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	<title>Argumento.net &#187; CENA CRÍTICA</title>
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	<description>CADA ARGUMENTO NO SEU GALHO</description>
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		<title>PRECISAMOS FALAR SOBRE KEVIN</title>
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		<pubDate>Sun, 05 Feb 2012 12:46:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Matheus Pannebecker</dc:creator>
				<category><![CDATA[CINEMA]]></category>

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		<description><![CDATA[Logo após o nascimento de Kevin, Eva (Tilda Swinton) já conseguia perceber dificuldades com o filho recém-chegado. Ele, que chorava compulsivamente quando passava o dia com a mãe, era calmo e silencioso na presença do pai. E assim foi durante toda a vida: com a mãe, Kevin era um menino que parecia ter o demônio [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Logo após o nascimento de Kevin, Eva (<strong>Tilda Swinton</strong>) já conseguia perceber dificuldades com o filho recém-chegado. Ele, que chorava compulsivamente quando passava o dia com a mãe, era calmo e silencioso na presença do pai. E assim foi durante toda a vida: com a mãe, Kevin era um menino que parecia ter o demônio no corpo. Com o pai, era justamente o oposto. Eva, portanto, não sabia como lidar direito com essa situação. Afinal, não era apenas o fato do filho não demonstrar qualquer sentimento positivo por ela que a incomodava, mas também o fato de Eva não conseguir provar tal desafeto para o marido, com quem Kevin era tão agradável. Unindo o filho problemático com a mãe que não sabia direito como agir diante de tal situação, criou-se um ambiente doentio. Um ambiente que, posteriormente, teria consequências trágicas para toda a família. É a partir dessas tragédias que PRECISAMOS FALAR SOBRE O KEVIN constrói sua narrativa. Com um enredo que vai e volta no tempo, esse poderoso filme de <strong>Lynne Ramsay</strong> é cheio de complexidades, além de ser muito incômodo e, por que não, realista – especialmente numa sociedade que muito discute o modo como crianças e adolescentes devem ser criados.</p>
<p>Para início de conversa, é bom avisar que PRECISAMOS FALAR SOBRE O KEVIN é um filme para fortes. Com uma atmosfera extremamente negativa, o enredo, a cada minuto, torna-se cada vez mais angustiante. É uma jornada de dor não apenas em função de como a tragédia não revelada (só se torna clara por completo no final) destruiu a vida da protagonista, mas também por cada cena que evidencia a completa falta de diálogo entre mãe e filho. Fácil seria culpar a personagem de Tilda Swinton pelas atitudes do filho, mas PRECISAMOS FALAR SOBRE O KEVIN cria cada situação difícil que faz o espectador compreender a total confusão e inércia da mãe. E esse, possivelmente, é o maior mérito do longa-metragem: colocar todos na pele de Eva. Nós sentimos tudo por que ela passa, suas dores e desesperos. Por isso que o trabalho da diretora Lynne Ramsay é tão difícil, uma vez que não somos apenas espectadores desse relacionamento que se desintegra a cada dia. Parece que nós também fazemos parte dele.</p>
<p>Tal angústia, presente em momentos maravilhosamente bem explorados por flashbacks e em momentos da atual situação da protagonista, é sentida a todo momento, o que torna PRECISAMOS FALAR SOBRE O KEVIN tão intenso e, arrisco a dizer, desesperador.</p>
<p>Baseado no livro de mesmo nome da autora <strong>Lionel Shriver</strong>, o roteiro não faz questão de facilitar nada. É um texto que não se preocupa em encenar longos diálogos que evidenciem complexidades. A profundidade de PRECISAMOS FALAR SOBRE O KEVIN está no silêncio, na sensação que certas situações passam. No entanto, esse roteiro construído com tamanha precisão não seria o mesmo sem a extraordinária performance de Tilda Swinton. A britânica de 51 anos de idade sempre foi sinônimo de qualidade (e o seu Oscar por CONDUTA DE RISCO foi extremamente merecido), só que, aqui, ela alcança o que é, possivelmente, o trabalho mais complexo de toda a sua carreira. Difícil imaginar o sofrimento da atriz ao mergulhar nesse papel que, basicamente, não tem um momento sequer de alegria. Tilda, porém, tira tudo de letra: econômica em palavras, mas com uma notável habilidade ao transmitir qualquer sentimento com uma simples expressão, ela é outro fator que ajuda PRECISAMOS FALAR SOBRE O KEVIN a ser tão marcante. Junto com o roteiro, Tilda intensifica as sensações desse longa-metragem difícil, mas que, se apreciado pelo público certo, está destinado a permanecer durante muito com quem o assiste. E isso é o que existe de mais precioso no cinema: a possibilidade do espectador poder se importar com os personagens, entrar na história deles e, acima de tudo, sentir tudo o que eles sentem. PRECISAMOS FALAR SOBRE O KEVIN faz isso com uma facilidade que assusta.</p>
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		<title>MEDIANERAS</title>
