoalegre.rs.gov.br/poaemcena/">PORTO ALEGRE EM CENA</a></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.argumento.net/cena-critica/teatro/festivaisteatro/poa-em-cena-2011/ninguem-falou-que-seria-facil/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>PTERODÁTILOS</title>
		<link>http://www.argumento.net/cena-critica/teatro/festivaisteatro/poa-em-cena-2011/pterodatilos/</link>
		<comments>http://www.argumento.net/cena-critica/teatro/festivaisteatro/poa-em-cena-2011/pterodatilos/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 19 Sep 2011 01:57:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Ricardo Kralik Angelini</dc:creator>
				<category><![CDATA[POA EM CENA 2011]]></category>
		<category><![CDATA[Álamo Abib]]></category>
		<category><![CDATA[Daniela Thomas]]></category>
		<category><![CDATA[Felipe Abib]]></category>
		<category><![CDATA[Felipe Hirsch]]></category>
		<category><![CDATA[Marco Nanini]]></category>
		<category><![CDATA[Mariana Lima]]></category>
		<category><![CDATA[Pterodátilos]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.argumento.net/?p=4961</guid>
		<description><![CDATA[&#62;&#62;&#62; PTERODÁTILOS (Rio de Janeiro) Direção: Felipe Hirsch Com: Marco Nanini, Mariana Lima, Álamo Facó e Felipe Abib Um dos espetáculos mais elogiados – e premiados – da temporada visitou Porto Alegre: Pterodátilos. O texto do americano Nicky Silver traz uma acidez em que muitos espectadores podem se afogar. Não há praticamente nenhum diálogo em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&gt;&gt;&gt; <strong>PTERODÁTILOS</strong> (Rio de Janeiro)</p>
<p>Direção: <strong>Felipe Hirsch</strong></p>
<p>Com: <strong>Marco Nanini, Mariana Lima, Álamo Facó</strong> e <strong>Felipe Abib</strong></p>
<p>Um dos espetáculos mais elogiados – e premiados – da temporada visitou Porto Alegre: <strong><em>Pterodátilos</em></strong>. O texto do americano <strong>Nicky Silver</strong> traz uma acidez em que muitos espectadores podem se afogar. Não há praticamente nenhum diálogo em que sobreviva o politicamente correto e a concórdia.</p>
<p>Ainda que a metáfora vamos-desenterrar-o-esqueleto-de-pterodátilo-que-está-embaixo-da-nossa-sala seja um tanto óbvia – tentar achar os destroços da desintegração de uma família classe alta em decadência –, a cenografia de <strong>Daniela Thomas</strong> (premiada com o Shell) ajuda a surpreender e provoca muito impacto. Vira quase um dos personagens. Uma grande estrutura que se movimenta, como uma gangorra prestes a despencar. E junto a isso, vários dos tabuões que a compõem são retirados, para que o filho procure os restos dos ossos ali.</p>
<p>Ao final da peça, decomposição completa da família e do cenário, que também se transforma em um esqueleto, por onde mal conseguem caminhar os atores.</p>
<p>Vamos ao núcleo familiar. O centro do desequilíbrio é Grace,  <strong>Mariana Lima</strong>, em atuação exuberante (premiada com o Shell). Ela encarna um clichê, mas se sai brilhantemente dando vida à mãe fútil, bêbada, irônica, que não esconde sua predileção pelo filho Todd, em viagem a Londres, em detrimento à filha, primeira personagem de <strong>Marco Nanini</strong>. Sua Ema é problemática e frágil: uma adolescente de 15 anos que bebe como a mãe e está apaixonada por Tom (<strong>Felipe Abib</strong>). Com o retorno de Todd (<strong>Álamo Facó</strong>) e a revelação de que é homossexual e está doente, a conturbada família acelera seu processo de autodevoramento (assim com os pterodátilos). Completa a ciranda o pai, Artur, também vivido por Nanini.</p>
<p>A direção segura de <strong>Felipe Hirsch</strong> não deixa que esses personagens percam o vigor nem caiam no estereótipo. Os diálogos são ferozes, consomem quem está próximo. Há uma infinidade de duelos (especialmente Lima e Nanini) em que os atores se apoiam em um texto enxuto, visceral, que mesmo bebendo no drama faz a plateia gargalhar. Mérito do elenco, em especial de <strong>Nanini</strong> (também premiado com o Shell), que se divide em papéis distintos e provoca uma estranha sensação nos aplausos finais: ficamos esperando pelas duas <em>personas</em>. Nanini está soberbo, especialmente como a filha, papel em que repete alguns trejeitos de <strong><em>Irma Vapp</em></strong>, mas que ao mesmo tempo confere uma doçura e fragilidade encantadoras.</p>
<p>Há muitas cenas que não sairão da cabeça do público: Ema vestida de noiva bebendo uísque e proclamando-se uma nova lésbica; Grace mal conseguindo andar na sala já em pedaços; Todd dando um revólver de presente de casamento à irmã. Mas a bem da verdade, o que se mostra inesquecível é o conjunto: elenco cambaleante no palco inclinado, repleto de fumaça-gelo seco. <strong><em>Pterodátilos</em></strong> é uma comédia inteligente, com produção irretocável, como há muito não se via nos palcos brasileiros. Mais um ponto para esta edição do POA em Cena.</p>
<p> (* * * * *<strong>)</strong></p>
<p>Argumento.net é veículo oficialmente credenciado ao <a href="http://www2.portoalegre.rs.gov.br/poaemcena/">PORTO ALEGRE EM CENA</a></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.argumento.net/cena-critica/teatro/festivaisteatro/poa-em-cena-2011/pterodatilos/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>HISTÓRIAS DE AMOR LÍQUIDO</title>
		<link>http://www.argumento.net/cena-critica/teatro/festivaisteatro/poa-em-cena-2011/historias-de-amor-liquido/</link>
		<comments>http://www.argumento.net/cena-critica/teatro/festivaisteatro/poa-em-cena-2011/historias-de-amor-liquido/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 18 Sep 2011 03:51:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Ricardo Kralik Angelini</dc:creator>
				<category><![CDATA[POA EM CENA 2011]]></category>
		<category><![CDATA[Ana Kutner]]></category>
		<category><![CDATA[Bel Kutner]]></category>
		<category><![CDATA[Histórias de amor líquido]]></category>
		<category><![CDATA[Paulo José]]></category>
		<category><![CDATA[Zygmunt Bauman]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.argumento.net/?p=4952</guid>
		<description><![CDATA[&#62;&#62;&#62; HISTÓRIAS DE AMOR LÍQUIDO (Rio de Janeiro) Direção: Paulo José Com: Bel Kutner, Ana Kutner, Alcemar Vieira, Marcio Vito, Natalia Garcez Levar a teorização do pensador polonês Zygmunt Bauman para a discussão ficcional parecia tarefa arriscada. Afinal, alugar personagens que declamassem conflitos a soar como a teoria de Bauman poderia não convencer. Contudo, a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&gt;&gt;&gt; <strong>HISTÓRIAS DE AMOR LÍQUIDO</strong> (Rio de Janeiro)</p>
<p>Direção: <strong>Paulo José</strong></p>
<p>Com: <strong>Bel Kutner, Ana Kutner, Alcemar Vieira, Marcio Vito, Natalia Garcez</strong></p>
<p>Levar a teorização do pensador polonês <strong>Zygmunt Bauman</strong> para a discussão ficcional parecia tarefa arriscada. Afinal, alugar personagens que declamassem conflitos a soar como a teoria de Bauman poderia não convencer.</p>
<p>Contudo, a trinca <strong>Paulo José</strong> (direção), <strong>Walter Daguerre</strong> (texto) e <strong>Ana Kutner</strong>, do belíssimo <strong><em>Um Navio no Espaço ou Ana Cristina César</em></strong>, fazia valer a pena uma ida ao teatro. Infelizmente, a expectativa não se confirmou.</p>
<p><strong><em>Histórias de amor líquido</em></strong> traz três narrativas intercaladas: “A rua sem saída”, “A corretora” e “A casa da ponte”. Todas elas apresentam conflitos frouxos, que se dissipam assim que são anunciados, não conseguindo sintonia entre palco e plateia. São muitas as cenas sobrepostas e, aos poucos, mesmo aquela história que tínhamos mais interesse acaba por escorrer no meio do tédio. Isso porque todos os personagens são caricaturas, que vivem situações absolutamente estereotipadas: temos da ambiciosa corretora de seres humanos (metáfora bobinha e óbvia que se calca no que diz Bauman sobre sermos todos produtos numa sociedade de consumo) à esquisita e solitária mulher que se interessa por um vigia; do eterno casal em conflito (metáfora do amor líquido, da necessidade de troca de parceiro constantemente em tempos de novas mídias) que se vê em uma casa no interior sem celulares e laptops à jovem aspirante à estrela da música, virgem e católica.</p>
