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	<title>Argumento.net &#187; 2003</title>
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	<description>CADA ARGUMENTO NO SEU GALHO</description>
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		<title>POA EM CENA, UM BALANÇO</title>
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		<pubDate>Tue, 30 Sep 2003 15:12:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Ricardo Kralik Angelini</dc:creator>
				<category><![CDATA[2003]]></category>

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		<description><![CDATA[O Porto Alegre em Cena é uma excelente iniciativa da prefeitura, que há dez anos realiza um festival de teatro com preço de ingresso popular: 5 reais. Nessa última edição, a marca é o experimentalismo. Espetáculos pouco comerciais, que talvez nunca conseguissem realizar uma turnê pelo país, abrem suas cortinas para deleite da platéia. Algumas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O <strong>Porto Alegre em Cena</strong> é uma excelente iniciativa da prefeitura, que há dez anos realiza um festival de teatro com preço de ingresso popular: 5 reais.<br />
Nessa última edição, a marca é o experimentalismo. Espetáculos pouco comerciais, que talvez nunca conseguissem realizar uma turnê pelo país, abrem suas cortinas para deleite da platéia.<br />
Algumas pessoas têm torcido o nariz, talvez pela ausência do teatrão. Esqueça aquelas histórias lineares, com início, meio e fim. Poucas são as que se encaixam nesse requisito, entre elas A BESTA NA LUA, com boas soluções cênicas e utilização de silêncios narrativos que acabam fugindo um pouco do convencional.<br />
Agora, se você procurava novas linguagens cênicas, o Em Cena foi na medida.<br />
Um espetáculo como o ÂNSIA, por exemplo, um texto visceral de <strong>Sarah Kane</strong> (com 28 anos se matou, dado biográfico que vale como referência na apreciação de suas palavras cruas e desacreditadas).<br />
Quatro atores no palco berram seus discursos fragmentados quase ao mesmo tempo, numa alegoria perfeita à confusão sonora e histérica em que vivemos. A platéia percebe algum nexo tentando ligar os gritos de desespero com um ou outro personagem, numa espécie de análise combinatória. E sai do teatro tocada pela poesia esmagadora daquela guerra de palavras.<br />
Outro espetáculo impactante é A PAIXÃO SEGUNDO G.H., belissimamente interpretado por <strong>Mariana Lima</strong>. O público segue a atormentada G.H. pela sua casa (salas e corredores do Hospital Psiquiátrico São Pedro), enfrentando um clima claustrofóbico entre claro-escuro.<br />
O texto de <strong>Clarice Lispector</strong> flui em cena, em doses de ironia, dor e absurdo do cotidiano.<br />
O absurdo também revelado na excelente interpretação de <strong>Renato Borghi</strong> (indicado ao Prêmio Shell), em TRÊS CIGARROS E A ÚLTIMA LASANHA.<br />
Um homem e suas manias rotineiras interrompidas pela inusitada perda da mão. O texto de <strong>Fernando Bonassi</strong> e <strong>Victor Navas</strong> trabalha com as conseqüências de um fato sem explicação lógica, num encadeamento divertido de situações provocadas pelo implante da mão de um doador de órgãos.<br />
Experimentação também em AMOR E RESTOS HUMANOS, seres presos numa gaiola de ferro às alturas, no texto do canadense <strong>Brad Fraser</strong>, já levado ao cinema, que fala sobre homossexualismo e perda de identidade.<br />
CAFÉ COM QUEIJO é outra excelente mostra desse Porto Alegre Em Cena. Uma colcha de retalhos amarrada por causos e histórias de gente simples do interior brasileiro, interpretados com brilho pelo elenco que se divide entre relatos, dança, música e goles de cachaça. Tudo isso dividido com a platéia, sentada no chão junto dos atores, que interage, contando e cantando seus versinhos.<br />