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		<pubDate>Fri, 06 Jan 2012 00:45:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mauricio Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[CINEMA]]></category>

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		<description><![CDATA[Solidão e desconforto nas grandes cidades são efeitos. Construções, tecnologia e Internet são causas. Assim se forma o cenário para MEDIANERAS &#8211; Buenos Aires Na Era Do Amor Digital (Medianeras, Argentina, 2011), um romance/drama ambientado na capital portenha, fato que se torna conhecido com o subtítulo bobo, comercial e desnecessário que também aparece na tradução [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Solidão e desconforto nas grandes cidades são efeitos. Construções, tecnologia e Internet são causas. Assim se forma o cenário para MEDIANERAS &#8211; Buenos Aires Na Era Do Amor Digital (Medianeras, Argentina, 2011), um romance/drama ambientado na capital portenha, fato que se torna conhecido com o subtítulo bobo, comercial e desnecessário que também aparece na tradução para o inglês.</p>
<p>Javier Drolas é Martín, um webdesigner que sofre de síndrome do pânico, por isso vive enclausurado em seu apartamento minúsculo, sua comunicação com o mundo real é praticamente pela Internet e suas únicas visitas são os motoqueiros de telentrega. Pilar López de Ayala é Mariana, uma arquiteta frustrada que ganha a vida como vitrinista e vem de um casamento fracassado que lhe custou 4 anos e a deixou sem chão. Os dois são vizinhos e moradores da famosa Avenida Santa Fé, possuem destinos que apontam em uma mesma direção, mas ainda assim nunca se cruzaram.</p>
<p>Através de narrações em off dos próprios personagens e com passagens de tempo marcadas por estações do ano, a história dos dois jovens é contada em paralelo, com bom humor, ironia e uma pitada de reflexão que remete às nossas próprias realidades quando o assunto é o afastamento cada vez maior que temos do convívio das pessoas por conta do ritmo frenético e das mudanças de comportamento do mundo moderno. A frase de Martín &#8220;A Internet me aproximou do mundo, mas me afastou da vida&#8221; representa bem algumas das mensagens deixadas pelo filme, que foi escrito e dirigido por Gustavo Taretto, estreante em longas metragens.</p>
<p>Há muitas referências, sugestões e mensagens subliminares que contribuem para o enriquecimento da narrativa – logo no início da fita, o suicídio de um cachorro e a imagem de um menino andando para a frente e para trás de triciclo em uma sacada minúscula deixam pistas de onde a história quer chegar. A referência ao livro Onde Está Wally? é outra grande e importante sacada. O diretor soube aproveitar bem a capital argentina para mostrar tanto o belo quanto o feio que ela pode oferecer, sem exaltações ou críticas específicas &#8211; Buenos Aires representa todas as grandes metrópoles do planeta, que sofrem dos mesmos problemas em diferentes proporções, sem ser diretamente o alvo das críticas proferidas.</p>
<p>MEDIANERAS é um bom filme, com o mérito de ter uma história interessante para contar, de saber contá-la com o bom uso de símbolos e representações que são facilmente captadas pelo espectador e de ainda usar essa história mais como meio do que como fim para expor um ponto de vista, deixando ainda uma pulguinha de dúvida atrás da orelha sobre para onde estamos levando nosso planeta e como está nosso estilo de vida. Ah, o que são as medianeras do título? É melhor assistir para obter a explicação, pois contar aqui seria estragar parte do desfecho do filme, embora ele seja bem previsível.</p>
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		<title>A PELE QUE HABITO</title>
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		<pubDate>Sat, 03 Dec 2011 00:05:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mauricio Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[CINEMA]]></category>
		<category><![CDATA[A pele que habito]]></category>
		<category><![CDATA[Antonio Banderas]]></category>
		<category><![CDATA[Elena Anaya]]></category>
		<category><![CDATA[Marisa Paredes]]></category>
		<category><![CDATA[Pedro Almodóvar]]></category>

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		<description><![CDATA[Em meio a comentários de que havia produzido seu primeiro terror e dirigido seu filme mais sombrio até então, o renomado diretor espanhol Pedro Almodóvar surpreende com sua nova obra, A PELE QUE HABITO (La Piel Que Habito, Espanha, 2011) &#8211; na verdade um drama com pitadas de thriller, violência e, por que não dizer, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em meio a comentários de que havia produzido seu primeiro terror e dirigido seu filme mais sombrio até então, o renomado diretor espanhol <strong>Pedro Almodóvar</strong> surpreende com sua nova obra, A PELE QUE HABITO (La Piel Que Habito, Espanha, 2011) &#8211; na verdade um drama com pitadas de thriller, violência e, por que não dizer, terror, regado a muito sexo e a loucuras almodovarianas, marcas da quais o cineasta andava mais econômico em suas produções recentes.</p>