<p>O grande problema de <strong><em>Histórias de amor líquido</em></strong> não é a excelente produção, muito menos o bom elenco, nem o belo cenário ou a inspirada trilha sonora. O problema é o texto. Um espetáculo que precisa de palavras e que as tem de modo tão lugar-comum não consegue sair do chão. Percebemos, então, uma leitura apressada, e até ingênua, das teorias de Bauman e uma tentativa de criação de conflitos que as abarquem. O resultado são diálogos frágeis, mais líquidos que a própria proposta.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p> (* <strong>- &#8211; -</strong> <strong>-)</strong></p>
<p>Argumento.net é veículo oficialmente credenciado ao <a href="http://www2.portoalegre.rs.gov.br/poaemcena/">PORTO ALEGRE EM CENA</a></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.argumento.net/cena-critica/teatro/festivaisteatro/poa-em-cena-2011/historias-de-amor-liquido/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>A LUA VEM DA ÁSIA</title>
		<link>http://www.argumento.net/cena-critica/teatro/a-lua-vem-da-asia/</link>
		<comments>http://www.argumento.net/cena-critica/teatro/a-lua-vem-da-asia/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 16 Sep 2011 15:41:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Ricardo Kralik Angelini</dc:creator>
				<category><![CDATA[POA EM CENA 2011]]></category>
		<category><![CDATA[TEATRO]]></category>
		<category><![CDATA[A lua vem da Ásia]]></category>
		<category><![CDATA[Aderbal Freire Filho]]></category>
		<category><![CDATA[Campos de Carvalho]]></category>
		<category><![CDATA[Chico Diaz]]></category>
		<category><![CDATA[Moacir Chaves]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.argumento.net/?p=4501</guid>
		<description><![CDATA[&#62;&#62;&#62; A LUA VEM DA ÁSIA (Rio de Janeiro) Direção: Moacir Chaves Com: Chico Diaz   Espetáculo assistido no Rio de Janeiro, em fevereiro de 2011.   À noite a lua vem da Ásia, mas pode não vir, o que demonstra que nem tudo neste mundo é perfeito.   Uma obra em tom surrealista, de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">&gt;&gt;&gt; </span></em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">A LUA VEM DA ÁSIA (Rio de Janeiro)</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">Direção: <strong>Moacir Chaves</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">Com: <strong>Chico Diaz</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">Espetáculo assistido no Rio de Janeiro, em fevereiro de 2011.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">À </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">noite</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> a </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">lua</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> vem da Ásia, </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">mas</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> pode </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">não</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">vir</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">, o </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">que</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> demonstra </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">que</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">nem</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">tudo</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> neste </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">mundo</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> é </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">perfeito</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">.</span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">Uma </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">obra</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">em</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">tom</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">surrealista</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">, de </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">um</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">autor</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">pouco</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">conhecido</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> da </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">literatura</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">brasileira</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">, foi adaptada e ganhou os </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">palcos</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> do </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">Rio</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> de </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">Janeiro</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">. <strong><em style="mso-bidi-font-style: normal;">A </em></strong></span><strong><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">lua</span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> vem da Ásia</span></em></strong><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> (1956), de </span><strong style="mso-bidi-font-weight: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">Campos</span></strong><strong style="mso-bidi-font-weight: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> de </span></strong><strong style="mso-bidi-font-weight: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">Carvalho</span></strong><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">, é </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">um</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> relato </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">que</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">mescla</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">cartas</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">, </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">diários</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> e </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">outros</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">apontamentos</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">. No </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">teatro</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> do </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">Centro</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> Cultural do </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">Banco</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> do Brasil, o personagem-narrador ganhou a </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">figura</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> de <strong style="mso-bidi-font-weight: normal;">Chico Diaz</strong>, (</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">que</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">também</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> fez a </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">adaptação</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">), </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">em</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">seu</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">primeiro</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">monólogo</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> e, </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">sem</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">dúvida</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">, uma de </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">suas</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">mais</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">impressionantes</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">atuações</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">O </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">texto</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> é uma </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">grande</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">alucinação</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> dividida </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">em</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> duas </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">partes</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">: na </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">primeira</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">, </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">um</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">homem</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">preso</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">por</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">pensar</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">diferente</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> tece </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">devaneios</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">sobre</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> a </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">liberdade</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> e </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">sobre</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">outros</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">assuntos</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">nem</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">sempre</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> interligados. </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">Neste </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">ato</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">, o </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">ator</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> encontra-se </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">em</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">um</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">cubículo</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">, </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">cercado</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">visualmente</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">por</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> uma </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">tela</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">, </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">onde</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">inclusive</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">são</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> projetadas </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">imagens</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> e os </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">títulos</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> dos </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">quadros</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">. Possui </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">um</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">ritmo</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">lento</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">, apoiado </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">por</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> uma </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">iluminação</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">fraca</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">, </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">mas</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">que</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">conta</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">já</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">com</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> a </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">velocidade</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> alucinada de </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">pensamento</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> de Diaz. O </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">ator</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">trabalha</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">com</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> a </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">força</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> da </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">palavra</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">, explicando a </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">opressão</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> e procurando </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">um</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">lirismo</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> libertador. <span style="mso-spacerun: yes;"> </span><span style="mso-spacerun: yes;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">O </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">grande</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">pátio</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">onde</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> de </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">manhã</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> tomamos </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">sol</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">nem</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">sempre</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> tem </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">sol</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">, o </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">que</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> demonstra a </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">incúria</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> do </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">governo</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> e a </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">irresponsabilidade</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> daqueles a </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">quem</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> pagamos </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">para</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">que</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">nos</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> dêem </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">sol</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">, </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">já</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">que</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">não</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">nos</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> podem </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">dar</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> a </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">liberdade</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">.