Os quadrinhos ganham a cena em PESSOAS INVISÍVEIS. Os traços de <strong>Will Eisner</strong> nas histórias desse espetáculo de ótimas críticas, considerado um dos dez melhores do ano passado e concorrente a várias categorias do prêmio Shell.<br />
Também de vanguarda o difícil CÃO COISA E A COISA HOMEM, com <strong>Luís Mello</strong>, o poético francês UM ANGE PASSE PASSE, e o multimídia suíço LOLA LA LOCA.<br />
O PARAÍSO PERDIDO estremeceu a catedral de Porto Alegre com suas cenas de impacto e texto desconstrutor.<br />
GOTHAM SP provoca frisson com seu teatro do inconsciente e interpretação dos atores saídos de instituições de saúde mental. O confuso espanhol NI SOMBRA DE LO QUE FUIMOS gera mais nariz torto do que elogios e o fraco EMBAIXO DA CAMA, da Rússia, foi um dos campeões da desistência – bendito seja o intervalo, muitos disseram.<br />
O Décimo Porto Alegre Em cena chegou ao seu final com uma seleção homogênea como poucas vezes se viu, com muito mais acertos do que erros, e com uma meia dúzia de espetáculos inesquecíveis.</p>
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		<title>ÂNSIA</title>
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		<pubDate>Mon, 29 Sep 2003 15:14:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Ricardo Kralik Angelini</dc:creator>
				<category><![CDATA[2003]]></category>

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		<description><![CDATA[São Paulo Direção: Rubens Rusche Elenco: Laerte Mello, Nádia De Lion, Sôlania Queiroz, Bruno Costa Você ouve alguém? Você fala com quem? Tempos em que ninguém tem tempo para prestar atenção no outro e em que todo mundo fala ao mesmo tempo, Ânsia é uma pequena amostra dessa confusão de vozes, berros, gemidos. Rostos impessoais, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>São Paulo</strong></p>
<p><strong>Direção:</strong> Rubens Rusche<br />
<strong>Elenco:</strong> Laerte Mello, Nádia De Lion, Sôlania Queiroz, Bruno Costa</p>
<p>Você ouve alguém? Você fala com quem?<br />
Tempos em que ninguém tem tempo para prestar atenção no outro e em que todo mundo fala ao mesmo tempo, <strong>Ânsia</strong> é uma pequena amostra dessa confusão de vozes, berros, gemidos.<br />
Rostos impessoais, escondidos atrás de óculos de sol, gritam dores, medos, paixões, desilusões.<br />
O cuidadoso cenário repartido em quatro cabines, mostra essas quatro criaturas histéricas, fragmentadas como seus discursos. A luz divide ainda mais esses seres, em total exorcismo. Percebe-se que há um confronto entre casais: há uma mulher perseguida por um homem que a assedia e se masturba, outra mulher e outro homem em conflito. Mas as histórias se entrelaçam com sutileza e todos podem estar falando com todos, ou com ninguém.<br />
A direção é perfeita. O elenco cospe o texto poético e visceral de <strong>Sarah Kane</strong>, sem maiores atropelos. Por vezes, a dicção dos atores masculinos confunde, mas nada que prejudique a obra.<br />
Ânsia de contar tudo pra ninguém ouvir. Deleite de quem consegue capturar parte desse todo partido.</p>
<p>COTAÇÃO: * * * * *</p>
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		<title>A PAIXÃO SEGUNDO G. H.</title>
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		<pubDate>Sat, 20 Sep 2003 15:20:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Ricardo Kralik Angelini</dc:creator>
				<category><![CDATA[2003]]></category>
		<category><![CDATA[A paixão segundo G.H.]]></category>
		<category><![CDATA[Clarice Lispector]]></category>

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		<description><![CDATA[Rio de Janeiro Direção: Enrique Diaz Elenco: Mariana Lima “Eu preciso me esquecer”, diz G.H., no auge da sua crise. Ela é uma mulher solitária, escultora, que resolve entrar no quarto da empregada. Lá, surpreende-se com um ambiente novo, tornando-se obcecada por uma pintura na parede e por uma barata que surge no armário. A [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Rio de Janeiro</strong></p>
<p><strong>Direção:</strong> Enrique Diaz<br />