<p>Para encarnar o protagonista &#8211; por assim dizer &#8211; Robert Ledgard, foi escalado <strong>Antonio Banderas</strong>, representando aqui um médico/cientista que mais parece uma cruza de Dr. Frankenstein com a Noiva de Kill Bill, respeitando suas devidas proporções, é claro. Banderas está contido e, depois de mais de 20 anos após sua última parceria com Almodóvar, bem menos canastra do que o usual. Ao lado dele, brilham <strong>Marisa Paredes</strong> (parceira de longa data do diretor, que participou de FALE COM ELA, DE SALTO ALTO e MAUS HÁBITOS, entre outros títulos), como a governanta Marília, e a bela <strong>Elena Anaya</strong> como Vera, o grande pivô de toda a trama.</p>
<p>Para não entregar nenhum dos vários segredos que o roteiro reserva, pode-se resumi-lo da seguinte forma: Robert é um cirurgião plástico que vive isolado em uma mansão com sua governanta e lá mantém uma mulher cativa que lhe serve de espécie de cobaia, na qual experimenta o desenvolvimento de uma pele perfeita para o ser humano, entre outros feitos.</p>
<p>Com este poético e inspirado título, A PELE QUE HABITO é um dos trabalhos mais interessantes do diretor, adentrando em um universo científico, bizarro e, em determinados momentos, até grotesco.</p>
<p>Com idas e vindas entre passado e presente, a certa altura da fita há a impressão de que a história fechou um ciclo e sua continuidade saiu dos eixos, mas pouco a pouco tudo começa a se revelar magnificamente orquestrado e as partes vão se encaixando, entregando em detalhes todas as respostas, mesmo algumas que nem se desconfiava existirem. A única ressalva que fica é de que se trata de um trabalho para apreciadores e simpatizantes da obra de Almodóvar: a trilha exagerada, a película que, como canta <strong>Adriana Calcanhotto</strong>, segue o padrão &#8220;cores de Almodóvar&#8221; e toda a atmosfera brega do cinema espanhol &#8211; em um bom sentido -, somados a uma trama que, embora diferente, é totalmente inverossímil, podem levar gente a sair do cinema descontente com o que viu – mas isso é exatamente o melhor do cinema, mexer com as pessoas. E aqui a missão é cumprida com a competência de um mestre!</p>
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		<title>OS 3</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Nov 2011 14:13:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mauricio Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[CINEMA]]></category>
		<category><![CDATA[Nando Olival]]></category>
		<category><![CDATA[Os 3]]></category>

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		<description><![CDATA[Em tempos de Internet, redes sociais, consumo em massa e reality shows, o filme do diretor Nando Olival vem a calhar, não como discurso negativo sobre qualquer uma dessas realidades, mas como instrumento de entretenimento e reflexão sobre onde termina o que é real e começa o que não é. OS 3 (Brasil, 2011) é [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em tempos de Internet, redes sociais, consumo em massa e reality shows, o filme do diretor <strong>Nando Olival</strong> vem a calhar, não como discurso negativo sobre qualquer uma dessas realidades, mas como instrumento de entretenimento e reflexão sobre onde termina o que é real e começa o que não é. OS 3 (Brasil, 2011) é uma grande brincadeira com verdades e mentiras, bem arquitetada, de modo a não deixar o espectador, aqui fazendo o papel de voyeur, indiferente.</p>
<p>Cazé (<strong>Gabriel Godoy</strong>), Rafael (<strong>Victor Mendes</strong>) e Camila (<strong>Juliana Schalch</strong>) são jovens estudantes de comunicação recém-chegados do interior que se conhecem por mero acaso em uma festa e decidem morar juntos. Daí surge uma superlativa amizade entre o trio, sob o pacto de nunca se envolverem emocionalmente ou sexualmente. É evidente e nenhuma surpresa que o pacto não funciona e servirá de pivô para todas as derrocadas na história dos três amigos. Até aí teríamos mais um genérico de TRÊS FORMAS DE AMAR (Threesome, 1994) ou OS SONHADORES (The Dreamers, 2003), mas a fita possui um trunfo em sua trama que a torna mais interessante.</p>
<p>Um projeto criado pelo trio para a faculdade propõe a instalação de câmeras em um apartamento, como em um Big Brother, onde produtos são expostos como de uso da casa e os clientes que assistem ao programa podem comprar online esses produtos ali exibidos. A ideia é abraçada por uma empresa que propõe que eles mesmos sejam os protagonistas deste reality shopping, o que se revela um verdadeiro fracasso em um primeiro momento. Somente quando, por acaso, começam a ocorrer brigas e cenas quentes entre os três, o negócio vira um sucesso e as fronteiras entre realidade e fingimento começam a se fundir, levando todos a conflitos que colocarão seu relacionamento à prova. Amizade &#8211; Amor &#8211; Paixão &#8211; Tesão: com estas 4 palavras-chaves a trama se apresenta e, (por que não?), se resume.</p>