</span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">Na </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">segunda</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">parte</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">, </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">este</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">homem</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> relata </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">suas</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> maravilhosas </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">aventuras</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">pelo</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">mundo</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">, trilhando </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">rumos</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">nem</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">sempre</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">óbvios</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">, revelando </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">descobertas</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">sempre</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> deliciosas. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">Quando</span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">em</span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> 1934 atravessei </span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">sozinho</span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> o </span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">deserto</span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> de Iguidi, tendo </span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">por</span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">única</span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">companhia</span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">um</span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">casal</span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> de </span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">borboletas</span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">, ocorreu-me a </span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">aventura</span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">mais</span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">surpreendente</span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">que</span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> pode </span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">ocorrer</span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> a </span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">um</span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">homem</span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">vivo</span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">ou</span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">morto</span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">, e </span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">que</span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> procurarei </span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">resumir</span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">em</span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">três</span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">linhas</span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">. Foi o </span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">caso</span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">que</span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">um</span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">dia</span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> despertei transformado </span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">em</span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">mulher</span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> e, nessa </span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">qualidade</span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">, fui </span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">pouco</span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">depois</span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> recrutado </span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">para</span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> o </span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">harém</span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> do </span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">sultão</span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> de Marrocos, </span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">onde</span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> servi </span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">como</span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> pude </span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">durante</span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">um</span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">ano</span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> e 14 </span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">dias</span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">.</span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">Chico Diaz conduz </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">um</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">carrinho</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> de </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">feira</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">, e ao </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">fundo</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> é projetado </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">um</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">céu</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">que</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> vai modificando a </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">sua</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">tonalidade</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> aos </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">poucos</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">. É neste </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">ato</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">que</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> Diaz consegue de </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">vez</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> a </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">cumplicidade</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> da plateia, desfilando o </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">texto</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> de </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">um</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">modo</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> visceral, </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">orgânico</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">, </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">que</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> impressiona </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">qualquer</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">um</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">. O </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">ator</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">, e </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">aqui</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> é </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">literal</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">, entrega-se no </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">palco</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">, transborda-se, vai a </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">um</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> esgotamento </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">físico</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">. O </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">texto</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> é </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">ácido</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">, exige </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">atenção</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">plena</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> da plateia, </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">mas</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">por</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">vezes</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> o </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">ator</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> interrompe o </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">seu</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">discurso</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> e, </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">em</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">tom</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">jocoso</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">, </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">pergunta</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> se o público está acompanhando.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">Com</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">direção</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> de <strong style="mso-bidi-font-weight: normal;">Moacir </strong></span><strong style="mso-bidi-font-weight: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">Chaves</span></strong><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> e </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">supervisão</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">geral</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> de <strong style="mso-bidi-font-weight: normal;">Aderbal Freire-Filho</strong>, <strong><em style="mso-bidi-font-style: normal;">A </em></strong></span><strong><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">lua</span></em><em style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> vem da Ásia</span></em></strong><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> é </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">um</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">espetáculo</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">desconcertante</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">que</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">certamente</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> abocanhará </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">muitos</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">prêmios</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> e </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">aplausos</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">em</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">sua</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">trajetória</span><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">. <span style="mso-spacerun: yes;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">Em</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">outra</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">oportunidade</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> (</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">caso</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">me</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> arranjem uma </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">outra</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">garrafa</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">) voltarei </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">ainda</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> ao </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">mesmo</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">assunto</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">, </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">que</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> pode </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">parecer</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">monótono</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> a VV. Exas. </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">mas</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">que</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">para</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">nós</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> é </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">vital</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> e direi </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">mesmo</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">único</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">, </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">já</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">que</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> a </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">morte</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> do </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">espírito</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> é </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">mil</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">vezes</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">mais</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">trágica</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> do </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">que</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> a </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">morte</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> do </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">corpo</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">, e </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">que</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> o </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">homem</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">privado</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> da </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">sua</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">liberdade</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> de </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">pensar</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> e de </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">amar</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">vale</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">menos</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> do </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">que</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> a </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">sua</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">sombra</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> num </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">muro</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> &#8211; a </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">menos</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">que</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> se trate </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">naturalmente</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> de </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">um</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">muro</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">junto</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> ao </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">qual</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">ele</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> esteja sendo </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">fuzilado</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">, </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">com</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> os </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">olhos</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">bem</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">abertos</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> e a </span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;">cabeça</span></em><em><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> erguida.</span></em></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: Georgia; font-size: 14pt;"> </span></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.argumento.net/cena-critica/teatro/a-lua-vem-da-asia/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>A CHEGADA DE LAMPIÃO NO INFERNO</title>
