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Rita Cavalcante

Rita Cavalcante já escreveu 85 artigos para Argumento.net

as palavras nuas sobre o lençol

as palavras nuas sobre o lençol espelhavam os corpos amantes antes de o mundo pedir silêncio

palavras em meu corpo

ele pinta palavras em meu corpo renascentista a madrugada é nua e farta baixa contínua em nós descendente é o inferno cadência perfeita onde descobri a pureza

poeminhas de domingo de chuva

I. Minha roda é movida pelas paixões Das mais rasteiras às mais nobres Se é que existe majestade na perdição Tudo é intenso e insensato Extremo somente para ser extremo O desejo me leva para onde quer Ele é meu homem II. Eu gosto de estar assim Te ti contigo Porque tua presença Me alenta, [...]

poesia

escorrega pelos vãos, felina arranca do meu sumo a força para a sua escravidão meus medos degusta cretina lambe as pontas dos dedos sussurra então um segredo embaraça minha cabeça depois ri feito cigana a Poesia vadia pelo meu corpo se mata é pra me fazer existir

cicatriz

da conquista, restou sob as mãos a cicatriz nem a palavra nem o medo como memória uma boca úmida ruídos dos sorrisos pares Amor brotado como aquela flor (rompente) Onde?

um pedaço do teu pão

um pedaço do teu pão e do teu dia um pouco de sonho o que te adoece uma noite de orgia a página roubada do livro de poesia asfalto florido a saliva e depois ser presa surpresa ser teto ser verso certeza mas falta

morena do samba

Não tenho mais tempo pras palavras Larguei da poesia Não quero mais essa mesma canção Adeus, meu bem Vou ser morena do samba de alguém

a foto guardava a travessia

a foto guardava a Travessia. tão azul que eu podia acreditar que era minha tanto quanto aqueles dedos longos que despetalavam margaridas   naquele tempo o infinito ainda estava a meus pés

caço nas páginas daquele livro antigo

caço nas páginas daquele livro antigo como dizer que eu te amo quando não digo ignoro o risco da palavra-títere e traço ainda no espelho o caminho Esquerdo

morrer um pouco

Era como se tivesse rasgado o peito frágil em que escrevera seu único poema. E tocado o fósforo ali depois de riscá-lo mecanicamente na caixinha que guarda o café portenho.   As lembranças não são sempre fumaça?   O amor enrodilhou-se anelado diante dos meus olhos mudos e subiu ao céu. Defunto.