<p>OS 3 é o tipo de filme pelo qual não se dá grandes coisas à primeira vista, mas acaba surpreendendo. Dono de uma trama interessante e com conteúdo &#8211; às vezes até divertida &#8211; , boas interpretações com pitadas de improviso e leite tirado de pedra com um orçamento curto e cenários limitadíssimos, o filme cumpre com competência sua missão enquanto distração, mensagem e sabe terminar na hora certa, de forma também satisfatória. É provável que passe batido pelos cinemas, embora seja digno de mais atenção.</p>
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		<title>PALMAS PARA O PALHAÇO</title>
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		<pubDate>Tue, 08 Nov 2011 15:09:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Ricardo Kralik Angelini</dc:creator>
				<category><![CDATA[CINEMA]]></category>
		<category><![CDATA[O palhaço]]></category>
		<category><![CDATA[Paulo José]]></category>
		<category><![CDATA[Selton Mello]]></category>

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		<description><![CDATA[Ele é o palhaço mais triste e mais melancólico do mundo. Mas quando entra no picadeiro, transforma-se no Pangaré e provoca risos. Todo mundo já disse que o novo filme de Selton Mello bebe na fonte de Fellini, de Wes Anderson, de Charles Chaplin. É verdade. Mas também lembra os filmes do francês Jean-Pierre Jeunet, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ele é o palhaço mais triste e mais melancólico do mundo. Mas quando entra no picadeiro, transforma-se no Pangaré e provoca risos. Todo mundo já disse que o novo filme de <strong>Selton Mello</strong> bebe na fonte de <strong>Fellini</strong>, de <strong>Wes Anderson</strong>, de <strong>Charles Chaplin</strong>. É verdade. Mas também lembra os filmes do francês <strong>Jean-Pierre Jeunet</strong>, a delicadeza do cinema argentino e o seriado Carnevale. A atmosfera de O PALHAÇO é contemplativa: o espectador relativiza a alegria do picadeiro em contrapartida com o olhar embaçado de Benjamin, o palhaço que não acha graça de nada. Junto a esse mergulho na – triste – consciência dos personagens, o sorriso sempre acaba saindo um tanto engasgado.</p>
<p>Sim, O PALHAÇO é um belo filme, um lindo filme triste. Dizem que Selton Mello ofereceu o papel a <strong>Wagner Moura</strong> e <strong>Rodrigo Santoro</strong>, mas nenhum pôde aceitar. Fica difícil imaginar, contudo, outro ator na pele deste palhaço do que o próprio Mello, que se dirige e consegue vencer alguns histrionismos que lhe eram peculiares, oferecendo uma faceta nova e inesquecível a seu público.</p>
<p>Bem verdade que o roteiro, também assinado por Mello, escrito em parceria com <strong>Marcelo Vindicatto</strong>, é redondinho e permite que o personagem seja explorado pelas suas três grandes peculiaridades: a tristeza, a incapacidade de sorrir e o amor por ventiladores. No filme, há muitas passagens oníricas em que o personagem visualiza ventiladores, talvez para amenizar o calor do interior mineiro, que transparece na fotografia e na tela. Talvez porque seja um elemento que remete ao catavento, tantas vezes utilizado pelos palhaços. Cataventos eletrônicos.</p>
<p>O pai de Benjamin é interpretado por <strong>Paulo José</strong>, e a dupla tem no mínimo uma cena já antológica no cinema brasileiro: o reencontro no picadeiro. De arrepiar. Há ainda um punhado de interpretações coadjuvantes que abrilhantam o trabalho, especialmente a ponta de <strong>Moacyr Franco</strong>, e quase todo o time do circo (<strong>Teuda Bara, Renato Macedo, Álamo Facó, Erom Cordeiro</strong> e as revelações <strong>Giselle Motta</strong> e a querida <strong>Larissa Manoela</strong>).  Selton tira o melhor de seus atores, e o filme oferece uma sinceridade comovedora. Não é pretensioso e possui um lirismo que é um capítulo à parte.</p>
<p>Enquanto eu o assistia, pensava em que momento entra na obra aquela magia que tem um tanto de imponderável: a poesia, o lirismo, um certo clima que suspende os espectadores mais sensíveis, prende-os com delicadeza, e impregna a alma. Será que já nas filmagens se percebe o nascimento de uma pequena obra-prima? Selton conseguiu fazer isso.  Sua direção mostra o talento de um veterano das telas, em uma recém iniciada carreira de diretor. A fotografia de <strong>Adrian Teijido</strong> proporciona coloridos quadros de beleza impactante. A direção de arte de <strong>Claudio Amaral</strong> Peixoto, o figurino de <strong>Kika Lopes</strong> e a deliciosa trilha de <strong>Plínio Profeta</strong> compactuam para uma hora e meia rara no cinema brasileiro. O PALHAÇO não tem tiro, não tem palavrão, não tem favela. Temos o sotaque mineiro, a ingenuidade de personagens itinerantes que acreditam na arte.</p>
<p>O PALHAÇO é uma homenagem a todos os artistas incompreendidos, a todas as pessoas que nasceram para ser, e nunca foram, ou tentaram, ou sempre conseguiram. Benjamin só tem uma certidão de nascimento amarrotada. Não tem identidade. Literalmente, não sabe quem é. O que quer. O gato bebe leite, o rato come o queijo e o palhaço nem sempre faz rir.</p>
<p>Um filme de atores. Um filme de palavras. Um filme de belas imagens e lindos enquadramentos. Um filme que merece ser visto e revisto por todos.</p>
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		<title>CONTÁGIO</title>