		<link>http://www.argumento.net/cena-critica/teatro/festivaisteatro/poa-em-cena-2011/a-chegada-de-lampiao-no-inferno/</link>
		<comments>http://www.argumento.net/cena-critica/teatro/festivaisteatro/poa-em-cena-2011/a-chegada-de-lampiao-no-inferno/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 15 Sep 2011 03:10:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Ricardo Kralik Angelini</dc:creator>
				<category><![CDATA[POA EM CENA 2011]]></category>
		<category><![CDATA[A chegada de Lampião no inferno]]></category>
		<category><![CDATA[Gustavo Barros]]></category>
		<category><![CDATA[Miguel Vellinho]]></category>
		<category><![CDATA[PeQuod]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.argumento.net/?p=4945</guid>
		<description><![CDATA[&#62;&#62;&#62; A CHEGADA DE LAMPIÃO NO INFERNO (Rio de Janeiro) Direção: Miguel Vellinho Com: Gustavo Barros, Liliane Xavier, André Gracindo, Márcio Nascimento, Raquel Botafogo Um cabra de Lampião/ por nome Pilão Deitado / que morreu numa trincheira/ um certo tempo passado/ agora pelo sertão/ anda correndo visão/ fazendo malassombrado./ E foi quem trouxe a notícia/ [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&gt;&gt;&gt; A CHEGADA DE LAMPIÃO NO INFERNO <strong>(Rio de Janeiro)</strong><strong></strong></p>
<p>Direção: <strong>Miguel Vellinho </strong></p>
<p>Com: <strong>Gustavo Barros, Liliane Xavier, André Gracindo, Márcio Nascimento, Raquel Botafogo</strong></p>
<p>Um cabra de Lampião/ por nome Pilão Deitado / que morreu numa trincheira/ um certo tempo passado/ agora pelo sertão/ anda correndo visão/ fazendo malassombrado./ E foi quem trouxe a notícia/ que viu Lampião chegar/ o inferno nesse dia/ faltou pouco pra virar/ incendiou-se o mercado/ morreu tanto cão queimado/ que faz pena até contar</p>
<p>O décimo oitavo Porto Alegre em Cena tem se superado. Como se não bastassem diferentes e elogiadas atrações, algumas delas ocorrem ao mesmo tempo. Numa mesma quarta-feira, <strong>Adriana Calcanhoto</strong>, o ballet da Bélgica Out of Context, em homenagem a <strong>Pina Bausch</strong>, o celebrado espetáculo uruguaio <strong><em>Neva</em></strong> e o trabalho do aclamado grupo carioca PeQuod (e mais outras cinco peças também muito credenciadas). Fiquei com A chegada de Lampião no inferno, do PeQuod, e certamente assisti a um dos mais marcantes espetáculos da mostra.</p>
<p>O texto de <strong>Miguel Vellinho</strong> e <strong>Mario Piragibe</strong> é baseado em muitas histórias de cordel, e uma das mais conhecidas é de José Pacheco. Em duas partes, conta, na primeira, o <em>nascimento</em> de um dos cangaceiros de Lampião, depois que teve sua família dizimada, até a o momento da morte do líder; e na segunda, a chegada de Lampião ao inferno, parte obviamente inspirada em Dante.</p>
<p>O cenário – indicado ao prêmio Shell – é uma grande olaria. O público entra no teatro e já observa os cinco atores trabalhando na olaria, em uma grande mesa, à frente de estantes repletas de objetos de barro tão caros ao artesanato nordestino. Dali, a la Stomp, tiram música desses objetos. É desta oficina que saem os bonecos que, de forma brilhante, contam a narrativa da primeira parte. São tantos e tão belos os truques que a equipe produz que chega a ser injusto apontar (apenas) alguns momentos de destaque. Mas vamos lá: a descoberta do gramofone: o menino (que se tornará cangaceiro) se depara com o estranho objeto e de lá sai uma música, e então começa a dançar; a brincadeira com a perspectiva, na hora do ataque da casa do menino (os cavalos começam pequenos e vão sendo trocados, cada vez maiores, até se aproximarem da casa); a caminhada do mesmo menino, que se transforma em adulto (o boneco é trocado sem que percebamos); a genial morte em <em>câmera lenta</em> de Lampião. Junto a todos esses momentos mágicos – sim, tento ser menos efusivo, mas é difícil – a bela narração do ator <strong>Othon Bastos</strong>, a genial música de <strong>André Abujamra</strong> e a premiada iluminação.</p>
<p>A segunda parte (as estantes viram-se, caem as peças, entram painéis terríveis, infernais) é também maravilhosa, mas é tão grande o impacto da primeira, que de certa forma gostaríamos que os bonecos magistralmente manipulados continuassem em cena. Mas entra no palco um Lampião atormentado, quase Shakesperiano, procurando seu lugar no mundo – e não acreditando que seria no Inferno. Lá, encontra o vigia que só tem pernas (outro truque, uma atriz dentro de um tonel e só suas pernas são visíveis), o Cérbero, monstro mitológico de três cabeças (em outra sacada genial da equipe: três atores amontoados com cabeças caninas nos braços), o guia Vitalino (homenagem a mestre Vitalino, artesão pernambucano conhecido por suas obras), e o Diabo, que está nu.</p>
<p>São tantas as referências, em ambas as partes, que é difícil acompanhar com a atenção que mereciam os quadros montados pelos atores. Ao final, há o engolimento de Lampião pelo barro, há talvez sua reincorporação em outros nomes nordestinos – Othon Bastos narra uma lista de artistas. Não que haja um endeusamento da personalidade do cangaceiro, mas de seu aspecto de valentia e seu caráter firme. Lampião volta ao barro, volta o cenário dos ceramistas. Tudo recomeça. Cíclico, a trilha sobe e o público – literalmente – não para de aplaudir. Pena que havia apenas um terço da ocupação do teatro, <em>culpa</em> da belíssima e coincidente programação, como dito lá no início, desta edição do POA em cena.</p>
<p>(* * * * *)</p>
<p>Argumento.net é veículo oficialmente credenciado ao <a href="http://www2.portoalegre.rs.gov.br/poaemcena/">PORTO ALEGRE EM CENA</a></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.argumento.net/cena-critica/teatro/festivaisteatro/poa-em-cena-2011/a-chegada-de-lampiao-no-inferno/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>A VIDA COMO ELA É</title>
		<link>http://www.argumento.net/cena-critica/teatro/festivaisteatro/poa-em-cena-2011/a-vida-como-ela-e/</link>
		<comments>http://www.argumento.net/cena-critica/teatro/festivaisteatro/poa-em-cena-2011/a-vida-como-ela-e/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 14 Sep 2011 17:29:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Ricardo Kralik Angelini</dc:creator>
				<category><![CDATA[POA EM CENA 2011]]></category>
		<category><![CDATA[A vida como ela é]]></category>
		<category><![CDATA[Luís Artur Nunes]]></category>
		<category><![CDATA[Nelson Rodrigues]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.argumento.net/?p=4942</guid>
		<description><![CDATA[&#62;&#62;&#62; A VIDA COMO ELA É (Santa Catarina) Direção: Luís Artur Nunes Com: Berna Sant’Anna, Sérgio Cândido, Ana Paula Possapp, Leon de Paula, Mariana Cândido, Nazareno Pereira e Valdir Silva O divertido de um Festival de Teatro é quando vemos os atores das companhias prestigiando os outros espetáculos. Durante duas noites seguidas, encontrava boa parte [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&gt;&gt;&gt; A VIDA COMO ELA É <strong>(Santa Catarina)</strong><strong></strong></p>