<strong>Elenco:</strong> Mariana Lima</p>
<p>“<em>Eu preciso me esquecer”</em>, diz G.H., no auge da sua crise. Ela é uma mulher solitária, escultora, que resolve entrar no quarto da empregada. Lá, surpreende-se com um ambiente novo, tornando-se obcecada por uma pintura na parede e por uma barata que surge no armário.<br />
A opção de encenar o texto no <strong>Hospital Psiquiátrico São Pedro</strong> vem da necessidade de um ambiente amplo, com salas e corredores. Além, evidente, do estranhamento do espaço em si, espécie de cárcere dos limites entre lucidez e loucura.<br />
Palco perfeito, portanto, para essa personagem magnífica criada por <strong>Clarice Lispector</strong>, que faz uma jornada de reconhecimento e esfacelamento, experimentando a desintegração de uma barata morta-viva que remete à sua própria desintegração.<br />
O público, limitado a 70 pessoas (o que gerou confusão entre credenciados da imprensa num entra-não-entra), visita uma sala escura, claustrofóbica, repleta de livros. É o habitat de G.H., cigarros em punho e mãos trêmulas, que inicia seu monólogo de descobertas, até o dia em que abriu a porta do quarto da empregada. Nesse momento, ela abre as portas da sala, que dão para um corredor branco, absurdamente iluminado. O público a acompanha até a entrada ao quarto da empregada, ainda mais branco. Um quarto simples, com um varal, um roupeiro, uma escrivaninha, um abajur. Elementos de cena que se multiplicam graças às criativas alternativas da direção de Diaz.<br />
São vários os destaques do espetáculo: a encenação que se desloca entre escuro-claro-escuro, o jogo de sombras, a projeção do abajur no rosto da atriz, a imagem projetada no roupeiro quando as portas se abrem. Cada mínimo detalhe dos cenários é aproveitado. Por vezes a atriz sai de cena e surge em ambientes inusitados, como no teto do quarto. Em outras, ela sai para entrar uma G.H. projetada nas paredes brancas.<br />
Destaque também para a monumental atuação de Mariana Lima, que devora a personagem com uma força inacreditável. Seus rompantes de loucura, acalmados por um olhar nervoso, perdido, provam sua excelência de atuação. Ela grita, chora, rola, se bate, num exorcismo fantástico.<br />
E, é claro, o belo texto de Lispector, bem adaptado por <strong>Fauzi Arap</strong>, é o que mais comove. As palavras transbordam a personagem em passagens tão poéticas que provocam calafrios. E como é bom ser atingido por um texto certeiro, que nos deixa absolutamente desestabilizados.<br />
A PAIXÃO SEGUNDO G.H. foi um dos primeiros espetáculos a passar pelo 10° Poa Em Cena e, desde já, um dos melhores de todas as edições.<br />
Uma jornada dolorosa – sonho e pesadelo – que nos marca até as entranhas.</p>
<p>COTAÇÃO: * * * * *</p>
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		<title>A BESTA NA LUA</title>
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		<pubDate>Thu, 18 Sep 2003 15:18:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Ricardo Kralik Angelini</dc:creator>
				<category><![CDATA[2003]]></category>

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		<description><![CDATA[São Paulo Direção: Maria Thaís Elenco: Beatriz Sayad, Ricardo Napoleão, Thomaz Jorge e Walter Breda As molduras vazias que preenchem o palco dão a pista desta interessante montagem. Existe a matéria, falta a vida. Existe a moldura, faltam a foto, a história. Existe o carrinho de bebê, falta o filho. Tocando com emoção nas ausências, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>São Paulo</strong></p>
<p><strong>Direção:</strong> Maria Thaís<br />
<strong>Elenco:</strong> Beatriz Sayad, Ricardo Napoleão, Thomaz Jorge e Walter Breda</p>
<p>As molduras vazias que preenchem o palco dão a pista desta interessante montagem. Existe a matéria, falta a vida. Existe a moldura, faltam a foto, a história. Existe o carrinho de bebê, falta o filho.<br />