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		<pubDate>Sat, 05 Nov 2011 02:00:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Matheus Pannebecker</dc:creator>
				<category><![CDATA[CINEMA]]></category>
		<category><![CDATA[Contágio]]></category>
		<category><![CDATA[Steven Soderbergh]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma epidemia sem explicação se espalha rapidamente, fazendo com que a comunidade médica mundial inicie uma corrida para encontrar a cura e controlar o pânico que se espalha mais rápido do que o próprio vírus. Ao mesmo tempo, pessoas comuns lutam para sobreviver em uma sociedade que está desmoronando. Desde que ganhou o Oscar de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Uma epidemia sem explicação se espalha rapidamente, fazendo com que a comunidade médica mundial inicie uma corrida para encontrar a cura e controlar o pânico que se espalha mais rápido do que o próprio vírus. Ao mesmo tempo, pessoas comuns lutam para sobreviver em uma sociedade que está desmoronando. Desde que ganhou o Oscar de melhor diretor por TRAFFIC, <strong>Steven Soderbergh</strong> vive uma espécie de indefinição em sua carreira. Realizando desde dramas biográficos (as duas partes de CHE, com <strong>Benicio Del Toro</strong>), comédias (O DESINFORMANTE!) até produções menores (CONFISSÕES DE UMA GAROTA DE PROGRAMA), o diretor não confirmou ser um sujeito de personalidade. Ao contrário do que mostrava TRAFFIC, todos esses trabalhos não diziam muita coisa e muito menos chegavam a obter grandes repercussões, o que deixava a dúvida: afinal, quem é Steven Soderbergh? Depois de dizer que abandonaria o cinema (talvez numa tentativa mal sucedida de fazer o público criar interesse por seus trabalhos), agora, com CONTÁGIO, ele volta a mostrar sinais de que tem sim personalidade, que só está perceptível quando o diretor acerta na equação de alguns fatores específicos.</p>
<p>Em TRAFFIC, Soderbergh mostrava uma sociedade abalada pelo tráfico de drogas. As diversas histórias eram apresentadas simultaneamente com habilidade, num longa que, além de trazer denúncia social, era atual e realista. CONTÁGIO segue exatamente esse mesmo estilo, trocando as drogas pelo perigo iminente de uma doença desconhecida. E é assim que ele alcança êxito: mostrando diversos personagens lidando com o mesmo dilema, numa problemática que é comum a todos. Em tempos que a sociedade já enfrentou H1N1 nos últimos anos, a discussão se mostra mais do que necessária. O interessante é que Soderbergh propõe um olhar sobre o assunto sempre sem fazer caricatura. É em função de seu diálogo intenso com a realidade que CONTÁGIO se torna tão interessante.</p>
<p>Ao contrário de tantos filmes sobre doenças ou sobre ameaças para a população de um país (e eles estão muito longe de serem poucos, vale comentar), CONTÁGIO não procura espetacularizar fatos e muito menos apelar com um desenvolvimento mirabolante. A preocupação do diretor é fazer com que o espectador fique nervoso com aquilo também, podendo achar possível que aquela mesma epidemia possa acontecer, por exemplo, na sua cidade. Nenhuma surpresa, então, se os mais crédulos saírem neuróticos da sessão, querendo se afastar de lugares cheios e de pessoas que tossem. Por não revelar o que causa essa epidemia é que o enredo se torna instigante e, claro, responsável pela inquietação do público.</p>
<p>CONTÁGIO, portanto, é o primeiro trabalho relevante de Soderbergh em muito tempo. Aqui ele reúne um elenco cheio de estrelas (mesmo que não seja um filme trabalhado em atuações: <strong>Matt Damon, Kate Winslet, Jude Law, Laurence Fishburne, Marion Cotillard, Gwyneth Paltrow</strong>), uma excelente trilha sonora de <strong>Cliff Martinez </strong>e uma dinâmica montagem. Fácil assistir a essa história bem realista (a ação está nos diálogos, não necessariamente em fatos) e que só se perde em seu desfecho, mais óbvio e previsível do que o filme merecia. Exatamente na última cena, CONTÁGIO apresenta uma explicação que não precisava existir. Uma explicação que tira o charme de mistério e que deixa a sensação de que o filme é passageiro e superficial – o que não é verdade. Isso, junto com a constante vontade do cinema norte-americano de sempre ser positivo por mais desesperadores que sejam os fatos, prejudica CONTÁGIO, este longa sem firulas que aposta na racionalidade. Assim, sem os defeitos citados, o novo trabalho de Soderbergh seria bem mais do que apenas uma opção interessante e bem produzida, seria um dos longas obrigatórios de 2011.</p>
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		<title>ATIVIDADE PARANORMAL 3</title>
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		<pubDate>Wed, 26 Oct 2011 01:41:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Ricardo Kralik Angelini</dc:creator>
				<category><![CDATA[CINEMA]]></category>
		<category><![CDATA[Atividade Paranormal 3]]></category>