<p>Direção: <strong>Luís Artur Nunes</strong></p>
<p>Com: <strong>Berna Sant’Anna, Sérgio Cândido, Ana Paula Possapp, Leon de Paula, Mariana Cândido, Nazareno Pereira</strong> e <strong>Valdir Silva</strong></p>
<p>O divertido de um Festival de Teatro é quando vemos os atores das companhias prestigiando os outros espetáculos. Durante duas noites seguidas, encontrava boa parte do grupo catarinense de <strong><em>A vida como ela é</em></strong> nas filas, à espera. E enquanto também eu esperava, pensava em que personagens rodriguianos aquelas pessoas reais se transformariam.</p>
<p>A credencial do grupo <em>Teatro sim&#8230; por que não?!!</em> trazia a assinatura do excelente <strong>Luís Artur Nunes</strong> na adaptação e na direção. Isso já seria sinônimo de inventividade. As tintas carregadas de Nelson Rodrigues ganharam uma versão bastante inteligente e criativa por parte do grupo. Em todas as cinco esquetes há algo de diferente: em nenhuma delas os atores simplesmente soltavam o texto.</p>
<p>“Uma senhora honesta” é quase uma brincadeira com mímica. <strong>Berna Sant’Anna</strong> e <strong>Sérgio Cândido</strong> parecem se divertir como o casal Luci e Valverde: ela muito orgulhosa de sua fidelidade e devoção até descobrir um vizinho fortão por quem nutre certa simpatia. Todos os outros atores leem o texto e a dupla brinca com o gestual, compondo diferentes quadros estáticos em um exercício diferente e engraçado, ainda que de certa limitação, uma vez que as poses de Luci eram quase sempre as mesmas.</p>
<p>“Noiva para sempre” traz um efeito surpreendente, ao apresentar ao público atores com máscaras, fazendo-se de bonecos. O trio central – duas irmãs para um namorado – é manipulado pelo resto do elenco tal um marionete articulável, provocando uma sensação onírica muito boa. É espetacular a entrega desses atores-bonecos, pois esquecemo-nos por completo de que não são objetos conduzidos.<strong></strong></p>
<p>“Noiva da morte” é um dos textos mais conhecidos de Rodrigues. A história de Alipinho – o divertido <strong>Valdir Silva</strong> – sempre cercado por mulheres até um desfecho trágico próximo ao casamento do rapaz. Nesta, todos os atores vestem máscaras de Commedia dell’arte, compondo um visual bizarro e ao mesmo tempo hipnótico. As mulheres da vida de Alipinho, por exemplo, agem como um grande coro.</p>
<p>“Doente” é sem dúvida o momento mais alto do espetáculo. O amor de Georgette e Olímpio é dividido por duas duplas de atores. Cada um dos pares possui um outro como sombra, sussurrando o texto a ser dito de forma rápida. A certa altura, aquele que murmurava o texto no ouvido do outro assume o personagem e recebe, por sua vez, o texto no ouvido. O mais interessante é a troca sutil dos atores, formando duas Georgettes e dois Olímpios difíceis de serem esquecidos.</p>
<p>Finalmente, “O grande dia de Otacílio e Odete” traz o elenco inteiro narrando o texto, até que os atores assumem seus lugares e tomam conta dos personagens, contando a história de um amor trágico em meio à copa do mundo de 1958.</p>
<p>A despeito das intermináveis produções que levam Nelson Rodrigues aos palcos e às telas, o que fica com esse <strong><em>A vida como ela é</em></strong> de Santa Catarina é a certeza de que há ainda muito a ser feito com o primoroso texto de autor carioca, que é uma fonte inesgotável. O que o grupo provou, entretanto, é que há uma grande diferença entre trazer o texto saboroso por si só e potencializar sua força com uma montagem brilhante, inteligente e inovadora, que superou todas as minhas expectativas, e da maioria da plateia, que ovacionou a produção.</p>
<p>(* * * *<strong> -)</strong></p>
<p>Argumento.net é veículo oficialmente credenciado ao <a href="http://www2.portoalegre.rs.gov.br/poaemcena/">PORTO ALEGRE EM CENA</a></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.argumento.net/cena-critica/teatro/festivaisteatro/poa-em-cena-2011/a-vida-como-ela-e/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>O AMOR DE CLOTILDE POR UM CERTO LEANDRO DANTAS</title>
		<link>http://www.argumento.net/cena-critica/teatro/festivaisteatro/poa-em-cena-2011/o-amor-de-clotilde-por-um-certo-leandro-dantas/</link>
		<comments>http://www.argumento.net/cena-critica/teatro/festivaisteatro/poa-em-cena-2011/o-amor-de-clotilde-por-um-certo-leandro-dantas/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 13 Sep 2011 03:34:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Ricardo Kralik Angelini</dc:creator>
				<category><![CDATA[POA EM CENA 2011]]></category>
		<category><![CDATA[O amor de Clotilde por um certo Leandro Dantas]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.argumento.net/?p=4928</guid>
		<description><![CDATA[&#62;&#62;&#62; O AMOR DE CLOTILDE POR UM CERTO LEANDRO DANTAS (Recife) Direção: Jorge de Paula Com: Andréa Veruska, Andréa Rosa, Iara Campos, Marcelo Oliveira, Jorge de Paula e Tatto Medinni Clotilde é uma garota romântica e apaixonada por um certo Leandro Dantas, galanteador das altas rodas recifenses. Quando mamãe e papai vão com a jovem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>&gt;&gt;&gt; O AMOR DE CLOTILDE POR UM CERTO LEANDRO DANTAS (Recife)</strong></p>
<p>Direção: <strong>Jorge de Paula</strong></p>
<p>Com: <strong>Andréa Veruska, Andréa Rosa, Iara Campos, Marcelo Oliveira, Jorge de Paula </strong>e <strong>Tatto Medinni</strong></p>
<p>Clotilde é uma garota romântica e apaixonada por um certo Leandro Dantas, galanteador das altas rodas recifenses. Quando mamãe e papai vão com a jovem ao teatro, a moçoila escuta o próprio amado declarando-se: quer deixar de galinhar, quer Clotilde só para ele.</p>
<p>Fazida que só, Clotilde desdenha do pobre paquerador. Ah, Clotilde, você não deveria ter feito isso&#8230; Inicia-se, a partir daí, uma série de pequenos desencontros que garantem momentos divertidos para a plateia.</p>
<p>Com o cenário lúdico, uma mistura de picadeiro de circo com casinha infantil, e um trabalho corporal interessante, com passinhos de dança antes de se posicionar para dizer a fala, o espetáculo agrada por misturar uma história descaradamente melodramática, brega, desenfreada. O roteiro reconta a história de <em>A emparedada da rua Nova</em>, de <strong>Carneiro Vilela</strong>, transformando-a por inteiro, especialmente o final.</p>
<p>Todos os atores são overacting, e isso garante mais gargalhadas. Mas os números musicais é que são impagáveis: as versões cafonas de <em>Total eclipse of the heart </em>e <em>My endless love </em>garantiram aplausos em cena aberta. A sertaneja <em>Temporal de amor </em>também provocou risos, além dos acordes incidentais das trilhas dos filmes <em>Ghost, Titanic</em>. Aliás, as referências cinematográficas são grandes. Já de início, <em>E o vento levou</em>. Também brincadeiras anacrônicas com o universo pop: parte do elenco joga Uno.</p>
<p>Legais são as passagens que brincam com as sombras por trás de um pano que serve de boca de cena para o elenco. Contudo, a peça poderia ter uns 15, 20 minutinhos suprimidos, pois o excesso, a certa altura, torna-se um pouco repetitivo, mas nada que não levasse o público a ovacionar o espetáculo.</p>
<p>(* * * &#8211; -)</p>
<p>Argumento.net é veículo oficialmente credenciado ao <a href="http://www2.portoalegre.rs.gov.br/poaemcena/">PORTO ALEGRE EM CENA</a></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.argumento.net/cena-critica/teatro/festivaisteatro/poa-em-cena-2011/o-amor-de-clotilde-por-um-certo-leandro-dantas/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>CORDEL DO AMOR SEM FIM</title>
		<link>http://www.argumento.net/cena-critica/teatro/festivaisteatro/poa-em-cena-2011/cordel-do-amor-sem-fim/</link>
		<comments>http://www.argumento.net/cena-critica/teatro/festivaisteatro/poa-em-cena-2011/cordel-do-amor-sem-fim/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 11 Sep 2011 04:32:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Ricardo Kralik Angelini</dc:creator>
				<category><![CDATA[POA EM CENA 2011]]></category>
		<category><![CDATA[Agrinez Melo]]></category>
		<category><![CDATA[Claudia Barral]]></category>
		<category><![CDATA[Cordel do amor sem fim]]></category>
		<category><![CDATA[Eliz Galvão]]></category>