Tocando com emoção nas ausências, o texto de <strong>Richard Kalinoski</strong> conta a história dos sobreviventes da Armênia na guerra contra a Turquia. Aram, homem que escapa do terror e vai para a América, subornando guardas com selos raros, e Seta, a menina órfã com quem Aram se casa antes de conhecê-la. A convivência entre eles traz as diferenças de um campo de batalha. Aram, fotógrafo, é introvertido, tradicional, conservador. Seta é alegre, gosta de cozinhar e de não obedecer seu marido.<br />
Na casa, há um painel que desafia Seta: a família de Aram, assassinada pelos turcos, com espaços em branco no lugar das cabeças, a serem preenchidas com o tempo para a reconstrução da sua identidade. O conflito do casal se agrava com a possibilidade de esterilidade da mulher, depois aliviado com a chegada de Vincent, um menino de rua. O narrador que transita entre presente e passado também é uma boa sacada do texto.<br />
A direção de <strong>Maria Thais</strong> acerta na simplicidade. É uma peça de ritmo lento, por vezes silencioso demais para um público acostumado a video-clip. O deslocamento das molduras pelo palco forma quadros fotográficos interessantes. A interpretação dos atores é correta, sem grandes rompantes, até porque a monotonia de se estar vivo no meio da lembrança de mortos exige essas poucas palavras.<br />
Seta dá o colorido que falta à vida de Aram, e seus retratos finalmente ganham novos ângulos. E a peça cumpre bem o que se propõe, nesse estudo da solidão pós-guerra e da destruição de referências pessoais.</p>
<p>COTAÇÃO: * * *</p>
<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.</p>
<p><em><strong>Espaço do Leitor</strong></em></p>
<p>Por: Cristina Moreira</p>
<p>O que seria da história do homem se não fossem as imagens? Guerras, vitórias, emoções, criações, realizações, momentos fugazes que não seriam mais do que fragmentos passados de memória em memória, correndo o risco de serem alterados pelo caminho. Mas não com as imagens, não com as fotografias. As fotografias servem para o registro histórico dos fatos de todos e de cada um.<br />
Quem mais se valeu desse artifício foram os imigrantes, que, forçados a deixar sua história para trás, podiam sempre levar consigo as fotografias das coisas, dos lugares, das pessoas que tiveram de abandonar.<br />
Fui assistir à peça <em>A Besta na Lua</em>, de Richard Kalinoski, que está em cartaz no Theatro São Pedro, integrando o décimo <strong>Porto Alegre em Cena</strong>. Fui porque uma amiga me convidou, fui sem saber do que se tratava, fui porque sim. Antes de entrarmos ainda perguntei a ela se não era nenhuma dessas <em>&#8220;intervenções artísticas pós-pós-modernas&#8221;</em>, dessas coisas que as pessoas se movem de forma estranha e fazem barulhos estranhos. Ela riu mas me garantiu que não. Ufa, tudo bem então.<br />
Nada contra o teatro moderno, as inovações, as experimentações, acho tudo isso muito necessário, criar novas realidades. Mas sempre prefiro de histórias bem contadas, com início-meio-e-fim, com algum significado, alguma mensagem maior.<br />
E encontrei nessa hora e meia no Theatro São Pedro, uma história com pé e cabeça e corpo e emoção. Não vou ficar falando que o teatro é lindo, porque isso todo mundo sabe, então vou falar da peça. São quatro ótimos atores, cenário super simples, as palavras sendo muito mais importantes que roupas coloridas e grandes ambientações. O texto é de um americano descendente de armênios, e eu não sei até que ponto é com base na vida dele de verdade, mas a angústia, a aflição de quem é obrigado a sair do seu mundo e a enfrentar o desconhecido está lá.<br />
E a fotografia, único legado que o personagem principal tem da sua origem, acaba sendo o quinto elemento da peça, que provoca, que instiga, que faz lembrar e por causa disso dói. Na peça, o Sr Tomasian é fotógrafo, e quer de qualquer forma preencher as lacunas da sua vida, da sua família que ficou na Armênia, por meio de imagens novas, uma nova família na América. Ele pensa que recortando o antigo e substituindo o novo a dor vai passar, mas se engana.<br />