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		<description><![CDATA[A franquia de ATIVIDADE PARANORMAL parece não ter mais fim. A ideia de brincar com o documental não é nova, bem pelo contrário. Mais de uma década atrás, A BRUXA DE BLAIR misturou ficção com um processo caseiro e criou um mito que assombrou o mundo. De lá para cá, muitos se inspiraram nesta artimanha, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A franquia de ATIVIDADE PARANORMAL parece não ter mais fim. A ideia de brincar com o documental não é nova, bem pelo contrário. Mais de uma década atrás, A BRUXA DE BLAIR misturou ficção com um processo caseiro e criou um mito que assombrou o mundo. De lá para cá, muitos se <em>inspiraram</em> nesta artimanha, uma vez que o “baseado em um caso real” ou “cenas reais achadas numa câmera” vende muito mais.</p>
<p>Está em cartaz ATIVIDADE PARANORMAL 3, dirigido por <strong>Henry Joost</strong> e <strong>Ariel Schulman</strong>. A história é a mesma de sempre: homem curioso para desvendar barulhos estranhos em casa deixa a câmera ligada. É assim que os sustos de praxe são preparados: as falsas expectativas (pessoa verifica se tudo está ok, fica aliviada e, em seguida, há alguma coisa atrás dela), sombras e vultos no fundo do plano, pessoas sendo carregadas pelos pés, cobertas e lençóis levantando, objetos em movimento.</p>
<p>Talvez os melhores momentos do filme sejam quando alguns personagens tentam pregar peças no curioso Dennis (<strong>Christopher Nicholas Smith</strong>) e as duas meninas em cena: as irmãs Katie e Kristi ainda crianças, <strong>Chloe Csengery</strong> e <strong>Jessica Tyler Brown</strong>.</p>
<p>O maior problema é o roteiro. Estamos em 1988. O terceiro filme, seria portanto, o primeiro, cronologicamente. Acontece que nenhum dos eventos marcantes registrados no 2 e neste 3 entraram em pauta no primeiro, o que significa que Katie, por exemplo, passa por uma situação idêntica (no 1) e não comenta absolutamente nada sobre algo que já ocorrera em sua infância. Fora isso, quase todas as tentativas de susto são adivinhadas, e o final namora com o inverossímil de forma quase fatal.</p>
<p>Todo caso, ninguém vai ao cinema ver filme de terror para pensar em lógica na trama. Mas se o objetivo é sentir algum medo&#8230; bem, também não é dessa vez.</p>
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		<title>CONTRA O TEMPO</title>
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		<pubDate>Sun, 09 Oct 2011 13:10:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Matheus Pannebecker</dc:creator>
				<category><![CDATA[CINEMA]]></category>
		<category><![CDATA[Contra o tempo]]></category>
		<category><![CDATA[Duncan Jones]]></category>
		<category><![CDATA[Jake Gyllenhaal]]></category>
		<category><![CDATA[Michele Monaghan]]></category>

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		<description><![CDATA[O capitão Colter Stevens (Jake Gyllenhaal) faz parte de um projeto ultrassecreto denominado Source Code, capaz de transportar um homem para o corpo de outro, assumindo a sua identidade nos oito minutos de vida restantes de cada alvo escolhido para a “ocupação”. Um atentado terrorista explodiu um trem nos arredores de Chicago, matando todos os [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O capitão Colter Stevens (<strong>Jake Gyllenhaal</strong>) faz parte de um projeto ultrassecreto denominado <em>Source Code,</em> capaz de transportar um homem para o corpo de outro, assumindo a sua identidade nos oito minutos de vida restantes de cada alvo escolhido para a “ocupação”. Um atentado terrorista explodiu um trem nos arredores de Chicago, matando todos os passageiros e agora a sua missão é voltar no tempo, no corpo de uma das vítimas, e tentar descobrir o autor do crime, porque um novo ataque será realizado dentro de seis horas. Agora, ele precisa identificar o criminoso para evitar novas mortes, mas acaba se apaixonando por Christina (<strong>Michelle Monaghan</strong>), uma das vítimas do trem, e pretende mudar a história, alterando as regras do jogo e colocando o futuro em risco.</p>
<p> Em 2009, o diretor <strong>Duncan Jones</strong> realizou um pequeno grande filme chamado LUNAR. No seu primeiro longa, o britânico conseguiu fazer uma notável mistura de drama e ficção, inclusive homenageando (mas sem nunca copiar) o clássico 2001 – UMA ODISSEIA NO ESPAÇO. LUNAR não fez muito sucesso (chegou diretamente em DVD aqui no Brasil), mas serviu para trazer um maravilhoso desempenho de <strong>Sam Rockwell</strong> e revelar o promissor Duncan Jones. Agora, com CONTRA O TEMPO, o diretor está inserido no mundo norte-americano do cinema e ainda preserva algumas das caraterísticas que apresentou em seu <em>debut</em>. No entanto, é prejudicado justamente por ter que atender a  várias exigências comerciais para abranger mais espectadores.</p>
