Era domingo de mormaço e saliva vizinhento e pegajoso calcinhas, panela, ela Era domingo com gosto(se ainda tivesse pulso, fazia um samba)
Havia nela ainda um quê de brisa. Não se sabia de onde vinham os cabelos em fúria ou o sempre cheiro de mato na pele. Era toda selvageria guardada na boca bem selada. Diferente de todas da casa, mais se aproximava era de Brusque, a gata arredia, ou das árvores do quintal. Silenciosa, o que [...]
Álvaro de Campos e sua poltrona de melancolia. Seus tapetes. As cartas. Ridículos Enrodilhei-me no nonsense da palavra amorosa. Corpo nu. E eu já nem tinha medo. A madrugada faz ausência. Ainda é (im)perfeito: chove. (mas eu não ouso dizer)
-Vai eu te diria se pudesse sem lágrima sem gesto de adeus sem despedaçar-me Há tanto que mastigo as dores Há tanto que enxugo a saliva que a palavra só é partida
das coisas que já não digo: tanta água algum medo amor horas gordas um copo de sal o corpo só dobrada em silêncio a matéria dos segredos alimenta-se dos segundos até ser navalha
medo é veneno um céu sem estrela engole a memória amor é temporal agora chove (você me guardaria na caixa das coisas esquecidas?)
palavra escrita pequenina ao lado do teu peito eu suspeito que te amo você suspira enluarado
se eu fosse bicho te unhava, arrancava um pedaço ou então te devorava te enredava na minha teia me enrolava no teu corpo e sufocava se eu fosse bicho, nem falava só olhava armando bote atacava tempo de respirar? não dava. tavas morto se não visse que tinha bem do teu lado um poderoso bicho
armadura duríssima casca madrepérola máscara imaculada se não fosse câncer seria certamente virgem sua concha
tudo sempre morre o que resta é saudade depois suave impressão pinceladas foscas no vazio colorindo nada tudo sempre nasce até onde há sal e deserto