A fotografia ainda está lá, mesmo faltando pedaços. A família dele ainda está lá, mesmo que não esteja mais viva. Na sua tentativa absurda de criar seu passado de novo, ele esquece que não está mais lá, esquece do presente. A única maneira que ele encontra de fugir desses fantasmas é tirando uma outra foto, uma foto do tempo em que vive, não para substituir ou completar a outra, mas sim para dar a ela uma continuação.<br />
Bom, a moral da história, pra mim, é ter certeza que teatro não precisa quebrar todos os paradigmas para ser bom. Basta ter as palavras certas e algum conteúdo, basta saber emocionar e fazer pensar. Que venha o que é novo sim, mas que permaneça o que é bom.</p>
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		<title>CAFÉ COM QUEIJO</title>
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		<pubDate>Wed, 17 Sep 2003 15:17:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Ricardo Kralik Angelini</dc:creator>
				<category><![CDATA[2003]]></category>

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		<description><![CDATA[São Paulo Elenco, Criação e Concepção: Anna Cristina Colla, Jesser de Souza, Raquel Hirson e Renato Ferracini Quem tem a oportunidade de viajar pelo interior do Brasil, descobre um outro país, muito diferente desse que visualizamos a partir dos vidros embaçados das grandes metrópoles. Uma vez, no interior do interior de Mato Grosso do Sul, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>São Paulo</strong></p>
<p><strong>Elenco, Criação e Concepção:</strong> Anna Cristina Colla, Jesser de Souza, Raquel Hirson e Renato Ferracini</p>
<p>Quem tem a oportunidade de viajar pelo interior do Brasil, descobre um outro país, muito diferente desse que visualizamos a partir dos vidros embaçados das grandes metrópoles.<br />
Uma vez, no interior do interior de Mato Grosso do Sul, escutava <em>walkman</em> dentro de um ônibus, quando uma senhora, delicadamente, me tocou. Seu olhar era vibrante, a me perguntar que raios era aquilo no meu ouvido.<br />
Inacreditável, para mim, me deparar com alguém que não conhecesse um walkman. Mas logo que disse a ela que dali saía música, seus olhos mostravam dúvida. Perguntei à senhora enrugada do sol se ela gostaria de escutar o bicho. E nunca vou me esquecer do seu olhar emocionado quando coloquei os fones no seu ouvido, como quem escuta coisa de outro mundo.<br />
Aquela senhora me disse que caminhava três quilômetros pra pegar aquele ônibus, que morava no meio do mato, numa casa simples, e trabalhava numa fazenda distante.<br />
Aquela senhora, tantas vezes esquecida por nós, da cidade grande, existe aos milhões por aí, olhares a descobrir um mundo do qual pouco participam.<br />
E são dessas histórias, desses pequenos causos, que sai um painel de depoimentos brilhantemente interpretados, regados à viola, gaita e cachaça, no espetáculo CAFÉ COM QUEIJO.<br />
Envoltos pelo público que senta no chão, em almofadas, como se todos estivessem trocando um dedo de prosa, os atores incorporam personagens carismáticos que contam pequenas preciosidades de seus cotidianos. A composição, o trabalho corporal e vocal são impressionantes. Fechamos os olhos e vemos aquelas pessoas ganharem vida na pele do elenco. O público participa, cantando, batendo palma e declamando algum versinho.<br />
No final, o recorte de alguns trechinhos do espetáculo arrepia. Fotos no chão e vozes nas caixas mostram os verdadeiros personagens desse Brasil imenso, por vezes esquecido, e absolutamente rico.<br />
Saio com os olhos vidrados, como aqueles da senhora que ouviu, pela primeira vez, música num walkman.<br />
E, de regalo, café com queijo para quem já saboreou um dos melhores momentos desse Porto Alegre em Cena.</p>
<p>COTAÇÃO: * * * *</p>
]]></content:encoded>