<p>Não, Duncan Jones não chega a se vender. CONTRA O TEMPO ainda preserva a necessidade do diretor de contar histórias sobre sujeitos presos em lugares solitários e que querem, a todo custo, voltar ao mundo real. A primeira hora do filme estrelado por Jake Gyllenhaal desenvolve muito bem essa proposta, apresentando de forma eficiente a quase desesperadora situação do personagem que precisa viajar no tempo contra a sua vontade e sem saber exatamente o porquê. Ele não sabe onde está nem por que precisa desempenhar uma missão que visa evitar um ataque terrorista. Assim, utilizando uma narrativa que vai e volta no tempo repetindo fatos, CONTRA O TEMPO mostra-se bem executado ao transitar na linha do tempo – até porque Jones nunca aposta só no suspense ou só nas descobertas do personagem. É um balanço entre esses dois aspectos.</p>
<p>O problema vem depois – e nada relacionado ao acomodado e previsível desempenho de Jake Gyllenhaal. Resolvendo a trama principal cedo demais (e sem grandes surpresas), CONTRA O TEMPO instala outra abordagem na história e, infelizmente, cai num quase incompreensível tom açucarado. É o velho e batido heroísmo norte-americano: o personagem descobre algumas verdades sobre sua situação, resolve colocar o amor em prática e toma atitudes muito idealizadas. Tudo isso com uma trilha que enfatiza a “beleza” desses atos e com uma estética que faz questão de romantizar ainda mais a situação. Sem falar da personagem que fica contra o sistema e resolve colocar em risco seu emprego só para fazer a felicidade do próximo. Quanta ladainha!</p>
<p>Por sorte, Duncan Jones até que consegue disfarçar essas atitudes desnecessárias para o espectador menos exigente, que pode nem se incomodar com essa meia hora final que destoa do resto do filme… O filme, que se sustentava tão bem até certo ponto, não precisava acabar dessa maneira. E se, anteriormente, apontei que Duncan Jones não chega a se vender com o filme, o final mostra que ele quase chegou a esse ponto. Ainda bem que o filme não durou mais, já que CONTRA O TEMPO, talvez, pudesse alcançar o nível do insatisfatório se continuasse desenvolvendo por mais tempo essas escolhas comerciais.</p>
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		<title>DOLOR EXQUISITO</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Sep 2011 17:26:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Ricardo Kralik Angelini</dc:creator>
				<category><![CDATA[POA EM CENA 2011]]></category>
		<category><![CDATA[Dolor exquisito]]></category>
		<category><![CDATA[Emilio García Wehbi]]></category>
		<category><![CDATA[Maricel Alvarez]]></category>
		<category><![CDATA[Sophie Calle]]></category>

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		<description><![CDATA[&#62;&#62;&#62; DOLOR EXQUISITO (Argentina) Direção: Emilio García Wehbi Com: Maricel Alvarez “En 1984 gané una beca para ir a Japón durante tres meses. Partí de París el 25 de octubre, sin saber que esa fecha marcaba el comienzo de 92 días de cuenta regresiva hacia el final de una historia de amor, nada fuera de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&gt;&gt;&gt; <strong>DOLOR EXQUISITO</strong> (Argentina)</p>
<p>Direção: <strong>Emilio García Wehbi</strong></p>
<p>Com: <strong>Maricel Alvarez</strong></p>
<p>“En 1984 gané una beca para ir a Japón durante tres meses. Partí de París el 25 de octubre, sin saber que esa fecha marcaba el comienzo de 92 días de cuenta regresiva hacia el final de una historia de amor, nada fuera de lo común, pero en ese entonces lo viví como el día más infeliz de toda mi vida&#8221;.</p>
<p>A artista francesa <strong>Sophie Calle</strong> causou polêmica quando expôs a dor do abandono, ao dar vida às suas memórias em <em>Dolor exquisito</em>, livro e exposição multimídia nos quais abriu o coração já recuperado da perda de um grande amor, após uma viagem de longa estada ao Japão. Isso aconteceu nos anos 80, mas foi nos anos 2000 que tudo veio a público.</p>
<p>O festejado diretor teatral argentino, Emilio García Wehbi, e a atriz <strong>Maricel Alvarez</strong> (que apareceu para o mundo com o ótimo BIUTIFUL, de <strong>Alejandro Iñarritú</strong>, fazendo par com <strong>Javier Bardem,</strong> em atuação premiada), resolveram refazer a trajetória de Sophie e criar seu próprio caminho de perdas.</p>
<p>Com o argumento de que tentaria retomar as andanças de Sophie Calle no Japão, esta mulher parte e, numa retrospectiva, fala desses dias distantes, que se tornam vazios ante a saudade e o pressentimento da perda de um grande amor.</p>
<p>O cenário é asséptico, todo branco, quase um ambiente hospitalar para mostrar a mulher que relata suas experiências. Uma estante com bonecos, objetos,<em> souvenirs</em> da viagem. Duas poltronas brancas, numa delas um boneco no qual serão projetados depoimentos de pessoas respondendo a: <em>qual foi a maior dor que você já sentiu em sua vida?</em> Na outra poltrona, Maricel Alvarez brilha como a apaixonada que se arrepende de ter passado noventa dias no Oriente. Mostra fotografias da viagem, emociona-se, ri, sempre mostrando os dias que faltam antes da DOR. O público divide-se entre essas imagens projetadas e a atriz, correndo o risco de perder a sutileza de atuação de Alvarez se muito se fixar nas belas fotos.</p>