		<category><![CDATA[Naná Sodré]]></category>
		<category><![CDATA[Samuel Santos]]></category>
		<category><![CDATA[Thomas Aquino]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.argumento.net/?p=4924</guid>
		<description><![CDATA[&#62;&#62;&#62; CORDEL DO AMOR SEM FIM (Recife) Direção: Samuel Santos Com: Eliz Galvão, Nana Sodré, Agrinez Melo, Thomas Aquino e Diogo Lopes Carminha amava José, que amava Tereza, que amava Antonio, que disse uma vez que voltava. Amor construído no caminho, entre a casa de Tereza e o cais, local de passagem, de partida. É [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&gt;&gt;&gt; CORDEL DO AMOR SEM FIM (Recife)</p>
<p>Direção: <strong>Samuel Santos</strong></p>
<p>Com: <strong>Eliz Galvão, Nana Sodré, Agrinez Melo, Thomas Aquino </strong>e<strong> Diogo Lopes</strong></p>
<p>Carminha amava José, que amava Tereza, que amava Antonio, que disse uma vez que voltava. Amor construído no caminho, entre a casa de Tereza e o cais, local de passagem, de partida.</p>
<p>É uma ciranda drummoniana em que afeto e obsessão comungam de uma mesma fonte: <strong><em>Cordel do amor sem fim</em></strong> desde já ocupa um dos postos mais queridos deste 18º Porto Alegre em Cena.</p>
<p>No palco, lamparinas dispostas em pequenas redes, uma porta que se transforma em tampões de quatro banquinhos e algumas outras bugigangas. A história é simples, mas é o de menos. No dia em que seria pedida em casamento por José – pedido anunciado, mas com pouco entusiasmo de aceite – Tereza vai comprar farinha perto do cais e conhece um homem que chega num <em>vapor</em>. Apaixona-se perdidamente por ele, que parte. Ela fica, e jura amor eterno. E espera. Espera. Sem pressa.</p>
<p>Madalena, sua irmã mais velha, decide acusá-la de louca, por perder tempo, mocidade e uma oportunidade de ouro ao dispensar o carismático José. Já Carminha, sua irmã do meio, incentiva que a caçula aguarde, pois nutre escondido uma queda pelo pretendente da irmã.</p>
<p>O texto poético de Claudia Barral, que traz trechos de literatura de cordel e canções interpretadas ao vivo, ganha vida com o ótimo elenco pernambucano. A fantástica expressão corporal dos atores, que toma emprestado da tradição do cordel nordestino, do candomblé, do tai chi chuan e da commedia dell’arte, é um dos pontos altos do espetáculo. A cena em que Thomás Aquino (excelente) brinca com a lanterna em seu rosto, no escuro do palco, surgindo com caras e caretas por toda a parte, é simples e de um encantamento ímpar. Todo o gestual cartunesco de Agrinez Melo (Carminha – a atriz também assina o belo figurino) e Naná Sodré (a carrancuda Madalena – cada vez que entrava em cena era uma delícia) compõe pequenos quadros de tocante poesia.</p>
<p>Intercalando-se como narradores e personagens, os quatro contam sobre esta história de amor sem fim, cantada às beiras do rio São Francisco numa pequena cidade da Bahia. Uma cidade de partida. De tristeza. De gente que preza o valor da palavra. <strong><em>Cordel do amor sem fim</em> </strong>tem o gosto simples de <em>causos</em> contados à beira do rio. Exemplos de amores difíceis e de gente que acredita.</p>
<p>O final traz uma dupla surpresa, e o momento se eterniza no palco, com a insistência de Tereza em aguardar o tão sonhado reencontro, e na plateia, que sai do teatro com a memória visual de um espetáculo difícil de esquecer.</p>
<p>Argumento.net é veículo oficialmente credenciado ao <a href="http://www2.portoalegre.rs.gov.br/poaemcena/">PORTO ALEGRE EM CENA</a></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.argumento.net/cena-critica/teatro/festivaisteatro/poa-em-cena-2011/cordel-do-amor-sem-fim/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>DUETO PARA UM</title>
		<link>http://www.argumento.net/cena-critica/teatro/festivaisteatro/poa-em-cena-2011/dueto-para-dois/</link>
		<comments>http://www.argumento.net/cena-critica/teatro/festivaisteatro/poa-em-cena-2011/dueto-para-dois/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 10 Sep 2011 03:34:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Ricardo Kralik Angelini</dc:creator>
				<category><![CDATA[POA EM CENA 2011]]></category>
		<category><![CDATA[Bel Kowarick]]></category>
		<category><![CDATA[Dueto para um]]></category>
		<category><![CDATA[Marco Suchara]]></category>
		<category><![CDATA[Mika Lins]]></category>
		<category><![CDATA[Tom Kempinski]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.argumento.net/?p=4919</guid>
		<description><![CDATA[&#62;&#62;&#62; DUETO PARA UM (São Paulo) Direção: Mika Lins Com: Bel Kowarick e Marco Suchara Apoiado por um texto bastante conhecido, de autoria de Tom Kempinski, que inclusive já foi adaptado ao cinema em filme com Julie Andrews, Dueto para um é um espetáculo simples e tocante. Trazer personagens que sofrem alguma desintegração causada por [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&gt;&gt;&gt; DUETO PARA UM (São Paulo)</p>
<p>Direção: <strong>Mika Lins</strong></p>
<p>Com: <strong>Bel Kowarick</strong> e <strong>Marco Suchara</strong></p>
<p>Apoiado por um texto bastante conhecido, de autoria de <strong>Tom Kempinski</strong>, que inclusive já foi adaptado ao cinema em filme com <strong>Julie Andrews</strong>, <strong><em>Dueto para um</em></strong> é um espetáculo simples e tocante.</p>
<p>Trazer personagens que sofrem alguma desintegração causada por uma doença não é tarefa fácil: pode namorar com o piegas e transformar-se em um dramalhão insípido. Este não é o caso do trabalho dirigido pela também atriz <strong>Mika Lins</strong>, que extrai de sua dupla de atores, em especial de <strong>Bel Kowarick</strong>, atuações inspiradas.</p>
<p>A peça – que dizem ter sido baseada na vida da musicista britânica Jacqueline Mary du Pré, também mostrada na tela dos cinemas no premiado HILARY AND JACKIE, com <strong>Emily Watson</strong> e <strong>Rachel Griffiths</strong> – trata de uma famosa artista que assiste à sua própria decadência física por conta de uma esclerose múltipla. Todo o espetáculo é construído com uma cenografia simples, mas funcional: um praticável giratório em que aparecem fixos os personagens de Stephanie, já em cadeira de rodas, e seu psiquiatra Dr. Feldman. A marcação do tempo é trazida a partir da deterioração da musicista e do girar do cenário móvel.</p>
<p>Stephanie, a certa altura do embate com seu médico, diz que construiu, a partir da música, um mundo paralelo ao seu para suportar a perda muito precoce da mãe. Era na música que se refugiava; ela era a música. E o que fazer quando este mundo se esvai por conta da impossibilidade de continuar com a carreira, por conta da deficiência dos movimentos?</p>
<p>A grande lição do duelo sempre instaurado entre paciente e psiquiatra é a abreviação dos projetos: como seguir em frente, tirar o plano B da manga, quando abdicamos daquela única coisa que nos faz, de fato, feliz? O que fazer quando percebemos que nosso único escape foi destruído?</p>
<p>É na não aceitação de sua condição de aleijada, como grita Stephanie, que inicia a atuação de luxo de Bel. O declínio físico e mental da personagem é utilizado com todas suas tonalidades pela atriz, que vai da irônica e debochada à perturbada e melancólica em segundos. É notável o trabalho corporal da atriz – um simples não mais abrir de mãos já nos diz como sofre aquela artista que vivia do violino. Não foi à toa sua premiação em um dos mais importantes prêmios do teatro: os da Crítica de São Paulo (APCA), além da indicação ao Shell de melhor atriz em 2011.</p>
<p>Teatro de texto, com bela iluminação e um elenco afiado, <strong><em>Dueto para um </em></strong>recupera o prazer do teatro sem afetação, sem presunção, que consegue equilibrar seus elementos cênicos e marcar com angustiada poesia o coração de seus espectadores.   </p>
<p>(* * * *<strong> -)</strong></p>
<p>Argumento.net é veículo oficialmente credenciado ao <a href="http://www2.portoalegre.rs.gov.br/poaemcena/">PORTO ALEGRE EM CENA</a></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.argumento.net/cena-critica/teatro/festivaisteatro/poa-em-cena-2011/dueto-para-dois/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>