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		<title>UN ANGE PASSE PASSE</title>
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		<pubDate>Wed, 17 Sep 2003 15:16:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Ricardo Kralik Angelini</dc:creator>
				<category><![CDATA[2003]]></category>

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		<description><![CDATA[França Texto e Trilha Sonora: Michael Bugdahn Elenco: Michael Bugdahn e Denise Namura A interessante premissa de trabalhar em cima do silêncio gera um espetáculo irregular. O cenário conta com um tapete felpudo branco, uma mesa, duas cadeiras e alguns objetos de cena. Um homem e uma mulher, de branco, tentam se comunicar, em vão. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>França</strong></p>
<p><strong>Texto e Trilha Sonora:</strong> Michael Bugdahn<br />
<strong>Elenco:</strong> Michael Bugdahn e Denise Namura</p>
<p>A interessante premissa de trabalhar em cima do silêncio gera um espetáculo irregular. O cenário conta com um tapete felpudo branco, uma mesa, duas cadeiras e alguns objetos de cena.<br />
Um homem e uma mulher, de branco, tentam se comunicar, em vão. Movimentos bruscos e repetitivos dão essa idéia da inacessibilidade. O início é um pouco lento e enfadonho, numa coreografia propositalmente falsa.<br />
Há belos momentos, em especial os apresentados por Denise, que tem uma fibra e uma expressão muito fortes. Quando os dois dançam, ela sempre rouba a cena.<br />
A esquete que mostra os vários silêncios gravados pelo mundo é interessante e as imagens poéticas que surgem no jogo de cores do palco são belíssimas.<br />
Falta um algo a mais para encadear melhor os trechos. A proposta da repetição de movimentos acaba tornando a peça redundante e cansativa. De qualquer maneira, UN ANGE PASSE PASSE é um espetáculo visualmente bonito e possui passagens bastante competentes.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>TRÊS CIGARROS E A ÚLTIMA LASANHA</title>
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		<pubDate>Tue, 16 Sep 2003 15:15:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Ricardo Kralik Angelini</dc:creator>
				<category><![CDATA[2003]]></category>

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		<description><![CDATA[São Paulo Direção: Débora Dubois Elenco: Renato Borghi Um homem cumpre sempre o mesmo ritual. No restaurante de varanda, fuma três cigarros enquanto ultrapassa etapas de um almoço, da chegada do garçom ao cafezinho final. É uma quinta-feira, lasanha é o prato do dia. Repentinamente, esse homem percebe sangue e nervos no pulso: sua mão [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>São Paulo</strong></p>
<p><strong>Direção:</strong> Débora Dubois<br />
<strong>Elenco:</strong> Renato Borghi</p>
<p>Um homem cumpre sempre o mesmo ritual. No restaurante de varanda, fuma três cigarros enquanto ultrapassa etapas de um almoço, da chegada do garçom ao cafezinho final. É uma quinta-feira, lasanha é o prato do dia. Repentinamente, esse homem percebe sangue e nervos no pulso: sua mão sumiu.<br />
Criativo e divertido, o texto de <strong>Fernando Bonassi</strong> e <strong>Victor Navis</strong> brinca com a quebra da rotina numa situação absurda. O estranhamento provocado pela situação chama a atenção de uma junta de médicos. Dialoga com o excelente livro de <strong>Inácio de Loyola Brandão</strong>, <em>Não verás país nenhum</em>, do homem que repentinamente vê a sua mão com um furo no meio.<br />
Na peça, Borghi se multiplica no palco, ajudado pela excelente iluminação, que pontua como personagens secundários.<br />
Felizmente, não há explicações pela perda daquela mão, deixando que a temática do absurdo se construa de forma mais ampla. Mais um ponto para o Porto Alegre em Cena mais homogêneo dos últimos tempos.</p>
<p>COTAÇÃO: * * * *</p>
]]></content:encoded>
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