<p>Na segunda parte do espetáculo, o relógio corre para outro lado. Cada dia posterior ao abandono desse amor traz um distanciamento da dor. A mesma história é contada algumas vezes. Entre elas, os depoimentos tristes de pessoas que também sofreram perdas. O interessante é que, a cada recuperação do que aconteceu com aquela mulher, algumas informações são omitidas. De início, todo um sofrimento para contar que esse amor comprou passagens e hotel na Índia para um reencontro, mesmo na véspera manteve-se firme no plano, até o momento em que a mulher recebeu um bilhete no aeroporto de Nova Deli avisando de que ele não viria.</p>
<p>Da dor à superação. Se chega a ficar previsível o final do texto, em nenhum momento a soberba atuação de Maricel Alvarez torna o espetáculo cansativo, dominando a plateia com sua voz e suas expressões faciais. Por ser asséptico, não há uma grande identificação entre o sentimento que essa mulher passa e o público. Não haverá lágrimas de tristeza, apenas o reconhecimento de uma ex-apaixonada que reconstrói seu ponto de vista sobre esse amor. E isso também é compartilhar a dor.</p>
<p><strong><em>Dolor exquisito</em></strong> é teatro de primeira qualidade.</p>
<p>(* * * * &#8211; <strong>)</strong></p>
<p>Argumento.net é veículo oficialmente credenciado ao <a href="http://www2.portoalegre.rs.gov.br/poaemcena/">PORTO ALEGRE EM CENA</a></p>
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		<title>NINGUÉM FALOU QUE SERIA FÁCIL</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Sep 2011 14:07:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Ricardo Kralik Angelini</dc:creator>
				<category><![CDATA[POA EM CENA 2011]]></category>
		<category><![CDATA[Alex Cassal]]></category>
		<category><![CDATA[Felipe Rocha]]></category>
		<category><![CDATA[Ninguém falou que seria fácil]]></category>
		<category><![CDATA[Renato Linhares]]></category>
		<category><![CDATA[Stella Rabello]]></category>

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		<description><![CDATA[&#62;&#62;&#62; NINGUÉM FALOU QUE SERIA FÁCIL (Rio de Janeiro) Direção: Alex Cassal Com: Felipe Rocha, Renato Linhares e Stella Rabello Três atores no palco em um faz de conta de criança. Faz de conta que você é a nossa filha, diz a mulher para o marido. Relutante, decide não representá-la, e entra em cena o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&gt;&gt;&gt; NINGUÉM FALOU QUE SERIA FÁCIL (Rio de Janeiro)</p>
<p>Direção: <strong>Alex Cassal</strong></p>
<p>Com: <strong>Felipe Rocha, Renato Linhares e Stella Rabello</strong></p>
<p>Três atores no palco em um <em>faz de conta</em> de criança. <em>Faz de conta que você é a nossa filha</em>, diz a mulher para o marido. Relutante, decide não representá-la, e entra em cena o terceiro, barbudo, fazendo essa menina de três anos. O marido agora também quer ser a menina. Brigam. Brincam. Uma história se emenda na outra, num processo de inventividade imaginativa em que qualquer um pode ser qualquer coisa. Não é essa a essência do teatro?</p>
<p>O título de espetáculo parece brincar com a aparente linearidade esperada pelo público comum: sentados em sua poltrona, dentro de uma zona de conforto, aguardam um texto com início, meio e fim, com personagens bastante delineados, atores competentes e uma impressão do real. Talvez uma fuga da rotina massacrante em hora e meia de escape. Não é isso o que oferece a equipe <em>Foguetes Maravilha</em>. Também nesse nome, o lado lúdico que é explorado à exaustão – vamos brincar de cabaninha? De índio? Me conta uma história?</p>
<p>São muitos esses fios narrativos que se emaranham – do casal que perde a filha de três anos à carente ricaça que se casa com um cara que pulou na sua sala (a explicação de como isso aconteceu é absurda e genial), da menina de três anos que cresceu (mas que ainda usa chupeta) ao índio que quer contar uma história mais criativa que o próprio pai da garota. O pai olha o nativo e berra que ninguém disse que haveria índio naquela história. Personagens se fundem, se confundem. A certa altura, o marido beija a esposa e o terceiro avisa: <em>ei, ela é a sua filha</em>.</p>
<p>Tudo pode. Brincadeira do Calvin, invencionices divertidas, mas que teriam a sustentabilidade de um castelo de cartas não fosse o dinamismo do texto e a excelência do trio de atores, em especial da dupla masculina, que tem mais espaço para ousar, para mostrar sua versatilidade. Aliás, <strong>Felipe Rocha</strong> é o dono da palavra. Ele é o autor da inteligente montagem, bem dirigida por <strong>Alex Cassal</strong>.</p>
<p>O único detalhe é que a peça acaba caindo numa própria armadilha que ela mesma criou. Esse jogo alucinado possui momentos de freagem que quase tiram o público dos trilhos. Alguns instantes em que o que é mostrado parece um bocadinho repetitivo ou por demais forçado, mas em seguida a trinca consegue outra vez captar a atenção da plateia e fazer com que nos esqueçamos desses pequenos percalços. Ninguém falou que seria fácil, mas foi inteligente e divertido.</p>
<p>(* * * &#8211; -)</p>
<p>Argumento.net é veículo oficialmente credenciado ao <a href="http://www2.portoalegre.rs.gov.br/poaemcena/">PORTO ALEGRE EM CENA</a></p>
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